Guia da Semana

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Após passar por duas versões prévias, Humankind, jogo de estratégia 4X (eXplorar, eXpandir, eXtrair, eXterminar) em turnos distribuído pela SEGA e desenvolvido pela Amplitude Studios, finalmente está disponível para PC e Mac, via Steam, Epic Games Store e Xbox Game Pass. Superficialmente comparado com a série Sid Meier’s Civilization, o título apresenta, dentre várias diferenças, a possibilidade em mesclar diferentes características de povos em um povo conduzido e criado sob medida.

Ao longo de muitos turnos, a nação mais avançada se sagra a vencedora, embora o jogador possa seguir além e continuar a sua própria história. Sem mais delongas, se prepare para saber os os principais pontos do game, e responder logo de cara uma questão muito lida nos últimos dias: será que é realmente um Civilization repaginado? Confira esse e outros pontos importantes em mais uma análise do PizzaFria!

Antes de mais nada: Humankind é um Civilization repaginado?

Humankind é um jogo de estratégia 4X e realmente, à primeira vista, aparenta-se muito com os jogos da franquia Civilization. Porém, o jogo possui abordagens distintas em sua jogabilidade. Tudo bem que o título não inventou a roda, e também temos que executar todo o papel de um líder, ao guiar um povo ao longo da história, onde iniciamos na Era Neolítica, controlando uma uma tribo de nômades e evoluindo gradativamente ao longo das eras. Tal como o “jogo ali do lado” temos como que nos estabelecer e expandir, mas não de forma descontrolada. Há uma limitação de número de cidades que podem ser construídas. Portanto, pense bastante e use também os Postos Avançados para demarcar territórios.

Ao longo de cada era, você deverá escolher uma cultura dentre as várias oferecidas pelo jogo ou seguir na que você já escolheu previamente. Por exemplo, você poderá escolher inicialmente a cultura babilônica e, ao avançar de era, pode seguir o caminho dos ingleses, tendo cada uma dessas escolhas impactos diretos na jogabilidade. Humankind apresenta mais de 60 culturas diferentes em 7 eras: Era Neolítica, Era Antiga, Era Clássica, Era Medieval, Início da Era Moderna, Era Industrial e, por fim, a Era Contemporânea, que conta com o povo brasileiro.

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Humankind traz como um dos diferenciais a possibilidade de se escolher várias culturas ao longo das eras. (Imagem: Divulgação)

Esse aspecto por si só mostra que Humankind é diferente. De fato, muitas coisas se assimilam, mas são características essenciais em jogos 4X. Cultura, guerra, ciência e religião, por exemplo, estão presentes no game, onde você poderá escolher em ser versátil entre esses aspectos ou apenas focar em algo mais específico. Por exemplo, eliminar na força todos os seus inimigos ao longo de 300 turnos que podem demorar longas horas. Tudo vai depender do seu estilo. As batalhas são interessantes e podem ser controladas manualmente, possibilitando a elaboração de táticas, com vantagens que o modo automático em alguns momentos deixa passar batido.

Vale ressaltar também um outro aspecto bem diferente apresentado logo no início de Humankind: o jogo permite que você crie seu próprio avatar, customizando detalhes como rosto, tom de pele, gênero, vestimentas e muito mais. Ou seja, você pode ser um líder original, algo que também é um diferencial ante a franquia Civilization, que se resume a escolher um determinado líder, que está diretamente ligado a sua nação. Sendo assim, a cada partida, você pode mudar todo o curso das suas escolhas, nunca sendo o mesmo avatar e escolhendo culturas diferentes para avançar ao longo das eras.

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O avatar vai mudando de vestimenta ao longo das escolhas de povos. (Imagem: Divulgação)

Cada escolha, uma consequência

Ao longo do jogo, uma série de acontecimentos serão apresentados ao jogador, que deverá escolher dentre algumas opções (geralmente três) que afetarão em menor ou maior grau no decorrer da partida. Muitas dessas escolhas são morais, e isso nos coloca em cheque, mesmo sendo apenas um jogo. Em um dos inúmeros cenários apresentados, você terá de lidar com uma enchente. As opções que o jogo dá vão de “construir um dique” ou até mesmo “deixar a vontade das divindades acontecer”. Há nessas escolhas apresentadas questões morais que influenciam na jogabilidade, um ponto bem rico e que reforça o poder do jogador ante seu povo.

Em um outro evento, tive de escolher entre fazer ou não o famigerado “lockdown” em uma cidade infectada por alguma praga. Mas uma boa ação nem sempre pode ser tão simples ou barata, embora possam ser essenciais de uma perspectiva moral (e lógica). Essas escolhas são desafio a mais ao curso do jogo, pois elas nos colocam diante de uma variedade situações, onde tudo tem um impacto. Inclusive, alguns deles podem até desaguar em outros eventos positivos ou negativos. Portanto, tenha cuidado e procure analisar cada um dos problemas do seu povo. Ele precisa de você!

