Guia da Semana
Teatro
Por Redação Guia da Semana

Teatro da vida alheia

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Ultimamente tenho investido algum tempo em viagens de avião. Parece brincadeira, mas se considerarmos toda a eternidade que passo preso em aeroportos como sendo horas de consultoria, ou seja, se alguém estivesse me pagando (e eu trabalhando, lógico!) eu já conseguiria ter investido bons reais em um desses fundos de ações que não param de subir, ou em outros, de dólares, que não param de cair - quem continua investindo nisso?!

Mas voltemos ao assunto aeroporto. Fico impressionado com a quantidade de "madames" que se produzem todas pra viajar de avião e acabam por perder as estribeiras na sala de embarque - os executivos de meia-tigela também! Isso acontece muito quando o vôo é atrasado pela segunda ou terceira vez, ou quando resolvem cancelar. Chega-se ao cúmulo de ouvir palavrões sendo disparados de bocas que antes eram julgadas como sendo de extrema pompa e bom gosto, apesar de muita gente que roda nos aeroportos comer ovo e arrotar caviar.

Nesse momento, você, caro leitor, deve estar pensando em quantas vezes já não viu isso acontecer. Eu diria que, pelo menos, uma meia-dúzia. Agora, pense em quantas aconteceram nos últimos sete meses... todas?!

Comigo a coisa parece andar nesse ritmo. Todo mês vejo uns três ou quatro surtos psicóticos incontroláveis nos aeroportos do Rio e de São Paulo, lugares por onde costumo passar com mais freqüência. Um mais estranho que o outro. Parece que as pessoas resolvem extravasar toda a angústia de uma vida na coitada da atendente da companhia aérea que não fez nada de errado, além de ter escolhido um emprego que a colocasse parada alí, a única a quem você poderia recorrer em caso de qualquer coisa, como a vontade incontrolável de esganar alguém e, assim, conseguir se teletransportar para o conforto do seu lar.

Uma delas me confessou ter ficado diabética de tanta pressão que sofreu. Segundo reza a lenda (uma das que escutei), a senhorita de vinte e poucos anos, loira, estatura média, magra - em torno dos 55, 60 quilos - bonita e vestida com aquelas roupas bem características, passou meia hora tentando acalmar uma manada de homens descontrolados, que tentavam invadir a área de embarque e sair correndo pra um avião que nem estacionado estava. Eu, no lugar dela, teria salvaguardado minha saúde e deixado os passageiros se divertirem pelos túneis, corredores e salas, até serem devidamente presos e não viajarem a hora nenhuma, cenário muito pior do que o de antes de tentarem a revolução.

Pra todos aqueles que se sentem de alguma forma descritos acima, eu diria que falta a vocês muita coisa, só não esperem que eu fique aqui escrevendo a esse respeito. Já investi meu tempo muito mal pra ficar fazendo juízo de valor pejorativo dos outros. O que tenho a dizer é que esse perfil de pessoa já passou a ter uma função social.

Como sempre existiu na história da raça humana, a política do pão e circo continua ativa sempre que balbúrdias começam a incomodar. Nos aeroportos não é diferente: temos os leões, vulgo passageiros e passageiras descontrolados e inconseqüentes, tentando arrasar com a saúde, integridade - pessoal, familiar e física - e com a paciência das indefesas pessoas que ficam alí, recebendo um infinito menos do que mereceriam por todo aquele esforço e incontáveis tentativas de ajudar, esperando a hora de entregar os pontos, ou deixá-los embarcar. É um teatro: são os "artistas da vida" assumindo papéis irretocáveis e atuando de forma primorosa!

Depois de chegar a essa brilhante conclusão, resolvi não mais ligar o computador no aeroporto e parar de ter esses lapsos de extrema preocupação com a vida alheia. Que façam o que quiserem e boa viagem!


Leia as colunas anteriores do Hélio:

? Bufana-Bufana: o colunista foi à África do Sul e conta como o sucesso financeiro é quase garantido a alguns negros.

? Pobre bom gosto...: para o colunista, dinheiro não é sinônimo de bom gosto. Ele está nas coisas simples da vida!

? Personalidade do ano: como a internet tem facilitado o boom dos anônimos.

? Liberdade mesmo que tardia: um mundo de compras e possibilidades a dois cliques de distância.




Quem é o colunista: Hélio Mata Machado

O que faz: Gerente Regional do Instituto Empreender Endeavor e iconoclasta nas horas vagas

Pecado gastronômico: Cafeína

Melhor lugar do Brasil: Aeroporto de Congonhas

Fale com ele: [email protected] ou acesse o blog do autor


Atualizado em 6 Set 2011.

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