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Por Redação Guia da Semana

As mulheres e o jazz

O jeito feminino de mostrar que o jazz pode assumir várias formas sem perder a essência.

Foto: divulgação
Stacey Kent


Três mulheres jazzistas, três gerações e três maneiras diferentes de fazer jazz. As três, Esperanza Spalding, Stacey Kent e Carla Bley em uma só noite mostraram como o jazz pode ter várias configurações sem perder seu vigor e a sua criatividade. Eric Hobsbawn, historiador inglês que escreveu a história do jazz nos anos 50 afirma que uma das características do jazz é o prazer de se tocar junto e foi o que se viu na segunda noite do Tim Festival no auditório Ibirapuera. Intencionalmente ou não a ordem das apresentações seguiu das jazzistas mais nova para mais velha.

A primeira a se apresentar foi Esperanza Spalding considerada uma revelação pelos apreciadores de jazz. Com aparência de uma colegial escolheu desde cedo tocar um instrumento dificil para mãos delicadas de uma menina, o baixo acústico. Vendo apresentações de baixistas veteranos sempre vem a imagem que um bom baixista tem que ter mãos de marceneiro para tirar das cordas grossas do instrumento suas notas. Esperanza provou que essa imagem não sobrevive depois de assistir sua apresentação. A presença da Esperanza no palco mostra a bôa relação entre a música latina e o jazz . Acompanhado por um quarteto Leonardo Genovese no piano, Ricardo Vogt na guitarra, Pedro Ito na bateria e participação especial do violonista e guitarrista Chico Pinheiro que tocavam juntos pela primeira vez Esperanza alternava entre baixo acústico e elétrico.

Apaixonada pela música brasileira apresentou uma das músicas mais dificeis e bonitas do Milton Nascimento, Ponta de Areia. E justificou a escolha da música em seu repertório. Esta foi uma das primeiras músicas brasileiras de que gostei. Ela dá uma sensação tão boa...Espero que vocês gostem da minha versão".Essa música foi gravada pela primeira vez por Wayne Shorter no disco Native Dancer nos anos 70 e que na ocasião disse ser uma música que exige técnica e alma. Uma das maneiras de conferir a criatividade de um músico e vê-lo tocar uma música muito conhecida e saber o que se pode criar mais ainda. E foi isso que Esperanza provou ao tocar e cantar " Body and Soul".

Há quem diga que o espetáculo foi de um virtuosismo exagerado mas hoje para fazer um bom jazz tem que no mínimo ser bom instrumentista e isso foi provado com os cinco em cena. Esperanza esteve em São Paulo e se apresentou no Bourbon Street e Sesc Pompéia mas passou despercebida e para quem compara as duas apresentações percebe que ela está amadurecendo sem virar estrela pop como algumas cantoras da nova geração. Já quase ao final da apresentação ele diz num sorriso maroto de adolescente que ela e seu baixo acústico estavam felizes por se apresentarem no festival.

A segunda a subir no palco foi Stacey Kent que muda o clima da apresentação. Ela apresenta seu smooth jazz acompanhado de um quarteto em que tem destaque seu marido, o saxofonista Jim Tomlinson, muito influenciado por Stan Getz. Foi uma apresentação intimista muito comum no final dos anos 50 e início dos anos 60. Uma apresentação correta e não menos envolvente. Cantou coisas da alma que foi desde "Ces Petits Riens" (Serge Gainsbourg), clássicos como "What a Wonderful World", imortalizado por Louis Armstrong, e composições brasileiras, como "Águas de Março" (Tom Jobim)cantado um inglês e Samba da Bênção (Vinicius de Moraes e Baden Powell), este cantado em francês e que serviu de trilha do filme " Um Homem e Uma Mulher". A cada canção uma emoção que dividia no palco com o marido.

E por fim Carla Bley arranjadora e compositora de 72 anos e que surpreendeu o público apresentando seu Concerto para Bananas com o Quinteto Banana. Para uma vanguardista como ela um concerto para bananas não surpreendeu ninguém. O concerto tem seis movimentos, One Banana,Two Bananas,Three Bananas, Four Bananas, Five Bananas e One Banana More. Esperava-se uma apresentação bem humorada como sugeriria um concerto para bananas ou pelo um jazz mais latino, Carla Bley surpreendeu fazendo uma música que beira a uma música de concerto de tão refinado e tão bem executado pelo quinteto.Um grande momento jazzístico. A platéia atenta mostrou que muito dos ali presentes eram músicos e que souberam apreciar. Alem do concerto para Bananas Carla apresentou ainda mais 3 músicas onde seu convidado trompetista Michael Rodriguez souber aproveitar.

Quem é a colunista: Lázaro Oliveira, jornalista. Trabalha no Vitrine e no Entrelinhas, ambos na TV Cultura

Pecado gastronômico: Comida japonesa ou cozinhar o que tem vontade para a família e amigos

Melhor lugar do Brasil: Quando não em casa, a bela cidade de Paraty!

Como falar com ele: [email protected]



Atualizado em 6 Set 2011.

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