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Restaurantes
Por Redação Guia da Semana

Pela comida sem maquiagem*

Hamilton Mellão fala sobre o que existe por trás - ou por cima - do fino bufê de uma festa.

Maquiagem gastronômica: diferente, mas real
Foto: www.photocase.de

Dia desses, estive em uma festa concorridíssima, daquelas que abalam a cidade e produzem todo tipo de comentário. Inclusive este meu, que nada tem a ver com os encontrados nas revistas e colunas sociais.

O fato é que o cardápio escolhido me surpreendeu, e muito. Eram tantos os pratos mascarados por "cosméticos gastronômicos" que me bateu a renitente saudade do gosto de um bom peixe fresco, feito só no sal grosso, ou do sabor genuíno de uma boa e inocente galinha caipira em seu próprio molho.

Decidido a não comer os molhos industrializados, os produtos sintéticos e as receitas confusas rotuladas de criativas, passei a observar as mulheres. Que, na sua esmagadora maioria, também estavam mascaradas por uma enorme quantidade de cosméticos, de tal forma que nem dava para imaginar como seria, de verdade, a matéria-prima encoberta por tanta maquiagem.

Quero deixar claro que não tenho a intenção de criar antagonismos, sobretudo com as indústrias de cosméticos (sejam eles gastronômicos ou não). É que ando inconformado com o abuso. Provei salgadinhos de aparência diversa, mas com o mesmo gosto pesado. Tão pesado como os cílios postiços que diminuíam o olhar das mulheres ou com o exagero na quantidade de perfume usado pelos homens.

Fui para casa confuso, pensando nas razões que nos levam a desprezar o original, o verdadeiro. Ninguém duvida de que existem formas para valorizá-lo, seja com o perfume de uma erva ou de uma flor. Tudo bem dosado, em equilíbrio, apenas para realçar a obra do "Criador".

As folhas crocrantes de uma alface recém-colhida dispensam o colorido e o sabor dos caros e impessoais molhos industrializados; a picanha libera todo seu sabor quando temperada apenas com sal. Protagonista deve ser a matéria-prima, concordam? Então, vamos atrás dos peixes e legumes frescos, dos frangos e dos ovos caipiras, dos limões suculentos e das ervas ainda bem longe dos vidros...

Leia a coluna anterior do Mellão:
  • O Nariz: o chef fala sobre um dos olfatos mais treinados no mundo enológico brasileiro.

    Quem é o colunista: chef Hamilton Mellão Jr, trabalha e pensa em gastronomia nas horas vagas e cheias.
    O que faz: é chef do restaurante Sallvattore, professor de gastronomia em faculdades e escolas e articulista de revistas e jornais.
    Pecado gastronômico: atualmente, como estou de dieta, somente convivo com pecados e pecadores.
    Melhor lugar do Brasil: dentro de mim mesmo, aquietando a mente que me faz viajar para qualquer lugar do mundo.


    Fale com ele: mellao@uol.com.br ou visite o Sallvattore (Rua Salvador Cardoso, 131, Itaim Bibi. Fone: 11 3078-8686).

    * Coluna publicada originalmente em fevereiro de 2007

  • Atualizado em 7 Ago 2012.

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