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Por Redação Guia da Semana

Carta de despedida

Meu agradecimento à mídia e minha revolta ao poder público.

Foto: Getty Images


É com muita tristeza que venho comunicar minha mudança da cidade de São Paulo devido às inúmeras ameaças que recebi e a falta de atitude do poder público diante das irregularidades que denunciei envolvendo a Vai-vai. Quero aproveitar para agradecer ao apoio e solidariedade que recebi de alguns jornalistas, muito obrigado.

A Vai-vai foi, por seus méritos, campeã do carnaval paulistano e avisou em rede nacional que faria sua festa sem respeitar qualquer tipo de lei. Cumpriram sua promessa. Percebo que São Paulo está entregue a esses que se dizem munícipes com apoio da prefeitura da cidade, que não tratou de coibir os excessos.

Ao longo destes oito anos, percebo que cometi um grande equívoco, denunciei irregularidades com a certeza de que o poder público não estaria devidamente informado e por esse motivo não tomava providências, hoje percebo o quão fui ingênuo ao acreditar nessa teoria. A prefeitura já sabia de tudo que acontecia e eu estava destoando ao alardear os fatos que todos já pareciam saber, causando constrangimento aqueles que pretendem usar a escola como palanque eleitoral fazendo lembrar o tempo do voto de cabresto.

Fui acusado de racismo numa tentativa vil de tirar o foco do problema, enquanto isso a escola recebia apoio financeiro da prefeitura. É engraçado e trágico pensar que a prefeitura coíbe a pirataria, mas distribui dinheiro a agremiações que contrariam as leis municipais.

Minha mudança se deve a percepção do verdadeiro problema, que acredito ser eu. Afinal se a Vai-Vai faz o que quer e não sofre as sanções das leis, deve ser porque está certa e eu errado. Fica a lição, o negócio em São Paulo é estar errado! Acordar cedo para trabalhar é que deveria ser proibido e dormir deveria ter um imposto especial!

Eu tenho inveja da Vai-vai, eu também queria a mesma mamata que a escola tem. Quero ganhar área da prefeitura, não pagar IPTU, não pagar impostos, mandar fechar duas ruas para que eu possa arrecadar uns trocados com a cobrança de ingresso, vender alimentos e bebidas sem que ninguém me fiscalize, fazer barulho sem ter problema com o PSIU (ameaçar os agentes de vez em quando), ameaçar meus vizinhos sem que nada aconteça comigo, impedir que moradores cheguem em casa com segurança e, é claro, quero o mesmo que muitos outros, quero infringir a lei de zoneamento da cidade. Tudo isso debaixo do nariz da promotoria pública...


Quem é o colunista: Alguém que acha que o Estado existe por causa do cidadão e não o contrário. Um eterno inconformado com a falta de mobilização da população e do poder público diante dos problemas.
O que faz: Consultor de marketing e blogueiro (http://insightpublicidade.wordpress.com)
Pecado gastronômico: São tantos... Feijoada, Temaki de camarão empanado, Pastel de feira e muitos outros.
Melhor lugar do mundo: Minha casa, quando a Vai-Vai deixa... Mas fora dela gosto muito da praia do Bonete - Ilhabela
Fale com ele: [email protected]

Atualizado em 6 Set 2011.

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