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Por Redação Guia da Semana

História sem fim

Praticas que incentivam a leitura abrem mão da propriedade do livro pelo simples prazer de libertar a literatura.

Fotos: Getty Images

Você deixaria seu livro em local público? Por mais estranho que possa parecer essa atitude tem se mostrado muito comum na metrópole paulista. É o resultado da campanha Livro Livre, organizada pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos de São Paulo (CPTM), que oferece, sempre no mês de outubro, uma distribuição de volumes pelas estações para incentivar o hábito de leitura entre os usuários.

Não é necessário RG, comprovante de residência ou cadastro, basta encontrar um livro devidamente identificado e levar para casa. As publicações circulam com etiquetas da CPTM coladas na capa, onde se acham as explicações do funcionamento do projeto, entre elas, o slogan Democratize a informação, leia e passe adiante. O tempo disponível para a leitura é você quem dita e quando terminar basta deixar em algum lugar público protegido do sol e chuva para que o próximo interessado aventure-se na mesma história.

"No ano passado, foram dois mil livros distribuídos em 15 estações das seis linhas da CPTM. Para este ano, pretendemos ampliar de dois dias para uma semana a campanha, com muito mais volumes distribuídos", comenta a bibliotecária e organizadora do projeto, Maria Cândida de Assis Figueiredo. O evento acontece há três anos e começou timidamente, após uma doação que a CPTM recebeu para a sua biblioteca.

O office-boy Wesley Santos, 24 anos, participou do Livro Livre. Ele encontrou o exemplar A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, na estação Guaianazes e ficou durante quatro semanas com o tomo. "Primeiro achei que alguém tinha perdido, aí percebi que fazia parte do projeto. Lia sempre na volta para casa, já que durava uma hora e meia a viagem", afirma.

"Acho ótima a idéia, pois pode aliar a ociosidade do tempo perdido no trajeto com a leitura e ainda faz o cidadão sem posses assimilar cultura e conhecimento, pelos clássicos nacionais e estrangeiros da literatura", enfatiza Danilo Silva, estudante de letras da Universidade de São Paulo (USP). Através do programa ele conheceu a obra Para Viver um Grande Amor, de Vinícius de Morais.

Um dos principais problemas ainda é a desconfiança que alguns têm em dar continuidade ao projeto, pegando o exemplar para si e não compartilhando com as demais pessoas. "Queremos que desfrutem da leitura e o usuário opte por liberá-lo para que outro cidadão possa ler também", explica Maria Cândida.


Globalizando a leitura

Embora cause um estranhamento aos que acumulam livros em estantes, a idéia de literatura itinerante é um pouco mais antiga e em alguns países virou mania. O site www.bookcrossing.com foi criado em 2001 pelo americano Ron Hornbaker para incentivar a leitura.

Para participar, o internauta de qualquer país registra um volume seu no site, cola uma etiqueta e deixa o exemplar num lugar público, como praça, café, biblioteca, museu, teatro ou banco de jardim. Ele fornece dicas de onde deixou o livro para os interessados e através do número de identificação que cada etiqueta possui, o "dono" pode acompanhar as viagens do livro. Após a leitura, a obra deve ser novamente "libertada".

Dá inclusive para procurar os títulos que estão esquecidos próximos de você. Em uma busca no site, encontramos exemplares de Memórias de Minhas Putas Tristes, romance do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez, no Rio de Janeiro e em Portugal, e tomos do Dom Casmurro, de Machado de Assis, vagando por Canadá, Espanha, Estados Unidos e mais de cinco Estados brasileiros.

Para os mais apegados, o bookring é uma boa opção dentro do site. Esse sistema de empréstimo em cadeia permite que várias pessoas se inscrevam para ler determinada obra e no final, a publicação regressa ao dono. O empréstimo pessoal é outra alternativa, ele se concretiza através da entrega de livros apenas a pessoas conhecidas, daí a relevância dos encontros do Bookcrossing pelo mundo.

Tudo pode ser resumido com três "R"s - Read, Register e Release (leia, registre e libere). Pelo site você acompanha a "viagem" da obra, quando ela foi encontrada e liberada novamente. Muitas vezes o livro atravessa cidades, países e até continentes. Atualmente, o site tem 670 mil membros e quase cinco milhões de livros registrados. Já os brasileiros que participam ainda estão em minoria - são menos de 100.

No Brasil, o site Perca um Livro ( www.livr.us) utiliza os mesmos princípios do BookCroosing. Este projeto faz com que os livros transformem-se na ponta de uma corrente que incentiva outras pessoas a fazerem o mesmo com outras obras, disseminando o saudável hábito da leitura.

Livro Livre

Quem quiser contribuir com a iniciativa Livro Livre pode doar livros à Biblioteca CPTM - Mário Covas, localizada em Presidente Altino, Osasco. Para isso, basta entrar em contato pelos telefones [11] 3689-9107 / 9153 ou por meio do endereço eletrônico [email protected]




Atualizado em 6 Set 2011.

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