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Por Redação Guia da Semana

Quem tem medo do fusion?

Polêmico, gênero intriga fãs do jazz e do rock há décadas.

O trio Medeski, Martin & Wood acompanhado pelo guitarrista John Scofield


Para algumas pessoas, o jazz é algo muito restrito: um trio tradicional composto por bateria, contra-baixo acústico e piano, além de um ou outro instrumento de sopro para apimentar as coisas de vez em quando. Bem, até os anos sessenta as bandas de fato seguiam uma formação por assim se dizer, mais tradicional. Mas a partir daí as coisas começaram a mudar. E não foi uma mudança pequena.

Com a popularização do Rock em escala mundial e a conseqüente introdução dos instrumentos elétricos na música popular - isto é, instrumentos que contam com o suporte de amplificadores de som - o jazz tinha à frente um sem-número de novas possibilidades de arranjos e experimentações. Assim, inevitavelmente, acabaria surgindo o gênero jazz-rock, ou mais popularmente conhecido como fusion.

As duas nomenclaturas são válidas. Somadas, temos uma breve noção do que se trata: o fusion é a fusão do rock com o jazz, amalgamado pelo surgimento dos instrumentos eletrônicos. Há quem torça o nariz por acreditar que não passa de uma brincadeira de criança, visto que o rock é comumente associado a adolescentes alheios com vagas idéias sobre o amor, a vida, e, não diferente, sobre a música propriamente dita. Mas, antes de qualquer juízo de valor, é preciso ater-se a algumas considerações prévias.

Weather Report: fundamental para o fusion


O fusion aparece em cena na virada dos anos sessenta, quando então o rock assava por uma revolução. Era o início da era do rock progressivo, notório pelo apreço a experimentações diversas, harmonias sofisticadas e letras que lidam com aspectos mais profundos da condição humana. Os próprios Beatles, outrora incensados como os bem vestidos garotos de Liverpool que faziam perfumadas canções de amor, mergulharam de cabeça nesse novo mundo com o lançamento de Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band, em 1968; um clássico absoluto. A erudição do Jazz acabou se casando com a sofisticação pela qual o rock vinha passando.

A lenda do piano Herbie Hancock
No Jazz, a primazia é atribuída a Miles Davis, com o álbum duplo intitulado Bitches Brew, de 1969, considerado o cartão de entrada do fusion. Não é um disco fácil de se ouvir. Ruídos e sons cortantes se intercalam a todo o momento. Mas o maior ícone dessa geração viria a ser o grupo Weather Report, ao qual coube a popularização de um dos maiores baixistas de todos os tempos: Jaco Pastorius, substituto do egresso Miroslav Vitous, em 1976. Além do inconfundível baixo sem trastes de Jaco, o grupo contava também com o experiente tecladista Joe Zawinul e o saxofone vibrante de Wayne Shorter, dupla que formava a espinha-dorsal do grupo. Herbie Hancock, outro incansável experimentador, também se arriscou na área com o seu grupo Head Hunters. O resultado é uma brilhante mistura de influências, com destaque para as levadas de funk.

Porém, a partir dos anos 80, o fusion começou a perder o fôlego, aproximando-se cada vez mais da música pop comercial. As músicas perderam a vitalidade do improviso e soaram cada vez mais óbvias, repletas de clichês musicais. Ainda assim, artistas importantes como Pat Metheny, por exemplo, continuaram produzindo trabalhos de grande qualidade neste mesmo período de decadência. Tudo indica que os novos caminhos do fusion apontam para a direção do acid jazz, vertente que já lançou nomes interessantes como o trio norte-americano Medeski, Martin & Wood e o Soulive, conduzido pelos irmãos Evans. É tempo de novas experiências e novas fusões.

Fotos: myspace.com
Quem é o colunista: Yuri Bucaretchi

O que faz: estudante de jornalismo e filosofia

Pecado gastronômico:aquele que não se mexer

Melhor lugar do Brasil: Fernando de Noronha

Fale com ele: [email protected]


Atualizado em 6 Set 2011.

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