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Turismo
Por Redação Guia da Semana

Embarque em Santarém

Passear de barco pelo Rio Tapajós a partir de Santarém é o novo destino badalado do ecoturismo.

Fotos: Ronaldo Ferreira - Prefeitura de Santarém
Rio Tapajós

São poucas cidades que contam com uma natureza intacta tão próxima. O forte de Santarém, no Pará, a uma hora da capital Belém, são os passeios por grandes rios como o Tapajós, o Amazonas e o Arapiuns. É a bordo de um barco ou de uma lancha que se aproveita ao máximo as belezas da flora e fauna da Floresta Amazônica.

Santarém se desenvolveu no século 17 na exploração portuguesa das "drogas do sertão", sendo ali principalmente o cacau, e ganhou nova vida no final do século 19, com o Ciclo da Borracha. Apesar da devastação da mata e do extermínio de muitos nativos Tapajós, ainda há várias comunidades indígenas que podem ser visitadas. A culinária, tanto em Santarém como nas comunidades locais, é à base de peixe. Não deixe de comer o pirarucu defumado, além de grelhados como o Tucunaré e o Tambaqui.

Pontos históricos na cidade

O cartão-postal de Santarém é a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (foto), construída originalmente em 1661. A construção passou, ao longo do tempo, por várias restaurações da sua arquitetura original. Dentro dela encontra-se um grande crucifixo doado pelo cientista alemão Karl Von Martius. Ele fez isso por ter sobrevivido a um naufrágio no rio Amazonas em 1819, próximo à Santarém.

O Museu de Santarém, ou Centro Cultural João Fona, no centro da cidade, foi inaugurado em 1868. Há no acervo principalmente cerâmicas arqueológicas das antigas populações indígenas da região. Como o prédio já foi sede da prefeitura, existem muitos objetos históricos como móveis da Câmara de Santarém do século passado e galeria de prefeitos.

O centro da cidade tem um grande número de lojas de artesanato vendendo artigos de cerâmica tapajônicas (como são chamadas), frutas e produtos medicinais da floresta. Ainda no centro, no alto de uma colina, o Mirante (foto) é um marco histórico porque um dia foi a Fortaleza do Tapajós. Hoje não há mais vestígios da fortaleza, destruída no século 19, mas encontram-se ainda antigos canhões na Praça do Centenário, no Aeroporto e na Sede da Sudam. Do mirante é possível ver o impressionante Encontro das Águas dos rios Amazonas e Tapajós.

Trilhas e passeios de barco


Apesar do Encontro das Águas (foto) poder ser visto do Mirante, no centro de Santarém, a melhor sensação acontece quando se vai para lá com um barco ou canoa. O Rio Amazonas, de águas barrentas, e o rio Tapajós, de águas verde-azuladas, correm lado a lado durante alguns quilômetros até se encontrarem. Fenômeno semelhante ocorre com os rios Negro e Solimões, próximo de Manaus.

A reserva Alter do Chão tem mais de 16 mil hectares. O limite sul é a divisa entre Santarém e Belterra. Lá está situado o lago Jurutuí e o rio Tapajós. Uma das atrações do local é da hospitaleira aldeia indígena dos Borarís. É o passeio de barco preferido das agências, subindo as águas claras do Rio Tapajós até chegar à reserva.

A Floresta Nacional dos Tapajós é a mais famosa da região, mas está a oeste da cidade, bem no coração da Floresta Amazônica. Somente sua sede administrativa está em Santarém. Há algumas cachoeiras para se banhar no caminho, em meio à exuberância de árvores, aves e mamíferos (e também insetos, portanto não esqueça do repelente). Há ainda espaço para compras, com o artesanato de palha fabricado pela comunidade local. Antecipando-se na reserva, dá até para realizar um passeio noturno com guias.

