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Teatro
Por Redação Guia da Semana

Ele é uma peça

Fazendo sucesso nos palcos e no cinema, o ator Paulo Gustavo vai aos poucos conquistando o seu lugar ao sol no showbiz.

Foto: Tv Globo/ Fabricio Mota

Paulo Gustavo está em cartaz com o espetáculo Minha mãe é uma peça

"Ele aparece cinco minutos e acontece um ápice. Segurar o mesmo ritmo é difícil depois". Essa é a opinião da atriz Lilia Cabral sobre o colega Paulo Gustavo, com quem dividiu as telas no longa Divã. A participação pode até ter sido de apenas cinco minutos, mas o bordão "Repica René" caiu na boca do povo.

Além do sucesso nas telonas, Paulo também brilhou nos palcos cariocas com o monólogo Minha mãe é uma peça, que rendeu a indicação ao prêmio Shell de melhor ator e estreou em São Paulo no começo de maio. Cheio de bom humor, o ator recebeu a equipe do Guia da Semana para um bate papo descontraído, no qual entre outras revelações, admite ser fã da Beyoncé! Confira abaixo.

Guia da Semana: É verdade que a peça foi inspirada na sua mãe?
Paulo Gustavo: Com certeza. Minha mãe é muito caricata, fala muito alto, é histérica. Peguei bastante coisa dela, mas toda mãe tem um pouco disso. Acho que a preocupação que tem com o filho, que horas comeu, quando vai voltar da rua, são normais de mãe.

Guia da Semana: E ela já assistiu?
Paulo: Assistiu milhões de vezes. Disse que o espetáculo era dela e quer 10% da renda (risos).

Guia da Semana: Sei que você é uma pessoa super tímida, apesar de não parecer. Como se prepara para fazer um monólogo?
Paulo: Quando a gente entra para interpretar, defendido com um personagem, é grande a diferença de ficar de cara limpa e encarar o público. Para quem faz comédia, as pessoas cobram isso um pouco, quando você vai dar uma entrevista, de ter que ser engraçado mesmo sem estar no clima de ser engraçado. Isso vai dando uma certa insegurança. Se eu entrar sabendo o que vou falar, eu estou tranquilo, não tenho vergonha. Posso entrar aqui ou no Maracanã, se tiver certeza do que eu vou dizer.

Guia da Semana: A Beth Faria disse que fazer monólogo é saltar de um trapézio sem rede em baixo. Você concorda?
Paulo: Concordo total. Cada espetáculo que você entra não sabe como vai ser a reação da plateia. Ela é composta de várias pessoas, mas forma uma personalidade única. Então, se tem uma pessoa rindo pra cacete, o pessoal acaba embarcando e começa a rir também. Se não tem ninguém rindo, ela fica quieta até o final. Você tem que saber lidar com essa diferença de temperatura a cada espetáculo.

Foto: Divulgação

O ator em ação, caracterizado como D. Hermínia

Guia da Semana: Você já se assustou com a reação da plateia?
Paulo: Já sim. Tem cena em que você sabe que nego vai rir, então se o personagem antecipar isso, a plateia não acha graça. No humor tem que saber manter o frescor, para que a coisa seja dita ali na hora e pegue de surpresa. Então, como estou fazendo essa peça há três anos, sou capaz de organizar o meu dia seguinte inteiro na cabeça durante o espetáculo. Eu falo o texto pensando em outra coisa.

Guia da Semana: Então já virou automático?
Paulo: Pois é, mas quando entra no automático não tem graça. Aí eu já tomei susto com isso, de falar uma piada que é aplauso com certeza e nego ficar mudo. Por isso eu sempre procuro estar presente ali, falando com frescor

Guia da Semana: Quando surgiu a vontade de ser ator?
Paulo: Desde pequeno. Quando eu era criança, eu assisti o Gato de Botas e queria estar no palco. Aí eu falei para a minha mãe, que me incentivou a estudar e entrar em um curso. Depois parei, fui para Nova York, virei garçom, entrei na faculdade de turismo, fiz um período e parei. Foi aí que resolvi voltar para o teatro. Foi um salto no escuro, mas quem garante que você vai fazer medicina e vai ser bem-sucedido?

Foto: Divulgação

Intepretando o cabeleireiro René, no longa Divã

Guia da Semana: Como surgiu o convite para participar do filme Divã?
Paulo: O Alvarenga, que é diretor do filme, me viu na Minha mãe é uma peça e me chamou para fazer a Diarista, A Minha Nada Mole Vida e um piloto na Globo que ainda não entrou no ar. Esse cabeleireiro que eu fiz no Divã, já tinha interpretado na Minha Nada Mole Vida. Foi muito legal e quando passou, o povo morreu de rir. Aí o Alvarenga pediu para que eu repetisse a dose.

Guia da Semana: Você esperava que fosse esse sucesso?
Paulo: Menina, ontem eu fui no salão para raspar o meu cabelo, aí eu sentei e tinham várias mulheres fazendo não sei o quê lá, daqui a pouco começou um assunto: "Você viu o Divã?", aí a outra perguntou "O que mais você gostou?", aí todo mundo em volta começou a falar que tinha adorado aquele cabeleireiro. Ninguém tinha percebido que era eu, quando eu vi, tinha umas sete mulheres em volta, falando: "Repica, Repica René". Virou uma festa dentro do salão.

Guia da Semana: Depois de tudo isso, qual é o seu sonho profissional?
Paulo: Meu maior desejo é viver da minha profissão. Acho que é o sonho de qualquer ator, que é uma profissão difícil à beça.

Foto: Marcus Oliveira

Paulo durante entrevista ao Guia da Semana

Guia da Semana: O Lúcio Mauro faz uma declaração durante a sua peça Lúcio 80-30 dizendo que não dá para ficar rico com o teatro no Brasil. Você concorda?
Paulo: Eu não posso falar que eu não ganho dinheiro com o teatro porque seria hipocrisia e maluquice da minha parte. A minha vida mudou da água para o vinho com o A minha mãe é uma peça. Comprei uma casa pra mim, carro, pago plano de saúde da minha família. Não sou mais um cara sem grana. Mas eu percebo que é difícil ganhar dinheiro com o teatro. É difícil acertar o que o público está a fim de ver. A minha peça pode ter sido um baita sucesso no Rio e fracassar em São Paulo.

Guia da Semana: Então você acha que São Paulo e Rio possuem realmente públicos muito diferentes?
Paulo: São Paulo, pelo que eu percebendo, prestigia mais teatro. É feio falar isso, porque eu fiquei três anos em cartaz no Rio, mas acho que em São Paulo a vida é mais noturna, as pessoas vão mais a programas culturais. A praia atrapalha um pouco no Rio. Você coloca uma sunga e vai pra praia, água verde, cheia de gente bonita, andando, tomando suco. Aí nego começa a tomar uma caipirinha e quando chega sete horas, quer ir para casa dormir, trepar ou fazer qualquer merda.

Guia da Semana: Tem algum ídolo seu que deixaria muito nervoso se um dia estivesse na plateia?
Paulo: Beyoncé. Se ela entrar aqui eu morro. Sou apaixonado. Tem uma peça de seis esquetes que eu estou escrevendo e quero estrear aqui em São Paulo. Um dos personagens vai ser inspirado nela.





Atualizado em 6 Set 2011.

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