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Teatro
Por Redação Guia da Semana

Peça pelo formato

Duas escolas antagônicas, o cinema americano e europeu se rivalizam e ganham adeptos em todo mundo.

Fotos: divulgação

À direita, o fenômeno de bilheteria Avatar; ao lado a obra prima Dogville, de Lars Von Trier 

Avatar ou Dogville? Steven Spielberg ou Alain Resnais? Blockbusters ou longas cult? Dentre as diversas vertentes do cinema, as que mais se destoam no público ocidental carregam peculiares visões, formatos e maneiras de contar uma mesma história. Uma é dita hollywoodiana, de boa reputação, com uma produção mais industrial e atraindo grande público. A outra busca inspirações nas vanguardas artísticas do velho continente, com a construção um cinema mais autoral, sem fórmulas prontas e despreocupando-se com o lucro da bilheteria.

Respeitando os aspectos de cada uma e as suas legiões de fãs, conversamos com o Prof. Dr. Wagner Pinheiro Pereira, do curso Cinema e Televisão: História e Linguagem da COGEAE-PUC-SP, e o crítico de cinema Christian Petermann para desvendarmos as idiossincrasias de cada formato. Basta você escolher o seu predileto e aproveitar a sessão.

Produção em massa x Arte

Desde a sua criação, a grande preocupação das empresas cinematográficas norte-americanas era pensar o filme como um produto comercial que no final deve render lucros nas bilheterias. Hollywood simboliza bem a fórmula, presente até hoje. O sucesso se consolidou a partir de um tripé: sistemas de estúdios, produção seguindo os moldes da indústria automobilística de Henry Ford e produção em série.

Assim, as empresas contam com vários departamentos especializados por diversos setores dentro de uma produção cinematográfica para produzir a maior quantidade em um menor tempo possível, consequentemente, com a melhor quantidade também. "Por isso que o cinema americano é visto como o de maior qualidade, enquanto que nos outros lugares as obras caminham no seu sentido mais artesanal", aponta Wagner Pereira.


Guerra nas Estrelas arrebatou uma multidão de fãs de todas as idades

Já o cinema europeu começou nos anos 20 e tomou como influência as vanguardas artísticas do velho continente - impressionismo, surrealismo, cubismo, futurismo - encabeçado principalmente depois que o crítico italiano Ricciotto Canudo escreveu, em 1911, o manifesto da sétima arte, tratando-o como forma de arte, um pincel que pinta 24 quadros por segundo.

Linguagem

Os EUA criam a narrativa cinematográfica clássica (ou naturalista), a partir do filme Nascimento de Uma Nação, de D.W. Griffith. A herança que temos até hoje - com a inclusão de alguns efeitos especiais - foi inspirada na ópera wagneriana, na literatura romântica do século XIX e no teatro clássico, onde o filme deve contar uma história com começo, meio e fim, sempre acompanhado de uma moral, institucionalizando o famoso happy end.

O objetivo é trabalhar com uma ideia de projeção e identificação do público com os personagens e histórias em cena. Para isso, trabalham com um enredo muito simples, apresentando o mundo maquiavélico e o embate do bem versus o mal - tudo bem delimitado para ter uma assimilação mais fácil. Personagens que cometem homicídio, adultério ou qualquer outro crime são punidos ou se regeneram no final da história.

As vertentes européias não se preocupavam com essa estrutura, não querem imprimir uma moral e nem transmitir um conteúdo mastigado. O fundamental para a película é proporcionar a contemplação das imagens e estar próximo da realidade. Seja o neorealismo italiano, a nouvelle vague francesa ou mesmo o filme ficcional, tudo fica muito mais próximo do documentário, apresentando aspectos do cotidiano, com ênfase nos pequenos fatos fortuitos da vida e valorizando o diálogo. "Muito comum nos cinemas europeus de hoje, a história não precisa de uma conclusão e o final pode ficar em aberto, ou seja, eles não têm a preocupação em ocupar a tensão do espectador", revela Wagner Pereira.

