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Por Redação Guia da Semana

A chácara de Maria Antônia

Como surgiu a história da rua que leva o nome de uma senhora da elite paulistana.

Foto: Carolina Teixeira


Passear envolve descobertas porque, além de descansar, aprendemos muito, não só com o passeio em si, mas com tudo o que o envolve.

As ruas, por exemplo, carregam muitas histórias, em seus nomes, suas casas ou em seus asfaltos. Podem ser acontecimentos históricos marcantes, ou uma homenagem a uma personagem.

Em São Paulo, a Rua Maria Antônia, localizada próximo a Rua da Consolação e Avenida Higienópolis, é interessante pelas duas razões. Seu nome foi escolhido em homenagem a uma senhora da elite paulistana. Ali ficava sua chácara. Foi considerada uma das inauguradoras do bairro.

O tempo passou e Dona Maria vendeu seu pedaço de terra para a então Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente, parte desta terra é uma rua que leva seu nome e se transformou no ponto de encontro de estudantes.

Mas nem sempre foi um ponto de encontro somente para diversão. No período de política rígida brasileira e transformações administrativas, os estudantes eram politizados, se envolviam e desejavam participar assiduamente dessas mudanças. Quando direita e esquerda se encontravam, as discussões iam além da conversa de bar.

A Rua Maria Antônia conta muito desses comportamentos. Suas ruas e calçadas eram utilizadas por estudantes da direita (Mackenzie) e da esquerda (USP) - curioso que os prédios ficam em lados opostos da rua. Um dia, as brigas foram além de ovos jogados. Pedras, pauladas e outras armas possíveis fizeram parte da discussão destes alunos. Começou ali, mas não terminou ali. A polícia foi acionada, estudantes foram presos e alguns mortos.

A rua não guarda vestígios do acontecimento, o prédio do Mackenzie continua lá, o da USP também. Porém, agora, abriga o Centro Universitário Maria Antônia da USP. Dia e noite pedestres se intercalam em passeios por barzinhos, lojas, restaurantes e até uma passadinha no SESC Consolação, mas muitos não sabem da representação histórica deste lugar.

Assim são as ruas pelas quais passamos tantas vezes na correria do dia a dia, que nem nos damos conta da razão de seus nomes ou fatos históricos. Já se perguntou por que a rua de comércio no Rio de Janeiro se chama Saara? Ou a escolha de Avenida dos Navegantes para uma das principais ruas de Porto Seguro? Porque 10 de dezembro foi a data escolhida para ser uma rua em Londrina? Por que Iracema é uma praia em Fortaleza? Mergulhar nos nomes dos lugares pode ser o aperitivo essencial para um passeio realmente inesquecível e completo.

Leia as colunas anteriores de Carolina Teixeira:

Testemunhas históricas

Ao Ar Livre

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Quem é a colunista: Carolina Teixeira, 24 anos, turismóloga e estudante de jornalismo.

O que faz: É consultora educacional de intercâmbio cultural, se entregou ao mundo do turismo, pois, desde que se conhece por gente, fica mudando de um lugar para outro.. Também come, fala (muito), dorme, se diverte e viaja igual a tantos, além de escrever vez ou outra.

Pecado gastronômico: Café (não importa como), uma boa massa, sorvete no frio, bolinho de chuva e sonhos aos domingos.

Melhor lugar do Brasil: São Paulo.

Fale com ela: carolinatex @gmail.com ou acesse seu blog



Atualizado em 6 Set 2011.

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