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Restaurantes
Por Redação Guia da Semana

De olhos bem fechados

Degustação no escuro proporciona uma experiência sensorial diferenciada e um novo olhar sobre os alimentos.

Foto: Divulgação


Imagine-se em um jantar em que não é possível ver o que está no prato e nem quem está na mesa ao lado. Além disso, você não sabe o que está sendo servido, mas pode tentar descobrir com as mãos e com o olfato qual é o menu da noite. Essa é a proposta do Ateliê No Escuro Gastronomia, que promove um jantar às escuras, no qual os convidados ficam de olhos vendados na hora da degustação. Concebido pelas psicólogas Elis Feldman e Maria Lyra, o evento faz parte da agenda gastronômica de três restaurantes paulistanos e propõe uma experiência diferenciada para os paladares mais curiosos.

Ao chegar ao local do jantar, o participante aguarda em uma sala separada para não identificar o ambiente onde acontecerá a refeição. Depois de uma conversa, as organizadoras colocam as vendas nos convidados e os conduzem às mesas. Então, começa a viagem dos sentidos. Para que a vivência seja aproveitada com plenitude, as psicólogas dão três orientações: explorar o silêncio, comer com as mãos e descobrir os sentidos como achar melhor. "A ideia é que cada um explore da sua forma a experiência. A gente propõe aos participantes que seja um momento de percepção", diz Elis.

Enquanto as pessoas degustam os alimentos, a equipe estimula os sentidos dos convidados de diversas formas e por meio de várias surpresas sensoriais. Músicas, aromas e poesias fazem parte do repertório lúdico da noite. "Nós vivemos em uma sociedade muito visual, que tem a visão praticamente como um monopólio. Tirar esse sentido proporciona um equilíbrio a todos os outros que não são estimulados. Então, essa vivência é importante para dar energia aos outros sentidos. O jantar é um momento para prestar atenção no alimento, na companhia, no corpo. Com vida corrida, nós nem reparamos no que comemos, ouvimos e sentimos", afirma Maria.

Prazer da degustação

Foto: Divulgação


Para que a experiência seja prazerosa e não provoque nenhuma grande intolerância, os clientes informam anteriormente as restrições alimentares ou os sabores que são desagradáveis ao paladar. "As pessoas não podem comer nada do qual não gostem. Falamos com todos os participantes para saber quais são os alimentos restritivos. Mas também é interessante que eles comam coisas das quais acham que não gostam, mas que depois que comem no escuro passam a gostar. Isso acontece muito com legumes e alimentos que as pessoas têm muito preconceito. Uma das nossas frentes também é quebrar preconceitos e ampliar o vocabulário alimentar", explica Elis.

O menu é composto por entrada, salada, prato quente e sobremesa. O cardápio é elaborado de acordo com o grupo ao qual será oferecido. Durante o jantar, são servidos água e vinhos, sempre harmonizados com o cardápio sob a consulta de um sommelier. Além dos eventos mensais nos restaurantes Capim Santo, Chácara Santa Cecília e Casa de Matilde, as psicólogas organizam jantares para grupos ou na casa das pessoas. Os sabores que compõem os pratos são sempre variados e as comidas possuem texturas diferenciadas para estimular o tato. "O cardápio é próprio para comer com as mãos. Além disso, tem que ter algo criativo e inovador para que as pessoas possam ficar intrigadas durante a refeição", conta Maria.

Experiências

As psicólogas contam que esse tipo de vivência sensorial pode trabalhar diversos bloqueios psíquicos e ajudar a entender os distúrbios alimentares, por exemplo. "Algumas pessoas chegam bem nervosas, mas depois conseguem se entregar. Alguns se surpreendem com a capacidade de não depender só da visão e descobrem um mundo novo. Houve um caso de uma pessoa que fazia terapia há quatro anos por causa de medo de escuro. Ela foi ao jantar e viu que conseguia ficar na escuridão", relata.

Segundo Malu França, diretora de relacionamento do Sheraton São Paulo, que participou do jantar no Restaurante Capim Santo acompanhada por seu marido, o empresário Roberto Squezari, o processo proporciona diversas descobertas. "A experiência foi uma grande viagem. Durante o jantar, a gente usa mais o paladar e o olfato, sendo que normalmente usamos mais a visão. É literalmente emocionante. Até o frescor do vento dá uma sensação de liberdade total", conta.

Para Malu, a falta da visão gerou uma perda do apetite. "Normalmente, comemos muitos mais por causa do estímulo visual. Tudo para mim tinha um tamanho bem maior do que realmente era", diz. Durante o jantar, Squezari também fez uma descoberta. "Eu não sabia que minha mulher era tão linda, pois eu tenho uma mania de sentar e ficar olhando ao redor. Hoje eu me dediquei totalmente a ela pelo toque", revela.

Atualizado em 7 Ago 2012.

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