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Teatro
Por Redação Guia da Semana

O Teatro Mágico

Destaque na Virada Cultural em São Paulo, grupo aposta no caminho independente e livre da produção artística.

Foto: divulgação

A transformação de tudo o que existe no mundo em mercadoria, característica de nossa época, não deixa de atingir a produção musical. As gravadoras e distribuidoras enquadram os artistas dentro de padrões de consumo, criando uma suspeita produção cultural- que curiosamente precisa de jabá e de contratos para ser veiculada pelas emissoras de rádio e televisão.

O processo de popularização da internet vem permitindo uma maior participação por parte do "consumidor" de música, que pode encontrar material de artistas desconhecidos da grande mídia - e que cada vez mais são liberados para serem baixados e distribuídos gratuitamente.

O espetáculo O Teatro Mágico é um exemplo a ser seguido pelos artistas que lutam pela música livre. Seguindo o conceito de ser um sarau ampliado, Fernando Anitelli apresenta suas canções acompanhado por atos circenses e teatrais - fórmula que vem conquistando legiões de fãs, culminando com a recente marca de 40 mil pessoas, no Vale do Anhangabaú, durante a Virada Cultural.

A divulgação da banda foi feita pelo boca-a-boca e pela internet. As músicas, disponibilizadas para download ou vendidas em um CD no final das apresentações (já são mais de 35 mil unidades comercializadas). Quem não tem dinheiro pode fazer uma cópia pirata. Isso mesmo, Anitelli recomenda que pirateiem seu trabalho - peçam emprestado, tirem uma cópia, distribuam livremente. É a escolha por um caminho alternativo de produção, onde a obra de arte vai deixando de ser objeto de consumo para voltar a ser... arte.

Acreditando na liberdade que a música deve ter, o grupo voa mais alto que muitas bandas sustentadas por gravadoras, distribuidoras e emissoras. O crescente sucesso da forma independente do trabalho artístico, exemplificado no caso do Teatro Mágico, mostra que a música pode ser distribuída sem as travas comerciais costumeiras, resultando na valorização tanto do artista como do público, pois nesse caso não precisam se sujeitar às coerções do mercado que rege nossa "produção cultural".

Vale a pena não só acompanhar o trabalho e a posição de artistas que defendem a idéia da música livre como também observar a posição das grandes gravadoras e dos órgãos reguladores dos direitos autorais e de propriedade intelectual, procurando estabelecer a coerência dos argumentos apresentados por ambos os lados. E sem esquecer do mais importante: a manutenção do debate livre.

Leia as colunas anteriores de Diogo Silva:

? Bomba: Noel Gallagher, do Oasis, anuncia provável álbum solo, enquanto Liam canta sem decência.

? Direitos autorais: licença "Creative Commons" propõe mudança em relação ao atual "copyright".


Quem é o colunista: Diogo Silva

O que faz: é estudante de História, técnico em informática e tocador de baixo elétrico.

Pecado gastronômico: café, bem ou mal passado.

Melhor lugar do Brasil: litoral da Bahia.

Fale com ele: [email protected]


Atualizado em 6 Set 2011.

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