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Teatro
Por Redação Guia da Semana

Prêmio Shell elege o melhor do teatro paulistano

Com duas estatuetas cada uma, as peças Salmo 91 e Vemvai- O Caminho Dos Mortos foram os destaques da noite.

Du Moscovis, Ângelo Antonio, Liana Castro e José Wilker
Foto: Arthur Santa Cruz


Discursos, risadas e um convite à mobilização de grupos teatrais em todo país para o próximo dia 27 (Dia do Teatro) marcaram a 20ª edição do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo. Na cerimônia, realizada nesta terça-feira no Jardim Europa, nomes consagrados da classe teatral participaram da premiação que elegeu dentre os vencedores, Dib Carneiro como melhor autor e o ator Rodolfo Vaz pelo espetáculo Salmo 91, Lúcia Romano como atriz e Cibele Forjaz como diretora por VemVai- O Caminhos dos Mortos.

Apresentado por José Wilker, o evento começou com a anunciação da categoria melhor autor. Dib Carneiro foi o ganhador com a adaptação de Carandiru, de Drauzio Varella e apesar de se sentir honrado sugeriu em seu discurso que a Shell realizasse novos desafios para os anos seguintes e disse que não concordou com os espaços em branco no quesito de autoria. Apenas ele e Daniela Pereira de Carvalho, dramaturga de Por Uma Vida Um Pouco Menos Ordinária, concorreram esse ano.

Na seqüência, o merecedor do melhor cenário Gilberto Gawronsky sensibilizou seus colegas dizendo com esperança que luta pela arte: "O teatro sempre foi um lugar para se dizer algo que presta". Márcio Vinicius, anunciado em seguida, ganhou como melhor figurino pela peça Divinas Palavras e Johan Alex recebeu o prêmio de música pelo espetáculo Aos Que Virão Depois De Nós.

Ilo Krugli, lendo seu discurso
Foto: Arthur Santa Cruz
Foi então o momento do homenageado da noite. José Wilker chamou ao palco o ator, diretor e artista plástico argentino Ilo Krugli, fundador do grupo Ventoforte, que ajudou a escrever um capítulo novo na história do teatro brasileiro para crianças e jovens. Em palavras bem humoradas, Ilo contou um pouco de sua trajetória e deixou algumas mensagens: "Acho que a liberdade, fraternidade e igualdade da Revolução Francesa valem a pena", quando se ouviu da platéia apenas um aplauso, e então ele continuou... "Deve ser a alma de Vitor Hugo", arrancando risos dos convidados presentes.

Depois do seu discurso que foi o mais longo, era hora de começar a falar dos atores, atrizes e diretores. Mas antes, na categoria especial a Tribo de Atuadores Oi Nóis Aqui Traveiz foi recompensada pela pesquisa e criações coletivas do espetáculo Aos Que Virão Depois De Nós. A trupe convocou a todos a participar da manifestação que os artistas brasileiros farão no dia 27, "O teatro de grupo estará organizado nas ruas lutando a favor de uma implementação da política de estado que atenda a um trabalho continuado".

O momento bastante aguardado pelo público, começou com a indicação de melhor ator: Rodolfo Vaz foi o escolhido pela interpretação de Salmo 91. Ele não pôde comparecer porque naquele exato momento estava no Rio de Janeiro apresentando o espetáculo com o resto do elenco. Em seu lugar, o ator Cláudio Fontana leu um discurso que ele havia preparado se caso ganhasse: "É uma pena eu não estar aqui, mas uma alegria continuar em cartaz". O fundador dos Satyros termina seu discurso à distância em clima de descontração: "E Viva a Praça Roosevelt".

Cibele Forjaz ao ganhar o prêmio
Foto: Arthur Santa Cruz
Surpresa ao ouvir seu nome no microfone, Lúcia Romano foi eleita melhor atriz por sua performance em Vemvai-O Caminho Dos Mortos. Logo depois, a última e grande revelação do evento foi Cibele Forjaz que ganhou como melhor diretora da mesma peça. Empolgada com a vitória, ela explica o significado do momento, "Já desejei tanto um Prêmio Shell... São 25 anos de trabalho coletivo. Fiz de tudo um pouco. Sou uma mulher do teatro. Mas os prêmios vêm na hora certa, quando eles talvez não importem mais, quando o diretor passa a não ser nada. Apenas olhos e ouvidos para os atores e para o grupo. Eu acredito que o teatro vai mudar esse país."

O prêmio para cada categoria foi uma escultura em metal com a forma de uma concha dourada que simboliza a marca Shell e uma quantia de oito mil reais. José Wilker encerrou a celebração com uma frase que ouviu há muitos anos: "Um povo que não ama, não respeita e não privilegia seu teatro, se não está morto está moribundo".

Confira a lista dos vencedores do 20º Prêmio Shell de São Paulo:
A melhor atriz Lúcia Romano
Foto: Arthur Santa Cruz
Autor:
Dib Carneiro Neto, por Salmo 91

Direção:
Cibele Forjaz, por Vemvai - O Caminho Dos Mortos

Ator:
Rodolfo Vaz, por Salmo 91

Atriz:
Lúcia Romano, por Vemvai - O Caminho Dos Mortos

Cenário:
Gilberto Gawronski, por Por Uma Vida Um Pouco Menos Ordinária

Figurino:
Márcio Vinícius, por Divinas Palavras

Iluminação:
Fábio Retti, por O Homem Provisório

Música:
Johann Alex de Souza, por Aos Que Virão Depois De Nós KASSANDRA IN PROCESS

Categoria especial:
Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, pela pesquisa e criação coletivas do espetáculo "Aos Que Virão Depois de Nós KASSANDRA IN PROCESS"

Homenagem:
Ilo Krugli, pelo espírito de resistência e relevante contribuição ao teatro brasileiro.

Atualizado em 6 Set 2011.

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