Guia da Semana
Turismo
Por Redação Guia da Semana

A cidade e o poeta

Um livro sobre Lisboa, escrito por Fernando Pessoa, foi a inspiração para um jornalista brasileiro se aventurar e redigir o seu próprio guia, apresentando a cidade sob a lente da poesia.

"Convidaremos agora o turista a vir conosco. Servir-lhe-emos de cicerone e percorreremos com ele a capital, mostrando-lhe os monumentos, os jardins, os edifícios mais notáveis, os museus - tudo o que for de algum modo digno de ser visto nesta maravilhosa Lisboa".

Quem abre as portas da Cidade Alegre e Triste é Fernando Pessoa, maior escritor em língua portuguesa em Lisbon: what the tourist should see. Datado de 1925 e escrito originalmente em inglês e português, o livro nada mais é do que um guia de viagens sobre a capital lusitana, achado entre os escritos encontrados em um baú após sua morte.

Editado a primeira vez em 2006, a obra virou sensação por apresentar a cidade pela lente do poeta. E o fascínio pela narrativa serviu de inspiração para João Correia Filho, jornalista brasileiro que acaba de lançar Lisboa em Pessoa: Guia turístico e literário da capital portuguesa pela Editora Leya.

Fotos: João Correia Filho/Ed.Leya

Vista panorâmica da Baixa Pombalina, bairro-símbolo da capital lusitana

"Embora não seja um texto literário, Pessoa descreve Lisboa a partir de uma viagem de carro. O itinerário passa pelos principais pontos da cidade da época, apresentando um mapa bem completo, no entanto confuso, sem grande conexão entre as regiões apresentadas", explica o autor, que trabalha há mais de 10 anos utilizando a literatura como tema e/ou pano de fundo para suas matérias e viagens.

O trabalho de Correia Filho foi destrinchar e amarrar os itinerários a partir dos caminhos propostos pelo poeta no formato dos atuais guias de viagem. Ao total, são sete percursos colhidos da obra original.

O brasileiro acrescentou ainda quatro itinerários extras, abordando a região do Oriente, bairro degradado à época de Pessoa e hoje polo da vida cultural da cidade; a Lisboa do escritor Eça de Queiroz; a vizinha e medieval Sintra e um roteiro só com cafés e livrarias lisboetas. Um guia de sobrevivência com informações sobre transportes e hábitos e mapas de referência completam a obra, com todas as partes ilustradas pelo olhar foto-jornalístico do autor.

Para dar um pouco do gostinho dessa cidade imemorial, terra de saloios e alfacinhas (nomes carinhosos e populares para os homens e as mulheres lisboetas), conheça melhor sete pontos turísticos da cidade que inspirou Fernando Pessoa. Os comentários iniciais entre aspas sobre cada local são de Correia Filho - com exceção do Miradouro de São Pedro de Alcântara, um dos pontos preferidos do poeta e por ele apresentado.

Casa Fernando Pessoa

"É um centro cultural montado na casa que Pessoa viveu os últimos 15 anos de sua vida. O espaço é muito interessante, tanto que costumam chamar de casa-poema, pois a própria configuração interna é bastante criativa, poética. Lá também se pode ver a maquina de escrever que o autor usava, na qual escreveu muitos de seus poemas mais famosos".

Além das atrações indicadas por Correia Filho, o local abriga a biblioteca particular do autor, com cerca de 1.200 títulos, e uma biblioteca especializada nele, com milhares de publicações de todo o mundo sobre o universo pessoniano.

Casa de Fernando Pessoa
R. Coelho da Rocha, 16, Bairro do Rato
De segunda a sábado, de 10h às 18h
Entrada gratuita

Café Martinho da Arcada

"É o bar que ele frequentava assiduamente, praticamente o escritório dele, pois era autônomo e não tinha um ponto comercial próprio. Nesse local, ainda hoje, estão expostos a mesa e alguns utensílios usados pelo escritor durante suas reuniões de trabalho e tertúlias."

No mesmo lugar desde 1782, é o café mais antigo de Lisboa, localizado na região conhecida como Baixa Pombalina, totalmente reformada após o terremoto de 1755. Por ser tão comum ao autor à época, ficou de fora do livro escrito por Pessoa. Hoje é um dos principais pontos turísticos da cidade.

