Guia da Semana

Sob o signo do coelho

Maleabilidade e colheita de esforços serão as marcas do Ano Novo chinês, que se inicia em 3 de fevereiro. Hora de aproveitar e descobrir essa milenar cozinha oriental.

Foto: Nathalia Clark/APG

Mesa farta e rica em sabores para o auspicioso ano que começa

Às vésperas do dia três de fevereiro, metade da população mundial está nos preparativos do que para eles é o mais esperado feriado: o Ano Novo chinês. A festa começa no dia anterior, acontece por mais dois e só se encerra em 15 de fevereiro com a Festa das Luzes. Durante todo esse período, as cidades decoram-se de lâmpadas e os céus noturnos com fogos de artifício, mesmo que proibidos. As famílias se reúnem para assistir à programação especial da TV estatal, ver a queima dos fogos e trocar presentes e lembranças como flores e envelopes vermelhos com dinheiro.

E, como em qualquer festa, a mesa, rica em simbologias e sabores, tem papel fundamental. "Para nós, o Ano Novo é o início de uma semeadura, uma relação natural com a terra e com a vida. Por isso, buscamos trazer esse sentimento para todos os aspectos, da arrumação da casa às comidas", explica Mônica Lin, chinesa que veio para o Brasil aos nove anos e, junto com os pais, abriu o restaurante Kar-Wua, no paulistano bairro de Pinheiros, do qual toca a cozinha.

Assim como o Kar-Wua, o Taizan também comemora a data (veja o roteiro abaixo) com um dos pratos típicos da celebração, o Família feliz. O nome já diz tudo. "Ele traz um pouco de cada sabor para agradar a todos que estão em volta da mesa", explicam a mãe Fumiyo e a filha Márcia Yusa que comandam essa casa na Liberdade. A travessa vem com legumes como vagem, brócolis, ervilha torta, pimentão, raiz de bardana, raiz de lótus, couve-flor e vários tipos de carne: bovina, frango, camarão e lula, numa porção farta e bela.

Fechando o ano num bolinho

O tamanho continental do país faz com que as regiões tenham tradições diferentes, de Beijn, ao Norte, a Hong Kong, bem no sul. No entanto, chinês que se preza não deixa de comer também o bolinho, um símbolo universal da fartura.

"Ele é feito por toda a família, que se junta para o preparo da massa (trigo com fécula de batata), que envolve, como se fechasse um ciclo e tudo o que aconteceu no ano que se encerra", retorna a chef Mônica Lin. A simbologia do guioza encontra ecos em pratos de tradições de outras culturas, como a católica Rosca de Reis e a grega Vasilopita. A cada fornada, um dos guiozas recebe uma moedinha no recheio. Quem pegá-la terá sorte para o ano todo.

Os dim sums são outro tipo de "bolinho" famoso que, de tão importantes, quase chegam a compor uma escola à parte na culinária oriental. Feitos com massa de trigo, eles podem ser fritos, mas comumente são cozidos em cestos de bambu pela passagem do vapor de tanques com água fervendo a 300° C. Os recheios são os mais variados, com destaque para os de frutos do mar nas épocas festivas. É o caso do Har gau, massa cozida recheada de camarão com broto de bambu. "É um prato que simboliza 1.500 anos de tradição", destaca Leonardo Freitas, gerente do restaurante Ping Pong, rede com sede na Inglaterra, mas que difunde a receita pelo mundo.

Foto: Divulgação

O guioza simboliza o ano que se encerra, trazendo dentro de si mesmo o novo

Seja din sum ou guioza, o bolinho está na mesa das famílias mais simples às mais abonadas. Essas investem em pratos exóticos e especiais, como Lúsun bàoyú, com abalone, um molusco de terna e macia carne pouco conhecido por aqui, com aspargos cozidos no vapor, e o Yúchi tãng, caldo feito de barbatana de tubarão, shitake, broto de bambu, kani-kama, shoyu e tempero japonês. Os pratos estarão no banquete oferecido pelo restaurante paulistano Golden China. E, como sobremesa, mais um bolinho, o moti. De forte presença também nas tradições japonesas, na celebração chinesa, a massa de arroz leva recheio de doce de feijão e crosta de calda de açúcar com gergelim. Afinal de contas, independentemente do signo, a doçura abre bons caminhos em qualquer celebração.

Celebrando o coelho

Adaptação, mudanças repentinas, porém tendendo para a estabilidade, e muita rapidez nas decisões vão marcar os acontecimentos no Ano do Coelho. Ao contrário do instável e arisco 2010, regido pelo Tigre, o coelho indica também recompensa de ações já iniciadas. "Será um período de colheita para quem se esforçou no ano passado, em meio a um mundo com mais compreensão e mais ajuda aos menos favorecidos", destaca o Mestre I Ming, especialista no zodíaco chinês.

Além da comilança toda, também ocorrem inúmeros festivais e celebrações organizados por diferentes associações culturais em diferentes cidades. Em São Paulo, a sexta edição da Festa do Ano Novo acontecerá dias antes, em 29 e 30 de janeiro, na Praça da Liberdade. E no dia 3, a comunidade chinesa também promete ocupar da Avenida Paulista com atividades. Acompanhe pelo Guia da Semana a programação na sua cidade e não deixe de provar essas iguarias.

São Paulo

Taizan
Um dos ambientes mais elegantes do bairro da Liberdade, o restaurante tem a particularidade de ser comandado pela família Yusa, de origem japonesa. O pai, Kaoru Yusa, aprendeu a cozinhar lendo receitas em revistas. Hoje, sua esposa Fumyo e as filhas Márcia e Elisa Yusa tocam o estabelecimento. Os pratos são feitos com capricho e vem em fartas porções, como Família Feliz (R$ 68) e as costelas de lombo fritas (R$70). A banana caramelada (R$ 25, com 6 unidades) é a pedida para o encerramento.