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As batalhas são bem interessantes e transformam totalmente o jogo. (Imagem: Divulgação)

“Ideologia, eu quero uma pra viver”

Em Humankind, há também os Cívicos, que são opções que representam questões sociais nas quais o jogador pode posicionar seu governo ao fazer uma escolha entre proposições e, assim, forjar o caráter e a ideologia de sua nação. Cada Cívico apresentado tem apenas duas opções de escolha e ambas correspondem a uma resposta possível à questão levantada. Eles são divididos em Governo, Justiça, Exército, Religião, Cultura, Economia e Sociedade. Todos eles podem ser trocados por pontos de influência, não só demarcando a questão ideológica, mas também dando bônus variados. Sobre as ideologias, você tem quatro eixos, onde os extremos são:

  • Eixo Econômico:
    • Coletivismo
    • Individualismo
  • Eixo Geopolítico:
    • Pátria
    • Mundo
  • Eixo Governamental:
    • Liberdade
    • Autoridade
  • Eixo Social:
    • Tradição
    • Progresso
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Direito Natural ou Mandato Divino? Escolha um dos mitos de fundação e veja para qual lado dos eixos você irá. (Imagem: Divulgação)

Desta maneira, cada escolha feita em Humankind é relevante para demarcar seus posicionamentos e, assim, colocar sua nação próxima ou distante das outras, algo muito comum na vida real. Você poderá fazer amigos ou inimigos por conta dessas escolhas. E tudo isso muda completamente a jogabilidade, sendo mais uma variável interessantíssima a ser explorada. Todos esses eixos podem ser consultados no menu. Assim, você terá o controle de como está agindo, sendo essa uma espécie de ” bússola moral”.

Como dito acima, percebe-se então que a questão da diplomacia também está inserida no contexto de Humankind. Aliás, este é um aspecto essencial do título. No entanto, não pense que é fácil lidar com diferentes povos de diferentes ideologias. Eu infelizmente sempre dou o azar de cair do lado de líderes que tem por prazer a guerra. Isso até pode ser contornado se você der o braço a torcer, o que não é meu caso. Porém, mesmo em relações tensas, você pode tentar negociar riquezas e itens que podem lhe gerar mais renda, bônus e outros aspectos. Portanto tudo pode ser negociado (ou comprado mesmo).

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O diálogo é uma arma importante em Humankind. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena comprar Humankind?

Ao jogar a versão Lucy OpenDev de Humankind, fiquei com um gostinho de quero mais. E, ao jogar a versão final, tive a certeza de que o jogo é divertido e, mesmo não inventando a roda, é diferenciado. Sua jogabilidade, ainda que não seja lá tão simples nos primeiros turnos, realmente chega a lembrar um pouco a franquia Civilization, sobretudo no formato do jogo, mas as diferenças vão surgindo a cada escolha ou novidade apresentada. Os Cívicos e os acontecimentos que você deve encarar ao longo dos turnos trazem um “algo a mais” incrível, complementando o gênero e nos colocando ainda mais no papel de líder.

Essa possibilidade de interagir com diversos eventos aleatórios e, ainda por cima, ter de lidar com outros povos aumenta ainda mais o desafio do jogo e, certamente não será tarefa muito fácil para os jogadores mais novatos. Mas fiquem tranquilos que o jogo deixa tudo muito bem explicado e quando você menos esperar, já vai saber tudo. Outro ponto que vale ressaltar é que o jogo toma um bom tempo: um único turno pode durar facilmente 10 minutos ou mais. Tudo vai depender de como você organiza a sua nação, suas unidades militares, tratados diplomáticos, a produção das cidades, construções e muito mais.

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Humankind apresenta gráficos e sons maravilhosos para o gênero. (Imagem: Divulgação)

Os gráficos de Humankind, que não são lá o ponto principal, são muito bonitos e coloridos, trazendo exatamente o que o gênero precisa, sem inventar muito. Já a questão do áudio, embora o jogo não seja dublado para a nossa língua, apresenta uma narração em inglês bem interessante. Caso você entenda, perceberá que o narrador falará algumas coisas engraçadas ao longo da partida. Além disso, os efeitos sonoros e a música não se tornam enjoativas em longos períodos de jogo. Por fim, é interessante de se observar que ao longo de muitas horas de jogo, não tive problemas com travamentos ou bugs, algo que compensa o atraso ocorrido no lançamento, previsto inicialmente para abril.

Concluindo, Humankind veio para acrescentar mais coisas ao gênero 4X, sendo uma experiência enriquecedora e divertida que pode ser expandida para o modo multiplayer, que deve tornar as coisas muito mais interessantes. Para os fãs do gênero e até mesmo os curiosos, o game pode entregar centenas de horas de diversão e muita estratégia, sendo uma opção muito atrativa e desafiadora. Tudo (ou quase tudo) está em suas mãos!

*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela SEGA.

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Por Álvaro Saluan, Pizza Fria

Atualizado em 24 Ago 2021.