Guia da Semana
Restaurantes
Por Leonardo Filomeno

10 cachaças artesanais

Confira a lista que o sommelier Leandro Batista, do Restaurante e Cachaçaria Mocotó, montou para você conhecer melhor a bebida 100% brasileira.

Cachaça Jacuba (Nathalia Clark/APH )

Havana
Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica: 47%
Envelhecimento: de 8 a 10 anos em bálsamo

Transformou-se em mito, principalmente por uma questão judicial que a fez perder o nome e ser rebatizada como Anísio Santiago. A decisão foi anulada, mas o status da bebida persiste. Alguns boatos afirmam que o dono do alambique, Seu Anísio, não usava dinheiro quando precisava e pagava os empregados ou mesmo as compras na feira com garrafas de sua cachaça. Foi uma das primeiras a ir para a carta de bebida de um restaurante com o mesmo preço de uísque.

Opinião do Especialista: "Das cachaças envelhecidas em bálsamo, ela é a melhor. Essa madeira tem como característica uma cor esverdeada e o paladar que lembra o anis. Em muitos rankings, ela fica em primeiro lugar pelo sabor diferenciado. A produção é pequena - 10 a 15 mil litros por ano -, o que acaba encarecendo o valor de venda. Conheço uma garrafa no Mercadão de São Paulo que é de 1960 e custa R$ 25 mil", afirma.

Weber Haus
Procedência: Ivoti, RS
Graduação alcoólica: 38%
Envelhecimento: um ano em umburano

Produzida por descendentes de alemães há quase seis décadas, no início atendia a família e aos amigos próximos, mas a qualidade da bebida levou a bebida fez com que ela ganhasse apreciadores fiéis no Brasil e no exterior.

Opinião do Especialista: "Fui convidado para promover uma degustação com cachaça envelhecida em madeira nativa e o pessoal dessa cachaça pediu para conhecer esse lançamento. Foi um sucesso, e eu cheguei a comprar sete caixas, quinzenalmente, um volume muito grande para consumo pura. O gosto é bem amadeirado e doce, que lembra canela. Para quem não conhece cachaça, ela é ótima, porque não queima e não é muito alcoólica", ressalta.

Rainha do Norte De Minas
Procedência: Montes Claros/ MG
Graduação alcoólica: 42%
Envelhecimento: dois anos em umburana

Feita de artesanalmente e envelhecida em dornas de umburana, a madeira confere uma cor final dourada e cristalina, com aroma e sabor inconfundíveis.

Opinião do Especialista: "Gosto dela por ter essa característica do norte de Minas, de ser bem alcoólica, mas não desce queimando", conclui.

Jacuba
Procedência: Coronel Xavier Chaves, MG
Graduação alcoólica: 40%
Envelhecimento: descanso seis meses em tonéis de inox

Bebida pura, não envelhece em tonéis de madeira, passando apenas por um processo de descanso de seis meses em dornas de inox. A cidade em que ela é produzida tem o alambique de cerca de 250 anos, o mais antigo do Brasil, ainda em funcionamento.


Opinião do Especialista: "A gente usa a bebida para fazer o nosso licor de cachaça, que tem essa bebida como base e fazemos uma infusão com licor de baunilha francesa. Normalmente é servida no final da refeição, por ter um gostinho adocicado", atesta.

Mato Dentro
Procedência: São Luiz do Paraitinga, SP
Graduação alcoólica: 42%
Envelhecimento: seis meses em amendoim

A produção era em um pequeno sítio nas proximidades de Paraitinga, na beira da via que liga Taubaté a Ubatuba. Com distribuição limitada, criou fama entre os viajantes que passavam pela região a caminho do litoral.

Opinião do Especialista: "Seis meses armazenada em amendoim, uma madeira neutra que não solta muita coloração e não perde a característica do aroma de cana. Lembra rapadura e melado. Particularmente, gosto só de cachaça branca com essas características", admite.

Volúpia
Procedência: Lagoa Verde, PB
Graduação alcoólica: 42%
Envelhecimento: descanso um ano em freijó

A bebida fabricada no brejo da Paraíba tem o sabor forte e bastante pronunciado. O descanso é feito em uma madeira tipicamente nordestina.

Opinião do Especialista: "O freijó não solta coloração, explicando a cor branca da bebida. Ano passado, a cachaça alcançou o primeiro lugar no ranking da revista Veja", recorda.

João Mendes
Procedência: Perdões, MG
Graduação alcoólica: 38%
Envelhecimento: descansa seis meses em aço inox

Fabricada pela família João Mendes há mais de 20 anos, e segue os padrões de qualidade de uma autêntica cachaça mineira. O plantio da cana é feito em parceria com a Universidade Federal de Lavras, um dos maiores centros agrários do país.

Opinião do Especialista: "Depois da destilação, ela só descansa em aço inox para depois ser padronizada e engarrafada. É indicada para fazer caipirinha, porque tem o aroma da cana bem puro e intenso", explica.

Vale Verde 12 anos
Procedência: Metalúrgica, MG
Graduação alcoólica: 40%
Envelhecimento: 12 anos em tonéis de carvalho

A marca foi eleita pelos especialistas da revista Playboy a cachaça número 1 em 2008, e a número 2 em 2009. Essa edição especial chega a custar R$ 450.

Opinião do Especialista: "Antes de virem para o Brasil, os barris foram utilizados para envelhecer uísque, pegando um pouco as características do malte da outra bebida. Essa dá pra confiar que fica 12 anos, porque o Ministério da Agricultura lacra os tonéis e só abre no tempo determinado", destaca.

Serra das Almas Ouro
Procedência: Chapada Diamantina, BA
Graduação alcoólica: 40%
Envelhecimento: três anos em tonéis de garapeira

A primeira cachaça a ter selo orgânico, em 2002. O selo é oferecido para quem não usa vermicida no canavial e aduba a terra com o próprio bagaço da cana. A fazenda produz outros produtos orgânicos e orienta as famílias da região através de cursos e palestras a aderir a esta ideia.

Opinião do Especialista: "A cachaça ecologicamente correta é envelhecida em madeira de garapeira, ganha um aroma frutado e desce macia", reforça.

Weber Haus Ouro Reserva Especial
Procedência: Ivoti, RS
Graduação alcoólica: 38%
Envelhecimento: seis anos em carvalho e um em bálsamo

Esta bebida Reserva Especial foi destilada em 1998 e recebeu a denominação de Lote 48 para comemorar os 55 anos da cachaçaria.

Opinião do Especialista: "É um blend envelhecido de seis anos, em madeira de carvalho e bálsamo. Tem a coloração escura e um toque do bálsamo que deixa esverdeado", encerra.

Para comprar uma boa cachaça
- Caso não possa degustar, o importante é ver o rótulo, com a distribuição e graduação alcoólica. Se a garrafa apresentar indícios de sujeira, descarte a marca;

- Chacoalhe a garrafa e veja se demora para aparecer uma espuma como um rosário. Se isso ocorrer, a cachaça tem impureza, ou seja, é de má qualidade;

- Para tomar gelada, coloque a bebida envelhecida no freezer, ela ficará mais licorosa. As pedras de gelo disfarçam as propriedades da bebida;

- As pingas de qualidade não descem queimando nem têm gosto adstringente (semelhante ao de banana verde);

- Para não misturar o aroma de outros elementos, como a madeira, para a caipirinha, a cachaça ideal é a branca e descansada

- Sempre opte pela cachaça artesanal e evite cachaças adoçadas ou estandartizadas.

Por Leonardo Filomeno

Atualizado em 10 Abr 2012.

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