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Teatro
Por Redação Guia da Semana

Teatro Oficina

Companhia tradicional de São Paulo comemora 50 anos com temporada no Rio de Janeiro.

Foto: L. Ushirobira
A Terra

A Cia. de Teatro Oficina Uzyna Uzona completa 50 anos em 2008. Para dar início ao ciclo de comemorações, o espetáculo Os Sertões ganha temporada itinerante por três capitais brasileiras. Depois de passar por Salvador (BA) e Recife (PE), a última parada é o festival RioCenaContemporânea, que acontece no Centro Cultural da Ação de Cidadania, no Rio de Janeiro.

Foto: L. Pinheiros
A Luta II
A saga narrada por Euclides da Cunha ganhou adaptação para o teatro nas mãos do diretor, ator e fundador da companhia José Celso Martinez Corrêa. Em entrevista ao Guia da Semana, Zé Celso explica que a recriação do Oficina propõe um trabalho de "desmassacre", uma viagem de transformação de indivíduos, que se inspiram na força daqueles que não se entregaram. Tamanha complexidade, o espetáculo tem 26 horas e é dividido em cinco partes: A Terra, O Homem 1 - Do Pré-Homem a Revolta, O Homem 2 - Da Revolta ao Trans-Homem, A Luta e A Luta 2. Essa é a primeira vez que o projeto completo viaja.

Uma equipe de 70 pessoas, entre músicos, atores, bailarinos e técnicos, cai na estrada com cinco toneladas de cenário e mais de dois mil figurinos. Ainda assim, chegando à cidade do espetáculo, há reforço técnico e mais 15 adolescentes entram em cena depois de participarem de uma oficina desenvolvida pelos atores Camilla Mota, Zé de Paiva e Freddy Allan. Além disso, o diretor explica que a peça possui brechas no roteiro, que permitem a inclusão de cenas e improvisos que dialoguem com a vibração do público local.

O trabalho começou em 2000, com muita pesquisa e oficinas preparatórias com mais de 200 atores. Dois anos mais tarde, estreou o primeiro capítulo. Dali em diante, os episódios da saga estrearam um seguido do outro (Homem 1 e 2 em 2003, Luta 1 em 2005, Luta 2 em 2006). Durante todos esses anos de processo, Os Sertões recebeu importantes prêmios como Shell e da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

Foto: L. Pinheiros
O Homem II

Tudo começou em 1958, quando estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, se reuniram para formar a Cia. Uzyna Uzona. Zé Celso lembra que o grupo não se alinhava a nenhum dos partidos existentes e não assumia nenhuma posição diante do embate entre os EUA e a URSS. Por isso, criaram um departamento cultural. Os três primeiros espetáculos foram sob direção de Amir Haddad, A Ponte (1958) de Carlos Queiroz Telles, Vento forte para um papagaio subir (1958) e A Incubadeira (1959) de Zé Celso. Foram realizadas mais três montagens até que a companhia se instalasse no espaço até hoje utilizado, no bairro do Bixiga, em São Paulo. Em 1966, um incêndio destruiu as instalações.

Zé Celso
Os arquitetos Flávio Império e Rodrigo Lefrévre encabeçaram o projeto de reconstrução. A companhia continuou com seus trabalhos, engatando na revolução tropicalista de Oswald de Andrade com o espetáculo O Rei da Vela, em 1967. As montagens incomodavam muito o regime militar, até que a polícia invadiu a sede do Oficina e levou Zé Celso preso. O diretor ficou exilado em Portugal junto com outros integrantes da companhia. Lá, organizaram uma nova sede, bem no prédio onde havia sido o centro de tortura da ditadura salazarista.

Segundo estudo realizado pela antropóloga Isabela Oliveira e premiado pelo programa Rumos do Itaú Cultural, a companhia diminuiu a produção de peças teatrais no Brasil e se dedicou à produção audiovisual. Esse material, quase inédito, está guardado no acervo da Unicamp e na sede do Oficina. A reocupação do teatro se deu em 1978, quando a companhia apresentou ao público brasileiro as montagens realizadas em Portugal. Durante a década de 80, o Oficina iniciou o projeto da TV Uzyna. De acordo com Isabela, muitos programas foram produzidos, mas nunca veiculados. O uso do vídeo se perpetuou com a transmissão ao vivo pela internet do espetáculo Boca de Ouro. A TV Uzyna funciona hoje como um canal do site oficial.

Em 10 de fevereiro de 1983, o Teatro Oficina foi tombado como bem cultural de interesse histórico. O antigo proprietário pretendia vendê-lo para o Grupo Silvio Santos, que ainda hoje batalha pela construção de um shopping center na área. As obras do teatro tiveram início em 1986, na gestão de Celso Furtado no Ministério da Cultura. O projeto arquitetônico é assinado por Lina Bo Bardi e Édson Elito. A conclusão do trabalho se deu somente em 1993, um ano após a morte de Lina. Em meio as construções antigas do tradicional bairro de imigração italiana, o Bixiga, em São Paulo, a arquitetura do teatro é considerada mundialmente uma obra de arte, premiada com Medalha de Ouro na Bienal de Praga.

Projeto do Teatro de Estádio

Em 25 de janeiro de 2007, Zé Celso lançou a Proclamação do Anhangabaú da Felicidade, que une forças pela construção de um Teatro de Estádio, idealizado por Oswald de Andrade no manifesto Do Teatro que é Bom em 1943, e uma Universidade Popular Antropofágica e Oficina de Florestas no entorno do teatro. Essa é uma briga boa, pois corre o projeto para permissão do shopping center de Silvio Santos. Contudo, Zé Celso defende a preservação dos 300 metros ao redor do teatro, que devem ser reconhecidos como parte do patrimônio tombado, e não pretende desistir.

Os Sertões. Centro Cultural da Ação de Cidadania - Av. Barão de Tefé nº 75, Saúde. 2233-7460. 2 a 14 de outubro (A Terra 2 e 10, O Homem 1 4 e 11, O Homem 2 5 e 12, A Luta 1 6 e 13 e A Luta 2 7 e 14). Quarta e sexta, 20h; sábado e domingo, 18h. R$ 15,00.


Atualizado em 6 Set 2011.

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