Guia da Semana
Restaurantes
Por Redação Guia da Semana

Volta ao mundo em 80 refeições

Nos restaurantes de SP, pode-se conhecer os sabores e aromas de cada Páis.

Venho de família portuguesa. Quando criança, viajava para a terrinha levando como presente polvilho (?), discos de pizza, coco, manga, banana, abacaxi, pé-de-moleque, paçoca, farinha de mandioca, delícias de milho, goiabada, dendê, requeijão, doce de leite, guaraná, chá mate, feijão preto e até ilegalidades como peças de picanha maturada. Só achava esquisito levar polvilho, por causa do gosto. Era pequena demais para saber que do outro lado do Atlântico se transformaria em uma fornada de pão de queijo mineiro 100% made in Portugal.

As iguarias eram recebidas com entusiasmo. Imaginava amigos e familiares aguardando minha chegada em vigília ansiosa, mais ou menos se fosse a passagem do cometa Harley.


Me questionava como os portugueses não enjoavam de comer batata cozida com os mesmos peixes ou carne de porco todo dia. Sim, eles têm o indescritível - e caríssimo - queijo da serra, seus chouriços, doces à base de ovos, Porto e bagaceira. Ainda assim, achava pouca variedade. Contava a eles sobre as nossas pizzas, os diversos tipos de massas, pães, lanches, legumes, frutas, cereais, doces e quitutes de toda a ordem que existem no Brasil. Olhavam-me atentos como se contasse estórias fantásticas de Saci-Pererê. Imagine o leitor qual seria o espanto se adicionasse à lista pratos árabes, japoneses, chineses e mexicanos hoje populares por aqui.

Aos 18 anos, descobri que mesmo ingleses abastados comem batata quase todo dia - às vezes até no café da manhã. É verdade que a batata inglesa é mesmo a melhor. E que o chá das 5 é demais. Mas nunca pude contar a um trabalhador que sua para por mistura na mesa, que os súditos da rainha passam bem sem mistura. E sem salada. Sem frutas. Sem variação.

Na juventude, sofri ao telefone com um amigo que se mudara para o Japão e não agüentava mais comer miojo, arroz, peixe e legumes. É bom, "mas todo dia cansa", queixava-se.

Recentemente, li que Buenos Aires aspirou ao título de capital mundial da gastronomia (em que órgão se pleiteia isso?), mas o pleito foi recusado, mantendo-se São Paulo com o posto honroso. Há duas semanas, estive na capital argentina e, confesso, quis ver o que a panela portenha tem a oferecer. Comi bem, mas entendi porque o pedido foi rejeitado.

Os ingredientes eras bons; a comida bem preparada. O problema é que era sempre igual: basicamente croissant, torradas, alfajor e carne com batata frita, purê de batata ou purê de abóbora, massa ou pizza.


Imaginei que todos os cardápios da cidade eram impressos por um único fornecedor, velho e ranzinza, que se recusava a fazer alterações, por isso os menus eram parecidos. Estou exagerando, claro. Buenos Aires vive a chegada das cozinhas tai e japonesa (finalmente!), revive a boa e velha culinária francesa e respira um burburinho de gastronomia molecular, no vácuo da revolução que acontece na Espanha. A variedade de massas surpreende. Mas é isso.

Se comer bife de chorizo, bacalhau ou baket potato em São Paulo é moleza, difícil é comer feijoada fora do Brasil. Além da questão da disponibilidade e do sortimento, tem a da quantidade. Quem leva um estrangeiro em um rodízio tem a oportunidade de conferir olhos estupefatos.

Se em diversos aspectos a riqueza da nossa terra e da nossa diversidade é negligenciada, na cozinha, encontra o espaço necessário para ser acolhida, preservada e celebrada. A despeito de fatos históricos opressores, o longo dos séculos, nossa cozinha seguiu protegida em sua singularidade, permitindo a miscigenação democrática de uma enorme variedade de aromas e sabores - o que faz da culinária brasileira um dos mais ricos produtos culturais do mundo. Como se não fosse o bastante, São Paulo ainda ocupa posição privilegiada na conexão com todas as culinárias e tendências internacionais.

Teimosa, guardo a sete chaves a imagem idílica de que comer na Itália é qualquer coisa de divino. Mas todo mundo volta de lá dizendo que aqui ainda é melhor.

Quem é o colunista: Rosa Fonseca, comunicóloga e cozinheira.

O que faz: Compõe a cozinha do Félix Bistrot, restaurante francês. Paralelamente, também é redatora e consultora de comunicação.

Pecado gastronômico: Chocolate.

Melhor lugar do Brasil: Florianópolis.

Fale com ela: [email protected].




Atualizado em 7 Ago 2012.

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