Guia da Semana
Literatura
Por Redação Guia da Semana

Os palcos e livros de Chico

Compositor de pérolas da MPB, Chico Buarque revela seu lado escritor.

Por Humberto Baraldi


Divulgação

Além dos dotes musicais, Chico Buarque empenha-se no mundo teatral e também na literatura. Talvez, um dos seus maiores sucessos foi o livro Budapeste. O romance é baseado na história de um ghost-writer, um profissional que escreve o que outras pessoas assinam. Com o nome de José Costa, no Rio, e Zsoze Kósta, em Budapeste, dois homens que são um só trazem à tona alguns conflitos do cotidiano e traduzem a capacidade artística de Buarque.

O dom de Chico pela escrita surgiu em 1965. A pedido de Roberto Freire, diretor do TUCA, o artista musicou o poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, para a montagem da peça. Desde então, sua presença no teatro brasileiro tem sido constante.

Em 1967, veio a peça Roda viva, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, com Marieta Severo (ex-mulher de Chico), Heleno Pests e Antônio Pedro nos papéis principais. O espetáculo foi um sucesso, mas a obra virou um símbolo da resistência contra a ditadura, durante a temporada da segunda montagem, com Marília Pêra e Rodrigo Santiago. Um grupo do Comando de Caça aos Comunistas invadiu o teatro Galpão, em São Paulo, e espancou artistas e depredou o cenário.

Calabar: o Elogio da Traição, foi escrita em 1973, em parceria com o cineasta Ruy Guerra e dirigida por Fernando Peixoto. A peça relembra a posição de Domingos Fernandes Calabar no episódio histórico em que ele preferiu tomar partido ao lado dos holandeses contra a coroa portuguesa. Apesar de todo o investimento, a peça foi censurada pela ditadura militar.

Dois anos depois deste episódio veio Gota d´água. A tragédia urbana, em forma de poema, tem como pano de fundo as situções sofridas pelos moradores de um conjunto habitacional. A primeira montagem teve Bibi Ferreira no papel principal e a direção de Gianni Ratto.

Baseado nos textos Ópera dos mendigos (1728), de John Gay, e Ópera de três vinténs (1928), de Bertolt Brecht e Kurt Weill, Ópera de Malandro, de Chico Buarque, partiu de uma análise dessas duas peças e contou com a colaboração de Maurício Sette, Marieta Severo, Rita Murtinho e Carlos Gregório.

Do mundo teatral para a literatura, Chico Buarque publicou seu primeiro livro em 1966. A obra trazia os manuscritos das primeiras composições e o conto Ulisses, e ainda uma crônica de Carlos Drummond de Andrade sobre A Banda. Em 1974, escreveu a novela pecuária Fazenda modelo e, em 1979, Chapeuzinho Amarelo, um livro-poema para crianças. A bordo do Rui Barbosa foi escrito em 1963 ou 1964 e publicado em 1981. Em 1991, o autor/cantor publicou o romance Estorvo e, quatro anos depois, escreveu Benjamim. Em 2003, o romance Budapeste surge e ganha o Prêmio Jabuti. No total, seus livros já venderam mais de 500 mil exemplares, somente no Brasil.

Atualizado em 6 Set 2011.

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