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Por Redação Guia da Semana

Flag, um esporte de estratégia

Porta de entrada para o futebol americano, ele ganha adeptos e parcerias com clubes de futebol de São Paulo.

Fotos: Gabriel Oliveira

A bola é oval. Embaixadas, chapéus e cabeceios não são permitidos e a meta principal é fazer um touchdown - carregar a bola até o fim do campo adversário. Quem pensou no rúgbi ou futebol americano enganou-se, a modalidade aqui é o flag football, uma versão light do esporte praticado nos EUA, que não permite o tackle, ou seja, o movimento agressivo de contato para interromper o progresso do atacante.

O presidente da Liga Paulista de Futebol Americano de Tackle e Flag (LPFA), Daniel Miura, explica o surgimento da modalidade. "Nós começamos a jogar flag por volta de 2001, com um pequeno grupo que brincava na Praça da Paz, no Parque do Ibirapuera. Pensamos em uma alternativa barata e simples que pudesse manter o mesmo sentimento de jogar o futebol americano".

A diferença é percebida à beira do campo. Oito para cada lado, os participantes não usam proteções; adolescentes disputam espaço com pessoas de 30 anos, todos buscam avançar jardas à frente (ao ataque) ou simplesmente tentam puxar a bandeira ( flag em inglês) que fica preso na cintura do oponente (defesa). Ganha o time que fizer mais incursões com êxito no terreno adversário.

O flag, assim como o futebol americano, é um jogo de conquista de território. O professor de educação física e atleta do Locomotives, Igor, 27 anos, pratica há dois o esporte. "Ele é um jogo de estratégia, que te possibilita a integração de todas as pessoas independente do biótipo. É a união e companheirismo porque tanto o ataque precisa da defesa, quanto à defesa precisa do ataque".

Nos Estados Unidos o flag é realizado por crianças e jovens como recreação e para ensinar as noções de posicionamento iguais ao futebol americano. Em São Paulo, a modalidade tem um campeonato chamado Liga Flag e o contato físico foi parcialmente liberado. Os times são separados em duas conferências (Estadual e Paulista) e quatro divisões (Norte, Sul, Leste e Oeste). Os campeões de cada conferência enfrentam-se na final chamada Sampa Bowl.

Os nomes das equipes lembram times norte-americanos, como Tigers, Bears ou Red Warriors, mas é no futebol que algumas delas escolheram o patrocínio. Entre eles, a Portuguesa (Lions), o Corinthians (Steamrollers) e o Palmeiras (Locomotives). As partidas ocorrem aos domingos no interior de São Paulo e no Campo de Treinamento da Portuguesa.

Fotos: Gabriel Oliveira

Cesar Goroni, 22 anos, joga pelo Locomotives há três anos e buscou o flag porque tinha dificuldades nos outros esportes. "Jogava futebol americano pelo vídeo-game e gostava bastante de ver o NFL (campeonato nos EUA), porque era grande e não conseguia jogar bola. Entrei quando o time estava se formando e estou até hoje". Conrado, 16 anos, cujo apelido é Harry Potter, conheceu o esporte quando morava nos EUA. "Torcia pelo Philadelphia Eagles. Cheguei aqui, uns amigos chamaram para o Santo André Sentinels e topei". Conrado é um dos mais jovens do time.

Crescimento no Brasil

Muitos clubes treinam em praças e lugares abertos. Como é o caso do Sentinels, formados por um grupo de jovens amigos há dois anos. Até hoje o time treina aos sábado, em um campo de grama na Avenida Atlântica, na cidade de Santo André (ABC Paulista). Segundo dados da LPFA, cerca de 50 equipes jogam o futebol americano em São Paulo. O esporte está espalhado em vários estados do país e conta com público de 15 mil jogadores. A Liga Paulista desse ano vai terminar com dois mil atletas, contra 700 de 2007.

A principal dificuldade para transformar o flag em futebol americano é o preço do equipamento. Felipe Bignardi, treinador da Portuguesa Lions e vice-presidente ABRAFA (Associação Brasileira de Futebol Americano) enfatiza: "O equipamento para atletas é caro e como as empresas são todas de fora, para trazer gastamos mais 70% do valor com impostos e transporte". O jogador que estiver interessado em adquirir o material desembolsa, sozinho, cerca de mil reais.

Para os iniciantes, o recomendável é utilizar proteções de joelho, cotovelo, pulso, áreas de articulação e as que sofrem mais impactos. A pessoa ainda pode optar pelo protetor bucal, para evitar um choque e até o capacete de rúgbi, de material almofadado em caso de pancadas na cabeça.

Os interessados pelo flag podem treinar um pouco no vídeo game ou participar das seletivas ( Draft) que ocorrem no início do ano, promovido pela LPFA. Clubes como Palmeiras, Corinthians e a própria Lusa, mantém uma escola para aprendizado. Outra opção é aparecer aos sábados, na praça próxima ao Obelisco, no Parque do Ibirapuera, onde alguns times treinam por lá.

Futebol e Flag
? A Lusa Lions surgiu do interesse do então professor de educação física Felipe Bignardi, de difundir o futebol americano no seu time favorito. Após conversas com a Portuguesa, a parceria formou-se e o clube foi o primeiro do futebol a patrocinar o esporte, oferecendo centro de treinamento e material esportivo. A equipe conta com 20 jogadores.

? Segundo o supervisor de marketing e jogador, Luis Paulo (LP), 29 anos, o Locomotives já estava no flag e, depois de uma proposta que levou à diretoria do Palmeiras, a união aconteceu. Fechou o contrato por dois anos e o Palmeiras oferece a estrutura para treinamento, ônibus e pretende comprar o equipamento para iniciar o futebol americano. O atual elenco conta com 50 jogadores.

? Ricardo Trigo, diretor de futebol americano do Steamrollers ao Corinthians, fez uma proposta ao Timão, resultando na parceria em maio de 2008. Além do espaço no Parque São Jorge, o clube de flag acertou uma verba e cada jogador vai receber uma ajuda de custo de um salário mínimo. O projeto visa compra dos equipamentos para futebol americano, aparecer para a América Latina e fazer excursões pela Europa. O Steamrollers tem 37 jogadores em seu plantel.



Site da Liga Paulista de Futebol Americano de Tackle e Flag: www.lpfa.com.br
Endereço eletrônico: [email protected]

Fontes:

Daniel Miura, presidente da LPFA
Felipe Bignardi, vice presidente da ABRAFA e treinador da Portuguesa Lions
Luís Paulo, diretor de comunicação do Palmeiras Locomotives
Ricardo Trigo, diretor de futebol americano do Corinthians Steamrollers

Atualizado em 6 Set 2011.

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