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Por Redação Guia da Semana

A São Silvestre e a minha vida

O melhor passeio para se fazer nas tardes de 31 de dezembro.

Foto: Sxc.Hu


Fiquei sabendo de uma pessoa obesa que largou o sedentarismo, perdeu 70 quilos e ficou emocionada ao completar os 15 km da São Silvestre, a corrida de rua mais famosa do Brasil. Outro participante tinha passado por mais de dez cirurgias, incluindo operações no coração e no joelho. Ele também terminou a prova.

Nesse aspecto, a minha história ainda não é uma lição de vida. Minha perda de peso foi ainda na adolescência e, tirando algumas pequenas lesões, ainda não passei por um grande trauma nesses meus 22 anos. Mesmo sem parecer emocionante, eu me emociono. Devo muito à corrida de São Silvestre.

Como o público geral, só prestava atenção em corrida de rua no último dia do ano (será que por falta de opção esportiva na TV?) e sempre via aquele tal de Paul Tergat estourar o champanhe no Réveillon. Aos 17 anos, após um ano na academia e no peso ideal, me veio o estalo: será que é tão difícil correr como esse cara?

E como é. A velocidade de 18 a 20 km/h, que ele mantinha por 45 minutos, eu, que já estava razoavelmente bem preparado, conseguia manter por dois ou três minutos antes de desabar. Apesar de ter desistido de chegar junto com o queniano, não desisti de correr. De acordo com o que tinha treinado, terminei a minha primeira São Silvestre (2004), com 18 anos, em 1h30. Foi o dobro em relação ao queniano vencedor, Robert Cheruiyot. Mas foi nesse momento que veio outro estalo.

Por que eu não usaria esse gosto por corridas para algo mais "útil"? Foi no futebol, minha principal inspiração para fazer jornalismo, que eu achei essa resposta. No ano seguinte fiz um curso na Federação Paulista de Futebol para ser árbitro, função que continuo exercendo até agora, alguns anos depois.

Antes das mudanças nos rigorosos testes físicos da Fifa, eu levava a corrida de rua juntamente com a arbitragem. Ainda deu, em 2006, para abaixar o meu tempo naquela chuvosa São Silvestre em dez minutos. Depois disso, os treinamentos já não são os mesmos da época que eu comecei a correr. Uma corrida de 15 quilômetros não está no cronograma de um árbitro de futebol.

As corridas são muito mais intensas, mas com tempos e distâncias menores, que nunca passam dos cinco quilômetros. São vários "tiros curtos" (corridas intensas), intercaladas com descansos de alguns segundos. Entretanto, neste ano fiquei com saudades da São Silvestre. Em suma, não consigo não corrê-la quando sei que vou passar o Réveillon em São Paulo.

Após o teste físico semestral dos árbitros, realizado no final de novembro, fiquei com apenas um mês para me preparar para a prova. Não foi o treinamento adequado, mas foi o suficiente para terminar sem sustos. Completei em 1h29, mas o tempo já não importa. Não quero mais chegar junto com os quenianos.

É esse o passeio que eu recomendo em todas as viradas de ano. Vá ver uma São Silvestre na platéia, ao vivo. Enfrente o sedentarismo e corra a prova do ano seguinte. Quando você tiver a sensação de ser ultrapassado por um velhinho atlético (e terá!), entenderá que sempre tem gente melhor do que você em determinadas coisas, como tudo na vida.

Porém, na corrida, chegar à frente nada vale (por mais estranho que isso possa parecer). Essa é uma lição que aprendi. Uma vez, após cruzar a linha de chegada de uma prova exausto, um senhor de 67 anos continuou trotando. Eu disse a ele: "Quando o senhor tinha a minha idade, devia ser profissional". Ele respondeu, rindo: "Não, nunca tive vitórias desse tipo. Só comecei a correr aos 50 e, desde então, não fico mais ofegante para subir uma escada". A vitória vem do ponto de vista.

Quem é o colunista: André Carbone

O que faz: Jornalista do Guia da Semana e árbitro de futebol

Pecado Gastronômico: Pizza e sorvete.

Melhor Lugar da Cidade: Qualquer estádio de futebol.

Para Falar com André: [email protected]




Atualizado em 6 Set 2011.

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