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Restaurantes
Por Redação Guia da Semana

Chique, sim!

Quem disse que churrasco é evento de fundo de qualquer quintal? Quintais de cobertura e de mansões também têm recebido esse evento que de popular, não tem mais nada.

Por Viviane Aguiar


Divulgação
Evento fino: acredite, esse é o cenário de um churrascão by Flávia Gurgel

Até pouco tempo atrás, fazer um bom churrasco significava assar uma picanha no quintal e servir suas fatias para os convidados se lambuzarem com as mãos. Elas não vinham sozinhas, claro. Eram acompanhados por aquela farta maionese de mãe - com direito a ovo picado e queijo ralado salpicado por cima -, pelo arroz um tantinho papa de avó, pela insubstituível farofa de tia e, como não poderia deixar de ser, pela caipirinha mais doce que alcoólica do cunhado.

Esse evento assim, desse jeitinho, se ainda existe em algum lugar, pode estar com os dias contados. Não que o churrasco de família vá acabar. Mas com certeza ele vai ficar um pouco diferente quando a moda do churrasco chique pegar em todos os cantos do país. A banqueteira paulistana Flávia Gurgel é uma das responsáveis por essa tendência. No ano passado, ela se especializou na organização de churrascos finos, que têm direito a carnes nobres, como cordeiro e vitela, decoração de evento requintado, tendas, bares temáticos, toalhas e guardanapos de pano, arranjos, prosecco e até lembrancinhas para os convivas.

Divulgação
Buffet de um churrasco
"Ninguém tem saco para preparar a churrasqueira, organizar as coisas. Cada vez mais, as pessoas querem uma organizadora para cuidar de tudo isso. Percebi essa necessidade e o negócio está dando certo", diz ela, que cobra, em média, R$ 2.500,00 para apenas produzir um churrasco - sem contar os custos adicionais com a comida, decoração e serviço, claro. Contratada para aniversários, bodas e confraternizações em geral, Flávia dispensa a farofa e a maionese, mas acredita que o evento não deixa de ter aquele ar descontraído do churrascão popular. "Em uma festa formal, as pessoas estão mais preocupadas com o visual. Só o tema ´churrasco´ já remete à algo mais light. As pessoas vão mais descontraídas, de calça jeans, sem cabelo pronto. Mas também não chegam a usar rasteirinha, né?", brinca.

Com acompanhamentos mais elaborados - como feijão tropeiro e arroz carreteiro - e bebidas mais variadas - como vinho, prosecco e, obrigatoriamente, caipirinha -, o evento deixa o som de CD de lado e inclui DJs ou bandas de MPB e samba. "Na capital, as pessoas querem mais um violão e voz e o som de música brasileira. Samba mesmo é pedido mais no litoral", explica a banqueteira, que transforma a boa e velha reunião de família em volta da carne assada em um verdadeiro e fino lounge. "O evento tem tanta coisa que o churrasco mesmo acaba sendo um coadjuvante nisso. Tem gente que nem percebe que é churrasco", conclui.

Churrasco chique

Por Flávia Gurgel, banqueteira

  • TEM QUE TER
    Convite: e deve ser bem feito e enviado pelo correio com algumas semanas de antecedência. É importante descrever que é um churrasco, para que as pessoas saibam que os trajes são mais descontraídos.

    Bebidas: vinho branco e prosecco (para a entrada), vinho tinto, cervejas, caipirinha, drinks ao gosto do cliente.

    Acompanhamentos: saladas, arroz incrementado, batata bem feita, feijão diferente (como o tropeiro) e, principalmente, molhos para as carnes, como o de hortelã ou champignon. Ah, tudo servido em recipientes de inox e as carnes no réchaud, por favor.

    Decoração: clean, com toalhas e guardanapos de pano e arranjos leves que combinem com o ambiente. É interessante também fazer algumas tendas. Não esqueça dos talheres e dos pratos de porcelana nas mesas.

    Música: DJs comandando um lounge, techno leve; banquinho e violão com cantores de música popular brasileira; grupos de samba.