Os amantes de corrida têm um atrativo a mais para estar na Floresta dos Tapajós. No mês de outubro acontece a Maratona da Selva, que, apesar do nome, tem um caminho bem maior do que os 42 km de uma maratona tradicional. No total são 200 km a serem percorridos em sete dias. O preço é R$ 500,00, incluídas acomodações em hotéis na noite anterior ao início percurso e na noite seguinte ao término, além de acampamento em todas as noites na selva.

Fora o Rio Tapajós, outras opções de passeios de barco são pelos rios Amazonas, Arapiuns, Igarapé-Açu e Curuá-Uma. Entretanto, a maior parte das cachoeiras está distante pelo menos 50 km da capital, portanto são muitas horas de passeio de barco se quiser contemplar algumas delas, como a do Aruã (foto) e a do Palhão, onde está localizada a hidrelétrica de Curuá-Uma.

Um passeio alternativo é até a Fazenda Taperinha (foto). O acesso é feito navegando-se pelo Rio Tapajós, 80 km a leste de Santarém. Atravessando o Lago Maicá, está situada a histórica fazenda. Ela foi inicialmente um famoso engenho pertencente ao Barão de Santarém, Antonio Pinto Guimarães, e ao seu sócio, Romulus J. Rhome. Este era um imigrante norte-americano que se interessava por pesquisas arqueológicas. Diversos artigos feitos de barros e ossadas de diferentes animais coletados por Rhome hoje estão no Museu do Rio de Janeiro. O antigo engenho também é conhecido por ter sido o primeiro a utilizar os barcos a vapor na região amazônica.

Curiosidade
Belterra, município vizinho a Santarém, de apenas 16 mil habitantes, guarda uma história moderna e interessante. Ela foi criada na década de 1930, quando o milionário norte-americano Henry Ford, dono da companhia automobilística Ford, decidiu construir uma cidade em plena Floresta Amazônica para plantar seringueiras e abastecer sua empresa de látex, necessários para confecção de pneus. Os padrões são das pequenas cidades do interior dos EUA, e em nada lembram uma cidade brasileira. Isso é facilmente visto na arquitetura das suas casas, construções e jardins.

Anos antes da Belterra, Ford criou a Fordlândia, um pouco mais ao norte de Santarém, mas a terra não era propícia e as pragas transformaram o empreendimento em um grande fracasso. Já em Belterra, ele desenvolveu bastante a cidade em cinco anos, tanto que em 1940 a região virou a maior produtora de seringa do mundo. Com as constantes doenças no local e a substituição pela borracha sintética, Ford negociou a área para o Brasil após a 2ª Guerra Mundial.


Como ir

A Cia. de Ecoturismo pacotes para a reserva Alter do Chão e Floresta Nacional de Tapajós, a partir de quatro dias. Fazem parte do pacote várias trilhas na mata, passeio de lancha pelo rio Tapajós, visita a comunidades da região e a Belterra. O pacote duplo está a partir de R$ 2.548,00 por pessoa, incluídos passagens aéreas São Paulo-Santarém, traslados, acompanhamentos de guias, hospedagem com café da manhã e, em Alter do Chão, direito a dois lanches, dois almoços e um jantar.

A Freeway tem vários cruzeiros pelo Rio Tapajós, com direito a algumas caminhadas na mata e passeios de jipe. O pacote duplo de cinco dias e quatro noites sai a partir de R$ 3.380,00 por pessoa, incluídos passagens aéreas São Paulo-Santarém, traslados, hospedagem e pensão completa em todos os dias.

É recomendável tomar a vacina contra febre amarela dez dias antes da viagem, caso não a tenha tomado nos últimos dez anos. Os pontos de vacinação da Anvisa estão em portos e aeroportos, além de postos da vigilância sanitária.

Serviço:

Cia Nacional de Ecoturismo
Telefone: (11) 5571-2525

Freeway
Telefone: (11) 5088-0999

Jungle Marathon (Maratona da Selva)


Atualizado em 6 Set 2011.

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