Guia da Semana

À Seca

Nova Lei reduz acidentes de carro e movimento nos restaurantes.

Foto: Gabriel Oliveira/ Guia da Semana
Encalhou: Garrafas e engradados armazenados no estoque

" (...) Será apenas questão de tempo para que as noites das grandes cidades, antes alegres e movimentadas, pareçam cemitérios, de tão vazias, e ocupadas por policiais, lembrando tempos da ditadura. Mais alguns meses e seguiremos para uma hecatombe social, com milhares de desempregados e milhares de negócios fechados, causando desemprego".

Esta previsão de "semi-calamidade-pública" é da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) para os próximos meses com o cumprimento da Lei Seca. O decreto, assinado em 19 de junho, pelo presidente Lula, colocou água no chope daqueles que freqüentam restaurantes.

A Lei 11.715 (número de batismo) gerou mais do que reclamações de comensais. Por detrás da nova determinação está em xeque o emprego de profissionais ligados à gastronomia. Segundo Percival Maricato, diretor jurídico da Abrasel, nem é preciso dados e estatísticas. "Em breve, empresários e funcionários terão de correr atrás de alguma outra coisa para sobreviver", alerta. Ainda na tentativa de curar a ressaca causada pela nova regra, a Associação move no Supremo uma ação de inconstitucionalidade contra a Lei. Enquanto o resultado não sai, "estamos aconselhando os proprietários de restaurantes a não demitir funcionários".

Apesar da recomendação, tem dono de restaurante perdendo a fome de junho para cá. Há 21 anos no ramo, Sérgio Arno, chef e empresário, dono do La Vecchia Cucina, até concorda com a proposta (reduzir o número de acidentes automobilísticos), mas afirma que "não é correto transformar a bebida social em bebida criminal". O movimento em sua casa já vem dando sinais de queda. Só na carta de bebidas, onde os restaurantes, muitas vezes, faturam mais do que nos pratos, a redução foi de 40% nesses primeiros meses. Para tentar driblar a Lei, o local agora tem serviço de "hora marcada". Um automóvel vai à casa do cliente, o traz e, depois, o devolve ao ponto de partida.

Outro templo da gastronomia paulistana, o Antiquarius, ainda não sentiu no caixa os efeitos da falta de álcool à mesa dos clientes. Diz Damião Teixeira, gerente da casa, e que também concorda com a Lei, "que o restaurante ainda não tem nada conclusivo se o movimento caiu ou não, pois a Lei começou em um período de férias". Mesmo assim, já oferece convênio com frota de táxi.


Uma coisa leva a outra
Se a Lei pode, por um lado, causar fechamentos e desemprego no setor de restaurantes, na outra ponta da mesa tem gente sorrindo de boca cheia. Alguns setores estão brindando o "boom" no aumento das vendas de seus produtos.

Até 18 de junho, feijoada combinava com caipirinha ou cerveja. Agora só com as sem álcool. De acordo com a Femsa Brasil, em matéria publicada pelo diário Valor Econômico, as vendas das loiras sóbrias subiram espantosos 69,5% só no primeiro mês. E isso sem um centavo gasto em publicidade.

Montagem: Fernando Kazuo/ Guia da Semana

Até mesmo outros setores que, imaginava-se, permaneceriam alheios à questão, como a indústria de café, também esperam colher bons frutos. Além da moda gourmet, casas especializadas acreditam em uma corrida dos estabelecimentos em busca de alternativas. Assim, prevê com ansiedade Celso Vegro, ligado à Agência Paulista de Abastecimento de S.P, "haverá profissionalização do serviço de café, com a introdução do tipo expresso, e a especialização do barista na execução do preparo da bebida". Seguindo essa linha de raciocínio, até prestação de serviço, como estacionamento e táxis, deve pegar carona na fase à seca da gastronomia brasileira.

Jeitinho brasileiro
Quando o assunto é criatividade, ninguém bate o nosso povo. Para não perder uma clientela fiel, restou aos restaurantes desenvolverem alternativas à nova realidade.

Começaram cedendo seus estacionamentos para que o carro do cliente pernoitasse por lá mesmo. Dependendo do estado do motorista, com ele dentro. Depois vieram os convênios com frotas de táxis, que permitem a quem passar do ponto ser levado para casa por um valor mais em conta.

Mas algumas casas foram além do trivial. Já não é preciso nem mesmo assoviar ao homem do carro branco. O Beldí tem veículo com motorista para deixar o cliente na porta de casa. E se ele estiver motorizado, pode ser levado em seu carro.

O espanhol Molinos deu um olé na Lei com seu novo serviço, o Home Food Service (serviço de comida em casa). Se o cliente não vai ao restaurante, o restaurante vai até o cliente. O local prepara toda a refeição na casa da pessoa, fornecendo, inclusive, fogões, garçons e até o chef de cozinha.

E para quem não está, literalmente, nem aí para a situação, o Felix Bistrô disponibiliza minibar dentro do veículo que irá buscar o freguês. Lá, a garrafa do espumante Chandon sai a R$ 36,00. Bem mais em conta do que os R$ 955,00 da multa.

Mas não dirija

La Vecchia Cucina - Rua Pedroso Alvarenga, 1088 - Itaim

Antiquarius - Alameda Lorena, 1884 - Jardins

Beldí - Rua Jorge Coelho, 162 - Itaim

Los Molinos - Rua Vasconcelos Drumond, 526 - Ipiranga

Felix Bistrô - Rua José Félix de Oliveira, 555 - Granja Viana

Atualizado em 7 Ago 2012.

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