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Por Redação Guia da Semana

A alegria da Aldeia Cantagalo

A colunista Rosane Volpatto conta como foi conhecer os habitantes de uma reserva indígena.



Crianças da Aldeia Cantagalo: idioma diferente, brincadeiras parecidas
Foto: Rosane Volpatto

Surpreendente é a forma como são tratadas as crianças nas aldeias indígenas, em especial as que conheci dentro da Reserva Guarani do Cantagalo, do município de Viamão. Elas são consideradas herdeiras, que passarão de uma geração para outra a cultura de seu povo e, portanto, são seres muito importantes para a comunidade.

A seriedade com que encaram essa missão é revelada no aprendizado da língua, pois não encontrei nenhuma criança que falasse português. Até o próprio cacique tinha aprendido minha língua há pouco tempo. Dá para imaginar a dificuldade que encontrei para me fazer entender por essa tribo...

Foto: Rosane Volpatto
Para o meu total deleite, pude apreciar em todos os fins de tarde, as meninas guaranis reunidas em roda, dançando e cantando "Tangará" - uma cantiga indígena. A dança é ritmada por "pulinhos", imitando os movimentos do pássaro de mesmo nome. Já os meninos, guiados pelo Xondaro (Guardião da Aldeia), Wherú Poty, desenvolviam uma dança masculina, considerada a "arte marcial indígena", que deu origem ao que conhecemos hoje como capoeira. Essa dança tem como principal objetivo a saúde, o equilíbrio e é um treinamento para tornar seus participantes aptos para guardar a aldeia.

Foto: Rosane Volpatto
Foi o próprio Wherú Poty que me explicou: "Dançamos para relembrar nossos ancestrais e buscar força física e espiritual". É no canto, na dança e na religiosidade que o pequeno guarani encontra a alegria de viver e aprende a cultura de seu povo. É cantando e dançando para os visitantes da aldeia, que os guaranis podem mostrar aos juruas (nome que dão ao homem branco) que a tradição indígena ainda está viva.

Permaneci por longo tempo observando aquelas crianças, que riam, cantavam e rezavam sempre amparados por seus "parentes". A emoção que me passaram foi tão grande, que não pude conter as lágrimas...

Jamais vou entender como crianças tão carentes de necessidades materiais possam ser tão felizes. Pobres de nós juruas, que possuímos tanto e ainda assim, nos consideramos infelizes...!



Quem é a colunista: Rosane Volpatto, uma amante das belezas naturais do nosso país.
O que faz:estudo e pesquiso sobre o Folclore Brasileiro. Aproveite e dê uma passadinha para me visitar: www.rosanevolpatto.trd.br.
Pecado gastronômico: uma suculenta macarronada, bem italiana!
Melhor lugar do Brasil: meu lar, junto de meus filhos.

Fale com ela: [email protected]


Atualizado em 6 Set 2011.

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