Café Martinho da Arcada
Praça do Comércio, 3, Bairro Alto
Diariamente, de 12h30 às 15h e de 19h às 22h
Entrada gratuita

Foto: João Correia Filho/Ed.Leya

Próximo ao Mosteiro dos Jerónimos, o Centro Cultural do Belém traz mostras de arte contemporânea ao tradicional bairro

Museu Nacional de Arqueologia

"Não chega a ser uma descoberta, mas é um local que costuma passar despercebido pela maioria dos turistas, por ficar ofuscado pelo Mosteiro dos Jerónimos, construção ao seu lado. No entanto, é um museu muito interessante, com múmias e descobertas egípcias bem surpreendentes".

A instituição, na verdade, ocupa uma das antigas alas de dormitórios do famoso mosteiro. São duas exposições permanentes: a egípcia, já citada, e uma de antiguidades e arqueologia portuguesa, e grande programação de exposições temporárias.

Museu Nacional de Arqueologia
Praça do Império, 1.400, Belém
De terça a domingo, de 10h às 18h
Preço: 5 Euros
Entrada gratuita no domingo e em feriados de 10h às 14h

Livraria Fabula Urbis

"Uma livraria especializada em livro (históricos, de ficcção, fotográficos e guias) sobre Olissipo, a Cidade alegre triste e tantos outros nomes para Lisboa. Dona de um acervo incrível, foi ali que encontrei muitas referências para escrever meu guia, sem contar que o dono, João Pimentel, conhece muito de literatura e de história."

Fundada em 2007, são mais de 400 obras diretamente relacionada à cidade, como o documentário What the Tourist Should See, gravado em inglês pelo diretor português José Fonseca e Costa e também inspirado no livro-guia do medalhão luso (em português, o título chama-se Os Mistérios de Lisboa). A Fabula Urbis conta ainda com um espaço cultural onde são realizados lançamento de livros, tertúlias (os nossos saraus), exposições e apresentações musicais.



Livraria Fabula Urbis
R. de Augusto Rosa, 27, Baixa
Diariamente, de 10h às 14h e de 15h às 20h

Oceanário de Lisboa

"O bairro do Oriente não é nem citado por Fernando Pessoa, pois era uma região degradada da cidade. Hoje é uma grande referência turística da cidade por conta da inauguração do Parque das Nações para a EXPO 98."

Uma das partes do Parque das Nações, o Oceanário de Lisboa foi desenhado pelo arquiteto norte-americano Peter Chermayeff. A grande construção tem mastros que remetem às caravelas e às glórias do período histórico do expansionismo português e conta com 15 mil exemplares de 200 espécies de seres marinhos, de tubarões, arraias e tartarugas, fora as plantas. Os espaços reproduzem diferentes biomas marinhos, como o Indico Tropical, Atlântico Norte, entre outros.

Oceanário de Lisboa
Doca dos Olivais, Parque das Nações, Oriente
Diariamente, de 10h às 20h
Preços: de 3 a 12 Euros

Castelo dos mouros

"Em Sintra, é emocionante passear pelas muralhas desse castelo deixado pelos árabes. Uma herança arquitetônica incrível, muito bem preservado, e que possibilita uma visão panorâmica dessa cidade, perdendo os olhos até a linha do mar".

A 25 quilômetros de Lisboa, Sintra é um dos passeios preferidos dos lisboetas devido ao seu clima ameno de região serrana e suas características medievais, com ruas estreitas feitas de pedra e diversos castelos, como o dos mouros, construção do século VIII a 500 metros do nível do mar.

Castelo dos mouros
Estrada da Pena, 56, Sintra
Diariamente, de 10h às 18h (outubro a março) e de 9h30 às 20h (abril a setembro)

Miradouro de São Pedro de Alcântara

"Saímos e voltamos à direita, e um pouco mais à frente encontramos São Pedro de Alcântara, um terraço onde se obtém uma das mais belas vistas de grande parte da cidade. Daqui se podem ver várias colinas da parte oriental de Lisboa - Castelo, Graça Senhora do Monte, Penha de França -, boa frente, na margem sul, o Barreiro, Alcochete, etc. À noite, o panorama é igualmente extraordinário". (Fernando Pessoa, Lisboa: o que o turista deve ver)

No português do Brasil chamamos miradouro de mirante, e Lisboa tem vários. O de São Pedro de Alcântara (homenagem a D. Pedro I) destaca-se não só pela paisagem descrita por Pessoa, mas também pelo belo jardim na parte inferior e pelo pátio, ponto de encontro dos jovens.

Miradouro de São Pedro de Alcântara
R. de São Pedro de Alcântara, Bairro Alto

Para saber mais:

Lisboa em Pessoa - Guia turístico e literário da capital portuguesa
Autor: João Correia Filho
Formato: 16 x 23 cm, em brochura
376 páginas
Preço: R$ 79,90
Editora Leya


Atualizado em 6 Set 2011.

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