Guia da Semana

A outra ponta do Brasil

A culinária do norte brasileiro oferece muitas receitas e ingredientes a serem explorados.

Ilustração: Patrícia Moll Novaes

Já faz um bom tempo que ir para o norte do Brasil está no topo da minha lista de viagens. Conhecer a região da Amazônia é um dos sonhos que ainda não consegui realizar e, coincidentemente, os meus amigos que foram recentemente para lá, voltaram com algum presentinho na mala para mim!
 
Primeiro foi um amigo que voltou de Belém e me trouxe um saco de feijão manteiguinha de Santarém! Um feijão bem miudinho, clarinho, do qual eu nunca tinha ouvido falar. Fiquei super feliz e fui pesquisar alguma receita bacana. Descobri que ele é cultivado na vazante. Em todos os livros, a unanimidade recomendada era sempre a saladinha temperada com tomate, cebola e salsa! Dei uma "roubadinha" e coloquei bastante coentro também. Ficou incrível! Uma mistura do delicado feijão com o sabor ácido e forte do molho vinagrete.
 
Logo depois, uma amiga me ligou dizendo que tinha trazido diretamente do Mercado Ver-o-Peso, em Belém, um presente que explodiria se balançasse. Fiquei quebrando a cabeça para saber o que era, mas não conseguia imaginar nada. Uma pimenta? Alguma bebida alcoolica? Até que ela me revelou: uma garrafa de tucupi, aquele caldo amarelo extraído da raiz da mandioca brava, venenoso, que precisa ser cozido por horas até que fique próprio para ser utilizado na cozinha. Ela me disse que eles usam este caldo para temperar tudo e que mandioca elimina um gás de fermentação que pode realmente explodir.
 
Aí outra amiga me avisa para buscar o "mico" que tinha me trazido ilegalmente da Amazônia. Mas era para ir logo, pois o presente estava vivo e tinha sido muito difícil trazê-lo no avião. Lá estava o meu cupuaçu embrulhado com um laço de fita, lindo, e vivinho! Eu não imaginava nem o tamanho que esta fruta tinha e nem qual era a sua cor (ele é imenso, pode chegar a 25 centímetros de comprimento e é marrom).

O cupuaçu é originário da Amazônia brasileira e é alimento dos povos indígenas da região. Geralmente, a população não o consome fresco, mas em sucos, geleias, sorvetes, doces, chocolates e bombons. Na cidade que minha amiga ficou, ela disse que as pessoas fazem "chupinho" de cupuaçu, aquele gelinho com sabor que a gente adorava tomar quando era criança. Eu provei um bago puro, mas achei muito azedo. Aventurei-me num suco e aprovei. Mas recebi uma receita maravilhosa de pavê de cupuaçu e descobri um creme de tapioca com cupuaçu que me deixou na dúvida de qual preparar primeiro!
 
Na semana passada um amigo me disse que estava indo para Manaus. Resolvi pedir um presente para ele. Acho que estou começando a gostar dessa brincadeira....

Leia as colunas anteriores de Patrícia Moll Novaes

Frutas inesquecíveis da Bahia

Injustiçado

Farinha: da mesa às melodias


Quem é a colunista: Patrícia Moll Novaes

O que faz: Jornalista e assessora de imprensa de gastronomia

Pecado gastronômico: Café da Manhã

Melhor lugar do Brasil: Rio e Recife pela vida cultural, Trancoso pela tranqüilidade e Jericocoara pela beleza.

Fale com ela: patriciamoll@uol.com.br

Atualizado em 7 Ago 2012.

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