Guia da Semana

Como não tomar vinhos ruins

Nossa colunista de vinhos indaga: por que é tão difícil prestar atenção na bebida que tomamos?.

Foto: www.sxc.hu

É impressionante a falta de percepção que algumas pessoas têm do seu paladar, não se atendo ao sabor dos alimentos e das bebidas. Outro dia me aconteceu uma coisa muito engraçada. Um amigo ia dar uma festa e pediu que eu olhasse a sua adega para escolhermos vinhos. Ele tem muitos que ganha de pacientes, é dentista! Bem, fui antes da festa e separei várias garrafas que certamente não estavam boas. Dá para saber mesmo sem tê-las aberto, como o francês Beaujolais muito antigo, champagne antiga guardada fora das condições adequadas, vinho branco muito amarelado, vinhos de cozinha, destes que custam R$ 3,00 ou R$ 4,00 e são duros de beber... e outros.

Quando cheguei à festa, à noite, vi que as garrafas que eu havia separado estavam todas na mesa, abertas... e as pessoas tomavam?! Provei um ou outro para ver se eu estava errada, mas o gosto estava horrível. Observei as pessoas bebendo como se estivesse tudo certo, sem nenhum comentário. Eu inventei uma dieta e tomei coca-light a noite toda, mas me chamou muito a atenção a falta de percepção das pessoas ao seu paladar. Ora, aquilo não podia estar gostoso, e se alguém parasse para prestar atenção, por 30 segundos, no que estava colocando na boca, certamente perceberia que o gosto era ruim e que não devemos beber uma coisa assim! Se fôssemos mais como os cachorros e cheirássemos a comida, perceberíamos no faro! Por cheirar a comida antes é que os cachorros não põe na boca o que não está bom.

Como conseqüência de casos como esse ouvimos freqüentemente pessoas dizendo que não gostam de vinho tinto ou não suportam um branco. Por terem tido uma experiência negativa generalizam a opinião para uma categoria toda. Ora, vinho é uma bebida diferente das outras por estar envolto em maravilhosas histórias e ter milhares de tipos pelo mundo. Uma mesma uva faz vinho de paladar e características distintas em diferentes lugares do mundo. Como então uma pessoa pode afirmar, por algumas tentativas fracassadas, que "vinho branco" é ruim ou que vinho tinto é "rascanti"... (aliás, não sei porque cismam com essa palavra).

Foto: www.sxc.hu
Outro dia fui apresentada a uma pessoa que, ao saber que eu trabalhava com vinhos, disse que havia provado um Vinho do Porto e não gostou, insinuando que não entendia como eu poderia gostar. Pronto, condenou toda uma categoria! Seria bom darem um crédito aos milhares de produtores de vinho do mundo, de que não estão todos produzindo uma bebida ruim. Claro que existe o gosto de cada um, mas não se pode generalizar uma categoria sem dar chance a outras amostras. Muitas vezes abri vinhos para amigos que não são do meio e ouvi das mulheres, principalmente elas, "eu não gosto de vinho tinto, mas esse eu gostei!" Ao provar um vinho de melhor qualidade logo mudam de opinião. E não estou falando dos vinhos caríssimos, mas dos que se encontram em bons supermercados ou lojas especializadas.

Meu conselho, dê uma chance ao seu paladar experimentando um produto de qualidade e perceba o que está tomando. Não será por mais de 30 segundos, mas sinta o que tem na boca, aí sim pode dizer se gosta ou não. E lembre-se que está falando daquele vinho determinado e não de todos do mundo. Não estrague seu paladar com vinhos baratos, que pela ordem natural das coisas, não são os melhores. Não pense que, por achar que não "entende de vinho", não deve comprar algum de R$ 30,00 ou R$ 40,00. Você merece! A relação preço/qualidade nos vinhos é muito clara. A tendência (é tendência...) é de que os mais caros sejam mais saborosos que mais baratos, por serem feitos com mais cuidados, uvas melhores, entre outros fatores. Com um minuto de atenção ao que se põe na boca pode-se guardar aromas e paladares que agradam e facilmente, assim, definir um verdadeiro gosto pessoal.


Leia a coluna anterior da Denise Cavalcante:
? Que vinho você indica?: nossa colunista tenta responder a dúvida que atazana qualquer entendido em vinhos.


Quem é a colunista: Denise Cavalcante, nascida carioca, mas paulistana por motivos enológicos.
O que faz: é assessora de comunicação de importadoras e produtoras de vinhos.
Pecado gastronômico: vinho... Tento tomar só nos fins de semana, mas não resisto. Abro um vinho até para acompanhar um misto quente, de preferência com mussarela de búfala, azeite, manjericão e tomate caqui... que delícia!
Melhor lugar do Brasil: North Grill, uma deliciosa casa com carne na brasa, serviço nota 10 e paparicação dos garçons - em especial o supermaître Costa. Lá, me sinto em casa.
Fale com ela: denise@denisecavalcante.com.br

Atualizado em 7 Ago 2012.

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