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Restaurantes
Por Redação Guia da Semana

Império dos sentidos

Colunista participou de um jantar oriental às escuras e conta suas impressões.

Divulgação

Comensais tentam descobrir o sabor do escuro

A proposta era irrecusável. Participar de um jantar às escuras num dos restaurantes japoneses mais novos da cidade. Debaixo de uma dessas chuvas paulistanas, lá vou eu ao Shaya entrar na brincadeira.

Jantares às escuras encontram cada vez mais comensais corajosos e dispostos a se aventurar num mundo onde imperam os sentidos (menos o da visão, é claro). Os primeiros eventos do tipo começaram em São Paulo no final de 2007 e já existem empresas especializadas. Entre os restaurantes orientais, o Shaya é o primeiro.

Enquanto ainda não estava privado da minha, aproveitei para observar o belíssimo ambiente do restaurante, localizado na Rua Amauri, no Itaim. Um aventureiro vendado jantava no balcão logo na entrada. O branco impera, seja nas mesas, cadeiras e no revestimento de linóleo cobrindo toda a parede, contrastando com o vermelho vestido da recepcionista. Um som lounge bem apropriado (talvez um pouquinho alto) saía dos picapes do DJ residente. Fechando a panorâmica, um belo painel enfeita a parede do bar, localizado entre o 1º ao 2º andar. Lá ficam expostas uma coleção de bebidas, com destaque para as garrafas de saquê, com mais de 50 rótulos.

Nas poltronas do segundo andar, os comensais esperavam ansiosos. Finalizadas as apresentações e perguntas de praxe sobre alergias e censuras prévias a alimentos, ganhamos os aventais e as terríveis vendas pretas. Hashis? Que isso, pode usar a mão à vontade.

Yasmin Yonashiro, a sakewoman da casa, foi a nossa mestre de cerimônias. A bela jovem de 22 anos (aliás, no Shaya, todos são jovens e belos) divertia-se com as caras e bocas feitas pelos participantes a cada um dos seis pratos apresentados. Elas exprimiam as mais diversas sensações.

A primeira delas, o espanto, por conta tanto do inusitado da vendada situação quanto pelo mistério a cerca dos pratos apresentados. Logo no shot inicial, algo indefinido entre o sólido e o líquido acompanha a guia marcada pelo viscoso saquê, servido numa taça de Martini. No segundo prato, tempuras. Você acha que é fácil descobrir o quem tem lá? Tudo é muito gostoso, em especial uma massinha de forma arredondada e com recheio quente.

Em seguida, o sashimi. Oh oh! Não tem aquela gordura que entremeia as peças cortadas de peixes. Mas Yasmim e o chef Thiago Sakamoto garantem que é muito gorduroso. À boca, lembra batata, mas não é. O sabor é algo entre o salgado e o doce, deliciosamente misterioso.

A rodada de sushis começa com a descoberta de algo líquido no meio de três peças. Não dá muito para confiar no olfato, pois entre os pratos, Yasmim estimula nossas narinas com outros ingredientes, como borra de café, ameixa japonesa seca, só pra deixar a brincadeira mais divertida.

O primeiro sentimento de vitória chegou junto com o prato quente. Finalmente algo era familiar. Alto lá, disse a sakewoman - você só acertou 50% da charada. Então, a massa quente que se desprende das mãos então não é um bolinho de moti? Ledo engano pobre repórter.

Para fechar, três bolinhas doces de sabor já conhecido dos freqüentadores da Feira da Liberdade, mas com recheios pouco habituais. Ao final de tudo, o cliente ganha um "gabarito" e fica abismado com a diversidade de ingredientes ingeridos e com as estranhas impressões que teve.

"A gente sabe que têm uns ingredientes mais intrigantes, que só de olhar as pessoas desistem de comer. Por isso, brinquei justamente com esses, já que ninguém está vendo, reduzindo assim o preconceito aos diferentes sabores e texturas", comenta Sakamoto, também com 22 anos e que conversa e interage com todas as mesas. Ele ri das impressões dos comensais e explica tudo o que foi servido, esbanjando conhecimento e simpatia. O preço pode até não ser mais dos convidativos, mas vale cada centavo. Dia 20 de janeiro tem mais uma edição. É diversão que não acaba mais.

Quem é o colunista: Bruno Cesar Dias, um carioca andarilho pela cultura paulistana.

O que faz: Repórter de Gastronomia e Viagens do Guia da Semana.

Pecado gastronômico: Pão! Seja na bruschetta, na rabanada ou no sanduíche de queijo com goiabada.

Melhor lugar do Brasil: Essa opinião depende do dia... mas com certeza, está na Via Dutra.

Fale com ele: [email protected]


Atualizado em 7 Ago 2012.

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