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Por Redação Guia da Semana

O retorno da excêntrica Björk

Em Volta, seu último trabalho, a islandesa lança mão de novos experimentos sonoros.



Em Reykjavík, capital da gélida Islândia, encontrar um jardim florido pode ser uma tarefa extenuante. O clima severo costuma dificultar o surgimento da mais simples espécie vegetal, limitando a paisagem natural a pequenas árvores esparsas. Cenário inóspito para muitos, a ilha vulcânica costuma servir de inspiração para alguns dos trabalhos mais destacados da cantora Björk, uma de suas filhas mais ilustres. Em Volta, seu primeiro álbum desde Medúlla, a ex-integrante do Sugarcubes, hoje mãe de duas crianças, emula temas que tem pautado sua carreira: apreço pela terra natal, espiritualismo, família e paixão.

Após domar candidamente os conceitos de vanguarda e solapar o cenário musical dos anos 90 com um turbilhão experimental, Björk encarou críticas reticentes ao lançar Medúlla, disco forjado à base de arranjos vocais. Na época de seu lançamento, uma fatia generosa da imprensa mostrou-se pouco disposta a engolir um álbum permeado por falsetes, coros e beatbox. Ainda assim, Björk já havia conquistado a fama de contar com as pessoas certas ao seu lado, seja na produção de discos, durante as turnês ou na elaboração videoclipes.

Boas companhias

Foto: W. du Preez e N.T-Jones
Em seu novo trabalho, Björk buscou novamente o auxílio do produtor Timoth Mosley. Mais conhecido por Timbaland, ele se tornou o nome por trás do sucesso de Justin Timberlake, Missy Elliot e Nelly Furtado. Em Volta, Timbaland emprestou seu talento às faixas Hope, Innocence e Earth Intruders. Embora distantes da seara pop, tais músicas são as mais palatáveis para quem não está acostumado ao laboratório sonoro da cantora.

Já com Antony Hegarty, líder da banda Antony And The Johnsons, Björk gravou The Dull Flame of Desire, balada que encontra ecos tanto em Medúlla como em Drawing Restraint 9, trilha sonora por ela composta para o filme homônimo dirigido pelo marido, Matthew Barney.

Não seria exagero dizer que Volta ressente de um hit nos moldes de It´s Oh So Quiet, Hyperballad e Big Time Sensuality, músicas brilhantes que abandonaram por um momento o experimentalismo, tornado-se referências dentro da obra da cantora. Em muitos aspectos, algumas canções de Volta recordam as melodias de Medúlla, mas ainda este disco tinha sua canção pop adocicada, a deliciosa The Triumph Of A Heart.

Foto: bjork.com
Ainda assim, Volta é um dos melhores lançamentos do ano. A criatividade de Björk é sentida na maneira como os instrumentos menos ortodoxos e os ruídos computadorizados são agrupados. Sua voz parece crescer a cada álbum, cristalina e provocadora, duelando destemidamente com as poderosas batidas e efeitos eletrônicos armados por Timbaland e outros colaboradores. Earth Intuders e Declare Independence realçam a beleza e ferocidade do casamento entre homem e máquina, corda vocal e sintetizador. Como qualquer outro trabalho de Björk, Volta deve ser degustado aos poucos, para que se descubra a cada audição um pouco do encanto dessa genial islandesa.

Para conhecer mais:

Debut

Em seu álbum de estréia, Björk já revela sua predileção por experimentalismos e bases eletrônicas. Big Time Sensuality, Human Behaviour e Venus As Boy são os destaques do disco, assim como a bela interpretação de Like Someone In Love.

Greatest Hits - Volumen 1993-2003

Coletânea com os melhores videoclipes da islandesa, o DVD reúne obras-primas de mestres como Michel Gondry, Chris Cunningham, Eiko Ishioka e Spike Jonze. Hunter, All Is Full Of Love e Possibly Maybe têm o mérito de expressar em imagens o virtuosismo da cantora.

Dançando no Escuro

Dirigido pelo dinamarquês Lars Von Trier, o premiado Dançando No Escuro valeu uma Palma de Ouro de Melhor Atriz à Björk. No filme, a islandesa interpreta Selma, uma operária vítima de uma doença hereditária que ameaça lhe deixar cega.

Atualizado em 6 Set 2011.

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