Guia da Semana
Turismo
Por Redação Guia da Semana

De uma maneira diferente

Colunista conta como conheceu a capital soteropolitana pedalando.

Quando as pessoas pensam em cicloturismo, vem aquela ideia de bike cheia de alforjes cruzando continentes sem data pra voltar. Mas conhecer uma capital de bike também é cicloturismo. E foi isso que decidi fazer indo para Salvador e levando minha bicicleta. Claro que fui de alforje, mas foi só para economizar o táxi do aeroporto até a cidade.

Dois motivos me levaram a conhecer Salvador de bike. De Itapuã à Barra, pela orla, boa parte tem ciclovia. E quando temos que usar as ruas, que apesar de abarrotadas de carros, não me senti ameaçado em nenhuma vez por carro ou ônibus. Os baianos fazem jus à fama de cordiais. O trânsito é caótico, mas respeitável.

Fora isso, o aeroporto fica a cinco quilômetros de Itapuã,  e esta avenida possui ciclofaixa. E nesta região, além de uma bela praia, você encontra pousadas com preços bem convidativos. Juntando tudo isso, passei dez dias pela cidade e litoral norte, gastando menos de mil reais, incluindo a passagem aérea.
Saí de Bertioga às 6h e, por volta das 13h, já estava com a bike montada no aeroporto de Salvador.

Em mais uma hora me vi em frente ao Farol de Itapuã. Visitei umas pousadas antes de decidir e, no meio da tarde, já estava, ao melhor estilo Dorival Caymmi, na praia curtindo o vento e aclimatando o corpo.

No outro dia, saí pela orla em direção à cidade. São cerca de 30 quilômetros até a Barra. Duas horas pedalando, tranqüilo, e com um visual genial. E um detalhe: sem subida alguma. Sempre ouvi falar que em Salvador só há morros, cidade alta, cidade baixa, etc. Mas descobri que, sim, ela tem morros, mas as avenidas passam pelos vales e subida para valer, não achei nenhuma. A única que ficou na lembrança foi a Ladeira da Barra, mas, mesmo assim, é uma rampa suave para subir. Devo dizer também que contei com guias locais que me mostraram as manhas da cidade. Antes de embarcar, usei o site Bikers Brasil para fazer contatos com os ciclistas locais e foi aí que descobri o melhor da viagem. Os soteropolitanos que pedalam.

A turma dos Jabutis Vagarosos me acolheu e proporcionou que eu conhecesse cantinhos, onde fiz muitas fotos. Foram lugares aonde ônibus de turismo não chega ou não para. No primeiro dia com a turma, o Valci Barreto, grão-mestre dos Jabutis, me mostrou o centro histórico e todas as manhas para poder fotografar sem medo. Subimos a ladeira da Barra, depois de visitar a entrada do Iate Clube, de onde se tem uma vista privilegiada do Porto da Barra. A ladeira chega ao Corredor Vitória, que desemboca em Campo Grande, que leva até a Praça da Sé e, de lá, ao Pelourinho. Todo esse trajeto, o ônibus de turismo faz sem parar. De bike, eu pude parar quando quis e deu para espiar os dois museus que há no Corredor Vitória: o Costa Pinto e o Museu de Arte da Bahia.
O melhor da cidade alta é realmente o Pelourinho. A parte principal é toda policiada e relativamente segura. O que incomoda um pouco são os ambulantes. Mas estando disfarçado de ciclista e com um baiano do lado, o assédio foi mínimo.
 
No Pelourinho, há duas coisas que não dá pra deixar de fazer: experimentar o sorvete da Glacier Laporte, no Lago. Cruzeiro de São Francisco e visitar a fundação Pierre Verger, quase em frente ao elevador Lacerda.

Da parte alta, quem esta a pé, desce pelo elevador Lacerda para o Mercado Modelo. De bike, é bom estar com alguém no local para saber em qual ladeira passar sem riscos. Boa parte do bairro ainda é de casarões antigos e aparentemente abandonados, mas conservados. É nestes pontos que não é bom estar perdido. Com o Valci como guia, descemos uma ladeira em zigue zague e que chegou ao bairro Comércio, onde fica o mercado.

Terminamos o dia no MAM, um lugar genial para o pôr do sol e que, nos sábados à noite, tem seções de jazz.

No segundo dia de pedal, a turma foi bem maior. Eu tive a sorte de conseguir seguir um passeio da associação das bicicletarias, que acontece todo primeiro domingo do mês. Partimos do Dique do Tororó, em frente ao finado Fonte Nova e, neste dia, seguimos para o bairro da Ribeira, uma antiga região de pescadores. Hoje, é ponto turístico com restaurantes de caranguejo e o mais famoso sorvete da cidade.

Voltamos pedalando pela orla até o farol do Monte Serrat, de onde avistamos a moderna Salvador e seus prédios. Dalí, seguimos para o Bonfim, parada obrigatória, onde encontrei a segunda subidinha de Salvador que vale nota.

Com três dias de pedal, conheci muito mais do que imaginava de Salvador, com um custo zero de guia e ônibus de turismo. Fiz muitos amigos e ficou a vontade de voltar, pois ainda faltou ir a alguns lugares,  como o subúrbio, atravessar de balsa pra Ilha de Itaparica, Santo Amaro e outros lugares que ouvi falar nesses dois dias com esses pedaleiros para lá de bem-humorados. Mas, como pretendia conhecer o litoral norte da Bahia, deixei o restante para outra visita.

Conheça o Bike Book e a Bike Brasil

Fotos álbum: Marcelo Rudini

Leia as colunas anteriores de Marcelo Rudini:

Um lindo destino

Homenagem justa


Praia de bike

Quem é o colunista: Fotógrafo e editor do site OndePedalar - bike e cicloturismo

O que faz: Fotógrafo editorial.

Pecado gastronômico: Um só? Na Bahia, biju; em São Paulo, pizza; em Curitiba, estrogonofe de nozes e, em Belo Horizonte, feijão.

Melhor lugar do mundo: Aquele que te faz se sentir bem, equilibrado.

Fale com ele: [email protected]

Atualizado em 6 Set 2011.

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