Guia da Semana

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Black Legend é um jogo de RPG tático desenvolvido e publicado pela Warcrave. Inspirado fortemente na estética vitoriana, o jogo nos coloca no papel de um grupo de mercenários que deve explorar uma cidade dominada por uma névoa constante, cultistas e outras personalidades agradáveis. Nada além de um dia comum no paraíso.

É tempo, leitor. Pegue uma tocha enquanto busco meu chapéu, e vejamos o que Black Legend tem para oferecer em mais uma análise do Pizza Fria!

Um belo lugar

Black Legend conta a história da cidade de Grant, que estava sendo arrasada por uma terrível praga. Dado isso, os habitantes tiveram a positivamente excelente ideia de pedir ajuda para um alquimista chamado Mefisto. Com um nome desses, quem não iria confiar? Se estou sendo irônico? Claro que não leitor, o que passou essa ideia?

Surpreendendo um total de zero pessoas, Mefisto utilizou da oportunidade para envolver a cidade em uma névoa que tornou uma parcela da população em seus servidores lunáticos. Quem imaginaria? Aí que entra o jogador, controlando um grupo de mercenários enviados para Grant com a missão de encontrar o alquimista e destruir o mal na fonte.

A cidade e sua névoa me lembraram fortemente de Silent Hill, tanto pela atmosfera quanto pelas aberrações que andam por suas ruas. É uma comparação que faço feliz, porque esse sentimento me é confortável e aconchegante. Outra inspiração clara que me veio a mente foi Bloodborne, dado o estilo vitoriano dos cenários.

Black Legend
Amável! (Imagem: Divulgação)

Os gráficos não são incríveis, mas a ambientação e os sons são. É palpável a sensação de desolação e desespero que permeia a cidade, além da névoa que cobre tudo, dos corpos e dos tons mais frios de cores. É um dos pontos do jogo que realmente me agradou e ajudou na imersão.

Black Legend começa permitindo que o jogador crie um personagem controlável, através de um editor bem rudimentar. São poucas opções de customização facial, e o formato de visão da câmera faz com que você não possa ver sempre o seu protagonista. É legal que esteja presente, mas não faz tanta diferença.

Os personagens até que são interessantes, mas não são tão explorados assim. Seu bando de mercenários pode ser aumentado recrutando alguns personagens da história e outros que vagam pela cidade em busca de ajuda, mas eles não têm um impacto tão grande assim, servindo mais como integrantes de seu time para auxiliar na hora das lutas.

Uma das coisas que me intrigaram, também, foi a falta de um mapa. Certos cenários possuem vários caminhos e saídas diferentes, e fica muito fácil de se perder. Entendo que talvez tenha sido uma escolha mecânica, mas me fez muita falta.

Black Legend
Algumas casas com luzes acesas tem gente que gosta de uma prosa. (Imagem: Divulgação)

O combate

Um dos grandes focos de Black Legend, mais ainda que a história suspeito, é o combate. Ele ocorre em um grid dividido em quadrados, onde cada combatente pode se mover e atacar, de perto ou a distância. Pense no esquema já consagrado por XCOM e terá uma boa ideia. Ele é tático e complexo, por vezes até demais.

O jogo tem duas mecânicas básicas que o diferenciam nesse ponto. Primeiro, cada mercenário pode ser uma de 16 classes, com habilidades próprias da classe e outras que podem ser aprendidas. Isso é feito através de seu equipamento, e cada uma delas pode ser aprendida depois de se usar uma arma por um determinado tempo. É a mesma ideia vista em Final Fantasy VII Remake.

Além disso, determinadas habilidades aplicam o que o jogo chama de humours, certas cores que servem como um tipo de marcador no inimigo. Certas combinações de cores, como preto e vermelho, formam reações que podem ser ativadas com um ataque básico chamado catalisador. Combinações diferentes geram resultados e danos diferentes. É um sistema relativamente simples, mas que adiciona mais uma camada estratégica aos combates.

Black Legend
Quando vários catalistas estouram ao mesmo tempo, o dano é considerável. (Imagem: Divulgação)

O grande problema, aí, é o combate funcionar. Eu tive que reiniciar meu jogo diversas vezes por conta de inimigos que subiam em lugares inacessíveis, ou travavam em posições que me obrigavam a ficar lutando um contra um até ou morrerem eles ou meu personagem. Os bugs são enjoados, mas ficar trocando tapas com inimigos por vários turnos me desanimou consideravelmente.

Além disso, o combate não tem impacto em nada. Os modelos se movem de forma meio estranha, por vezes param de se movimentar, não andam, não atacam, enfim. Várias situações que obrigam o jogador a recarregar algum save antigo várias e várias vezes. Foi uma grande fonte de frustração para mim.

Mas, quando funciona pelo menos, ele pode divertir se for seu estilo de jogo. O sistema de classes e habilidades, mais os humores e os tipos diferentes de ataque dão, como disse, uma certa profundidade a cada encontro. O que torna mais triste, na real, que tenha tantos dos problemas que percebi e me afetaram.

Black Legend
Subir em caixas foi uma das minhas grandes frustrações em Black Legend. (Imagem: Divulgação)

Visuais e Sons

Visualmente, Black Legend é um caso misto. Os gráficos são simples, e não tem nada que tenha me chamado a atenção. A atmosfera é boa e bem feita, os cenários demonstram a tristeza e desesperança da cidade e martelam bem o tema de abandono e destruição que permeia o título. Uma pena que texturas demorem a carregar e os loadings sejam grandes, porque quebram facilmente essa dinâmica.

Os sons não são nada de mais. As vozes têm um range interessante de aceitável até estranho, e as músicas e sons de combate passam a temática de desolação vitoriana. Fazem o que se prestam a fazer, mas não há nada que tenha me prendido na mente ou me passado alguma emoção forte.

Os modelos de personagem também são relativamente simples, o que me faz indagar ainda mais porque o jogo demora tanto em algumas telas de carregamento e teve tantos problemas de texturas. Talvez tenha sido apenas mais um dos meus longos casos de má sorte com Black Legend.

Black Legend
Imagens de dor e sofrimento. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena comprar Black Legend?

Eu realmente queria gostar de Black Legend. Os visuais vitorianos e o tema deprimente me chamaram a atenção, e o estilo de combate estratégico em turnos realmente me animaram. Existe uma base forte aqui, mas problemas com bugs e um senso geral de falta de polimento em certas áreas, algumas essenciais como o próprio combate, realmente mataram um tanto da minha apreciação pelo tempo de jogo.

Black Legend possui certa rejogabilidade por ter 16 classes com combinações diferentes, missões paralelas para se descobrir e aventurar e um sistema de dificuldade customizável com várias opções para montar sua experiência.

Provavelmente, com eventuais correções de bugs, Black Legend vai se tornar um título na média e divertido para os fãs do gênero e do estilo de jogo. Mas, nesse momento no tempo e espaço, não creio que seja tanto. Portanto, se curtir temas vitorianos de névoa e combate tático e for uma pessoa compreensiva, vale a pena experimentar. Se não for o caso, infelizmente, não recomendo.

Black Legend foi lançado em março deste ano e está disponível para PC, via Steam, Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One. O game é compatível com os consoles da nova geração, mas não possuí nenhum tipo de localização em português.

*Review elaborada em um PC equipado com AMD RX, com código fornecido pela Warcave.

Pizza Fria

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Por Matheus Jenevain, Pizza Fria

Atualizado em 11 Set 2021.