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Por Redação Guia da Semana

Síndrome de Caco Antibes

Croquetes, coxinhas ou canapés? O que vale é seu toque pessoal na hora de oferecer um coquetel.

Foto: Getty Images

Quando trabalhava em eventos aprendi que, para manter o emprego, nunca, JAMAIS, deveria pronunciar a palavra coxinha. Em seu lugar, sugeria mini risólis de camarão, empadinhas de pupunha e folhados com nome francês. Descobri que os petiscos eram aprovados pelos clientes e evitavam que os convidados comessem apenas canapés inidentificáveis.

Guardo contida admiração por pessoas que pegam um vinho e dizem com segurança: "Tem aromas de cassis e mirtilo com um fundo mineral". Mas invejo profundamente quem sabe reconhecer do que é um canapé.

Na faculdade de gastronomia, contrariando tudo o que vivi, ousei perguntar em uma aula sobre coquetéis se aprenderíamos a fazer coxinha. O resultado foi indigesto. Por alguma razão misteriosa, convencionou-se que croquete é uma palavra maldita, que coquetel é bacanérrimo e que os dois itens são mutuamente excludentes.

À revelia disso, convido você, caro leitor, à divertida observação dos seguintes indícios na próxima vez que for a um coquetel:

1- O sumiço instantâneo de qualquer coisa que pareça um croquete.
2- A relutância das crianças em comer canapés. E a cara delas quando o fazem.
3 - A expectativa pela abertura do bufê com o jantar, se houver. E a fila. E o comportamento das pessoas diante da comida, inclusive o seu.
4 - As crianças - e não só elas - tentando driblar a fiscalização da mesa de docinhos, se houver.
5 - Você chegando em casa com uma baita fome depois do coquetel.
6 - A quantidade de barqueletes que vão para o lixo (se você pedir para ir à cozinha na hora certa, muito provavelmente verá a cena).

Percebo que sempre militei contra o coquetel. Contrabandeava comentários subversivos e cheguei mesmo a tirar meu próprio sanduíche da bolsa e comer em pleno coquetel, em uma espécie de protesto silencioso.

Por ironia, em um livro de moda, esbarrei na definição: "Coquetel é uma recepção de cerca de uma hora, oferecida entre 17h30 e 19h30, com alguns cocktails (daí o nome) e petiscos apenas para acompanhar bebida (lê-se: para evitar que se fique tonto), já que o convidado irá para casa a tempo de jantar".

Assim, faço semi-pazes com o coquetel. O conceito é adequado; o problema é adaptação. Mas qual é a dificuldade de fazer comida reconhecível e apetitosa em porções pequenas, no lugar de trouxinhas, barquelletes e tartelletes?

As fontes de inspiração são vastas. Pense em uma boa mesa de antepastos: charcuterie, laticínios, defumados, quiches, casquinhas de siri, vinagretes, crostinis, pães, caponata, azeitonas, alcachofra, sushi, cogumelos, polenta...

Lanço o pleito: você, que contrata coquetéis, certifique-se do horário adequado ou ajuste-se para oferecer pratos quentes. Quer ousar? Invista em quitutes cheios de brasilidade!

Uma das pessoas mais elegantes que conheci, certa feita, me convidou para almoçar. Morava em um casarão em um bairro nobre. Sentamos à mesa da classuda sala de jantar e, de repente, uma parede falsa que dava para cozinha se abriu. Uma copeira trazia a refeição. O prato? Arroz soltinho, feijão caldoso, bife acebolado, pastel de queijo e de carne, farofa crocante e banana à milanesa, tudo bem feito. Comi como nunca.

Conheço uma feira de artesanato descolada que acontece aos sábados. Descolados de toda a ordem acotovelam-se por lá em dias ensolarados. Ali, no coração dessa feirinha, reinam barracas de comida de rua. O cheiro inebriante vem do pastel sequinho, das empanadas generosas, dos escondidinhos, do sanduíche de pernil, do aroma açucarado de churros e cocada. Gente endinheirada equilibra bolsas de grife em disputadíssimos - e mínimos - banquinhos de plástico barato, fazendo contorcionismo para salvar seu lanche dos cães de rua e de pedigree que convivem no espaço.

Ouço a voz do meu pai, aos domingos, com seu novo drinque na mão, recém-inventado por ele mesmo, enquanto minha mãe fazia o almoço: "Filha, você arruma uns tira-gostos pra gente abrir o apetite?". Intuitivamente, eu buscava uns tremoços, um pedaço de bacalhau ou uns chouriços e usava a imaginação. Mal sabia eu que estava servindo um coquetel.

Quem é a colunista: Com formações em Publicidade e Gastronomia, Rosa Fonseca é chef de cozinha, professora e colunista.

O que faz:  Trabalhou em restaurantes como o  Félix Bistrot e o Beth Cozinha de Estar. Hoje, atua como personal chef.

Pecado gastronômico: Chocolate e queijo da serra.

Melhor lugar do Brasil: Minha casa.

Fale com ela: [email protected]

Atualizado em 7 Ago 2012.

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