    Lembrancinhas: pode ser uma caixinha de bem-casados, de porcelana, uma vela ou um pão de mel em miniatura.

  • NÃO PODE TER
    Comidas populares: vinagrete, maionese e farofa, jamais.
    Só cerveja: tem que ter bebidas variadas e um bom prosecco não pode faltar.
    Plástico: mesa ou cadeira de plástico, nem pensar.
    Som: ficar sem música, é imperdoável. Música de CD com aparelho de som visível, também.
    Mãos: comer as carnes com as mãos é a maior gafe de um churrasco.


  • Divulgação
    Sanduíche de picanha
    com churrasco do D´Múcios
    Glamourização?
    O churrasco não ficou chique apenas porque agora é motivo para festa em coberturas. Uma sanduicheria em São Paulo também o trouxe para o recheio de lanches refinados, que levam a assinatura da chef Ana Soares. "Uni minhas duas paixões: o churrasco e a vontade de abrir uma lanchonete", diz Múcio Mattos, proprietário do D´Múcios. A paixão é tão grande que ele construiu uma churrasqueira de nada menos que cinco metros e meio no salão. "Demos um toque de arte ao churrasco", diz ele, que oferece em seu cardápio sanduíche de picanha com shitake ou filé mignon à cavalo.

    Para Múcio, essa "glamourização" da tradição popular é bem positiva, pois traz as carnes brasileiras novamente para o centro da mesa. "Depois de ser algo caseiro, o churrasco virou coisa de rodízio, mas perdeu espaço para os frutos do mar, saladas e até comida japonesa que existem naqueles buffets gigantes. Hoje, quem quer comer carne mesmo vai para uma parrilla (casa de carnes argentina) ou para os restaurantes tradicionais, do tipo Rubaiyat. Essa tendência pode trazer de volta para o brasileiro as boas carnes", explica.

    István Wessel, dono de uma das maiores empresas de carnes do país e autor de diversos livros sobre churrasco, acredita que essa tendência é apenas uma evolução do paladar. Se antes o tradicional era pedir uma carne bem passada, por exemplo, hoje pede-se em fatias grossas, no ponto ou mal passada e com acompanhamentos menos competitivos: tudo para que o gosto seja realçado e realmente apreciado. "O churrasco virou um evento porque as pessoas gostam. Não é o brasileiro que gosta, são as pessoas de qualquer lugar do mundo. Leva um francês para uma churrascaria daqui. Ele vai adorar", diz István.

    E a carne nacional, que é a mais exportada em todo o mundo, não deixa a desejar. Produzida a partir da alimentação dos animais em pastos, ela faz qualquer churrasco virar celebração. "Churrasco de verdade é aquele que você gosta. Cada pessoa tem seu churrasco de verdade. Eu, por exemplo, não gosto de muita variedade de carne: para mim, basta uma costelinha de porco, dois tipos de bovina, e um cordeiro", opina.

    O verdadeiro churrasco

    Já que cada um tem seu jeito preferido de fazer um bom churrasco, István Wessel dá algumas dicas infalíveis para qualquer um deles

    Rômulo Fialdini / Divulgação Wessel
  • A picanha nunca pode faltar em um churrasco, chique ou não.
  • Na hora de escolher a carne, procure a maturada, que é mais macia. Dê preferência às que têm pouca gordura também.
  • Salgue a carne só na hora de levar para a brasa. Use sal grosso e pimenta-do-reino moída na hora para temperar.
  • Quando cortar para servir, tome cuidado de fazer no sentido transversal às fibras. Assim, o corte ficará mais macio.
  • Sirva em pequenas porções com fatias grossas.

  • Sirva-se

    Carnes Wessel
    Av. Brigadeiro Faria Lima, 2383, São Paulo - SP
    Fone: (11) 3032-3310
    www.wessel.com.br

    Flávia Gurgel
    Fone: (11) 5093-5725 / 5041-2604
    www.flaviagurgel.com.br

    D´Múcios
    Rua Juriti, 651, Moema
    Fone: (11) 5052-8333


    Atualizado em 7 Ago 2012.

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