Golden China
Restaurante da rede de hotéis Liau, traz especialmente para a data uma seleção de pratos festivos, como Yúchi tãng, o exótico caldo de barbatana de tubarão (R$ 220), Miànbão Xiã, um grande camarão aberto na longitudinal e empanado (R$53), Lúsun bàoyú, o molusco abalone fresco com aspargos e Shui Shu Yú, carpa ao banho maria e temperos. O moti recheado de feijão azuki (R$ 3,50, a unidade) fecha o curso.

Ping Pong
A casa londrina de dim sums está há dois anos em São Paulo e é frequentada pela comunidade oriental, executivos do Itaim e pessoas que conhecem as trouxinhas. Para o Ano Novo, quem pedir o Har Gau, (R$ 13,50), cesta com três dumplins recheados com camarão e broto de bambu, ganha ou o chá especial servido em serviço de cerâmica artesanal ou o Rabbit drink, feito do saquê Diageo Jun Daiti. A promoção vai até o dia 28 de fevereiro.

Kar-Wua
A casa do bairro de Pinheiros já conta com 37 anos e é tocada pela chef Mônica Lin, filha dos fundadores. O Família Feliz custa R$ 58 e serve de 2 a 3 pessoas. O Won Tong (R$ 22, 10 unidades) pode ser servido frito ou cozido e o guioza (R$ 29, 10 unidades) receberá a moeda da sorte a cada preparo - e os clientes ainda ganham lembrancinhas. Para encerrar, chá de gengibre com camomila (R$ 5,50).

China Grill
Também na Liberdade, o restaurante é uma casa simples e de comida caseira, famoso pela qualidade dos clássicos guiozas (R$ 20, com 15 unidades). No entanto, requer paciência nos dias de maior movimento.

Foto: Divulgação

Celebração do Ano Novo chinês na Liberdade, em janeiro de 2010

Rio de Janeiro

Mr. Lam
A fina casa dirigida por este chef chinês de 65 anos e com a chancela dos negócios de Eike Batista destaca pratos como Veggie dumplings (R$20, 4 unidades) e Batista's Prawns (R$43), os grandes camarões cortados na longitudinal e empanados e as três opções de massas feitas na casa; (de R$ 31 a R$ 41).

Primeira Pá
Pouquíssimos cariocas sabem que, ao lado do Clube América, existe a Associação Cultural Chinesa, difusora das artes marciais, dos costumes e também da gastronomia do país. O chef Koychi cuida da cozinha há 20 anos, oferecendo pratos do mais simples arroz colorido (R$17) a iguarias como barbatanas cozidas (sob consulta e disposição da mercadoria).

Chon Kou
Conhecer os pratos da tradicional cozinha chinesa com vista para a Praia de Copacabana. Isso é possível no Chon Kou, estabelecimento aberto em 1972. No cardápio indicado para a celebração, Wong tong (R$ 18, com 6 unidades), chop-suey de frango (R$ 35) e o irresistível Moo Shu (R$ 40): finas folhas de massa de trigo que o próprio cliente recheia com porco finamente desfiado com gengibre, broto e outros condimentos.

Via China
Robert Huther sempre foi apaixonado por culinária oriental e resolveu fazer do sonho realidade. Em Botafogo, abriu o primeiro Via China em 1995. Atualmente são três lojas que trabalham tanto no sistema de bufê quanto de pratos à la carte. Oferece também com os cortes de peixe da gastronomia japonesa.

Center China

Outra casa tradicional do bairro das Laranjeiras, fez uma aproximação com o universo do rodízio japonês, mas não sem perder alguns pratos tradicionais, como os rolinhos primavera (R$ 5,90, duas unidades), chop-suey de frango (R$ 19,40, para uma pessoa) e o de camarão (R$ 22,84, para uma pessoa).

Brasília

Pequim
Uma das casas orientais mais suntuosas da capital federal, com vasos e lustres importados. Entre as opções, Shui jiao (R$ 15), um dumpling com recheio de ervas aromáticas. O fondue chinês (R$ 68) é uma versão do Família Feliz, porém com caldo.

Florianópolis

Lai-lai
Trafegando entre as cozinhas japonesa e chinesa, o restaurante apresenta o pato como nova opção entre os tepan-yaki, somando às opções frutos do mar, linguado, salmão, filé mignon, frango e camarão.

Porto Alegre

Thongai
No almoço, bufê com especialidades orientais (R$ 12,00 de segunda a sexta e R$ 20,60 aos sábados, domingos e feriados). O jantar é a la carte e traz nos destaques bifun com carne, camarão e legumes (R$ 26,00 para duas pessoas) e banana (R$ 9,50) ou maçã carameladas (R$ 10,50).

Cheung Lung
No bufê, são sete tipos de carnes feitas em diversos preparos, como camarão ao alho e óleo e empanado e chop-sueys de porco, carne e frango. Para acompanhar, arroz colorido, rolinho primavera e o bun - um pão chinês feito no vapor. Funciona de segunda à sexta-feira, inclusive aos finais de semana com o mesmo preço, a R$ 13,90.

Belo Horizonte

A Grande Muralha

Com receitas trazidas diretas de Taiwan por Gia Wong Chia Ying, a casa tem no Koutê (R$ 12, com oito unidades), um pastelzinho frito cozido no vapor e recheado com carnes e legumes em porções com oito unidades.

Atualizado em 7 Ago 2012.

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