Autocensura e empatia com o público


Adeus Lênin!, o filme que fala sobre as mudanças da Rússia pós soviética

Para render lucros no estúdio, as produções hollywoodianas criaram duas coisas no começo do século XX: o código de autocensura e o star system (sistema de estrelato). O primeiro item visa isentar o filme de qualquer tipo de censura, seja dos órgãos do estado, regionais, igreja ou da própria sociedade. A partir desse código, alguns assuntos são proibidos e, se forem tratados no cinema, devem ser repudiados, como aborto, prostituição, homossexualidade e relações extraconjugais. Atualmente esse termo transformou-se na classificação etária.

O star system criava uma identidade entre o público e o enredo, aonde as pessoas iam para o cinema não apenas por causa de uma história em si, mas criavam uma empatia com a história dos personagens e esperam que a vida real desses atores e atrizes seja muito próxima dos interpretados na tela. Já o europeu preferiu apostar em uma montagem para manter o tempo real do sofrimento representado no filme. A exposição extensiva da realidade se dá com o mínimo de cortes e muitos diretores preferiam contratar não atores profissionais para representar na tela do cinema as suas próprias vidas.

Segundo o crítico Christian Petermann, o cinema hollywoodiano é uma indústria que investe em ideias seguras e tradicionais com a intenção de entreter todos os tipos de público. "Já uma boa parte do cinema europeu não tem tanto compromisso com o simples escapismo e não sente a necessidade de se manter fiel à cartilha mais careta de roteiro. Com isso, é uma produção que beneficia o autor e o cinema de arte, com buscas diferenciadas de estética e linguagem", explicita.

No Brasil


O Poderoso Chefão, de Frans Ford Coppola, considerada pelos críticos entre as melhores trilogias de todos os tempos 

Embora com uma exposição bem menor do que nas décadas passadas, a penetração do cinema de Hollywood do Brasil permanece hegemônica. Os filmes europeus, asiáticos ou latinos americanos ainda atendem a poucas salas de cinema especializado, mostras ou mesmo festivais e poucos conseguem ter uma importância relevante ou consiga ser fenômenos de bilheteria. A cultura blockbuster aposta na aceleração das ideias, produzindo filmes muito próximos a uma linguagem videoclíptica. As vanguardas européias - baseadas no tempo real com diálogos por vezes literais - espantam o público médio brasileiro, condicionado a cenas de ação, pouco diálogo e exploração exacerbada dos efeitos especiais.

Por outro lado, é importante perceber a importância do cinema hollywoodiano que, ao longo do século passado, enfrentou adversários de peso, desde o cinema revolucionário soviético, passando por vanguardas européias - realismo italiano, nouvelle vague francês, cinema livre inglês - até o cinema latino-americano. Segundo Wagner Pereira, o possível próximo grande adversário que pode abalar esse sucesso usa da mesma estratégia. "Bollywood utiliza os mesmos pressupostos estéticos, narrativos e comerciais da industria mais famosa, apresentando um cinema massificado e copiado, com um viés globalizado e em escala multicultural".

Confira a seleção feita pelo historiador de cinema Wagner Pinheiro Pereira sobre as grandes produções hollywoodianas e européias:

Cinema Americano: Cinema Europeu:
O Nascimento de uma Nação
O Garoto
...E o Vento Levou
Cidadão Kane
No Tempo das Diligências
A Felicidade Não se Compra
Um Corpo que Cai
Cantando na Chuva
Sindicato de Ladrões
Ben-Hur
O Poderoso Chefão
Guerra Nas Estrelas
E.T. O Extraterrestre
Blade Runner - O Caçador de Andróides
Avatar
Viagem a Lua
Um Cão Andaluz
O Encoraçado Potemkin
Metrópolis
Napoleão
O Martírio de Joana D'Arc
Ladrões de Bicicleta
Acossados
Hiroshima, Meu Amor
O Sétimo Selo
Cinema Paradiso
A Dupla Vida de Véronique
Cidade dos Sonhos
Dogville
Adeus, Lênin!


Atualizado em 10 Abr 2012.

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