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Turismo
Por Redação Guia da Semana

A Índia surpreende

No segundo texto da série, o colunista fala da convivência do milenar com o moderno: a eficiência do aeroporto e a fila de táxis e riquixás do lado de fora.

Foto: Arnaldo T. Affonso


No aeroporto internacional Indira Gandhi, logo no primeiro dia de viagem: "Namaste!" ("O deus que há em mim saúda o deus que há em você"), disse o Sr. Varum, nosso receptivo em Delhi, assim que lhe acenamos de longe, identificando nossos nomes na enorme placa da Luxe India segurada à altura de seu peito. Encontrar nosso receptivo e ler nossos nomes assim que saímos da área de desembarque do aeroporto exterminou de vez minha ansiedade, um certo medo de que ele não estivesse ali para nos receber e nos conduzir ao nosso hotel, ainda que tivéssemos um "plano B". 

Acompanhando-nos de longe com olhar atento, recebeu-nos com simpatia, formalidade profissional e um sorriso que encerrou de vez aquilo que eu imaginava ser o impacto da chegada. Afinal, o preparo fora para "enfrentamento", não para "encontro" no primeiro contato com a Índia.  O novíssimo, bonito, luxuoso e funcional aeroporto, a eficiente imigração e a rápida recuperação de nossas malas foram cruciais para que eu achasse a chegada tranquila e amistosa, mesmo com o adiantado da noite.   

Já fora do aeroporto, percebi uma inesperada e organizada fila de táxis comuns e especiais, outra de ônibus, uma de riquixás e de mais uma de carros particulares, tudo extrema e completamente civilizado, tão diferente do que eu havia lido acerca do antigo e tenebroso aeroporto de Nova Délhi. Uma moderna, iluminada, clara e refrigerada passarela conduziu os carrinhos de malas, nós e o receptivo ao estacionamento com capacidade para quatro mil carros de um aeroporto que causaria inveja e vergonha mortal a Galeões e Cumbicas brasileiros!

Chegava à Índia rindo de mim mesmo, de meus excessos de preocupação e do que eu arquitetara como "plano B" para o caso de um eventual desencontro com o receptivo: o desvio de centenas de mendigos, ser disputado por um milhar de taxistas tentando me convencer a escolher qual me levaria ao hotel (mas que só Krishna poderia saber se eu chegaria), me desvencilhar de homens oferecendo o carregamento de nossas malas e cruzar o caminho sagrado de vacas pastando solenemente entre carros e riquixás. O sorriso renitente sugeria alegria, mas disfarçava a vergonha de mim mesmo.

O choque do enfrentamento ao primeiro encontro, tudo aquilo que de pior imaginei, a singela amostra do que nos esperava dali por diante não aconteceu. O que eu imaginara ruiu como um castelo de cartas.  Nada poderia ser mais tranquilizador. Ter alguém confiável e amável esperando por nós à meia noite no aeroporto de Delhi foi perfeito e, desde que saímos do avião e entramos no carro, nos fez pensar que toda a viagem poderia ser muito mais prazerosa do que supúnhamos.

Leia a coluna anterior de Arnaldo T. Affonso

A Índia requer preparo

Quem é o colunista: Viajante, turista, fotógrafo e escritor amador de viagens.

O que faz: Empresário.

Pecado Gastronômico: Comer mais do que precisa e menos do que mereça.

Melhor lugar do mundo: O Rio de Janeiro (ou qualquer outro ao lado de minha mulher).

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Pat Metheny Group.

Fale com ele: interatabr@yahoo.com.br ou visite seu blog.



Atualizado em 6 Set 2011.

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