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Turismo
Por Redação Guia da Semana

Magrelas turbinadas

Aos poucos, as bicicletas de pista começam a ocupar espaços públicos em competições de Bike Polo e passeios ciclísticos.

Foto: Aline Cavalcante / acervo pessoal

Partida de Bike Polo no Parque do Ibirapuera, em São Paulo

Atenção, ciclistas de plantão. Se uma bicicleta esquisitona com proteção nas rodas cruzar seu caminho, não estranhe. Vocês estarão cara a cara com uma fixed gear bike tratada com muito carinho pelo seu proprietário. Popular nos grandes centros como Nova Iorque, Londres e até na hermana Buenos Aires, as bicicletas de pista (também conhecidas como fixas) já possuem uma legião de fãs no país. Potência, mobilidade e muito charme atraem essa galera, que as utiliza para praticar esportes, viajar e se divertir.

Mas o que esse modelo tem tão de especial? Imagine uma bicicleta sem freio, sem catraca nas rodas traseiras e que anda na marcha à ré. Inviável? Pelo contrário. "Mecanicamente, a fixed gear é mais simples que os demais modelos. É de fácil manutenção pela falta de marchas e permite todo o tipo de movimento", explica Diego Alves, de 29 anos. O analista de sistemas tem três bikes: uma Dahon Matrix, dobrável e cheia de recursos; uma speed (modelo utilizado em competições de bicicross) e a Hispano France, uma fixed gear original. "Opto quase sempre pela fixa, pois exige maior preparo físico e proporciona muito prazer ao pedalar".

A mãe das bikes, batizada de celerífero e construída em 1790, era uma fixa: tinha duas rodas, viga de eixo e barra transversal para apoio das mãos, dispensando pedais e correia, que só foram acrescentados em 1839. Nos modelos atuais, a correia é ligada diretamente na roda traseira, permitindo andar para frente e para trás, como os monociclos.

Cavalo com rodas

Foto: Divulgação Tag and Juice

Atletas amadores e fãs da fixa reunidos após um dos encontros semanais

A bicicleta de pista é a única apropriada para o ciclismo indoor e a mais recomendada para um tipo de esporte que vem ganhando adeptos: o Bike Polo, a adaptação sobre rodas do esporte bretão a cavalo. Eis as regras: dois times compostos de 3 a 4 jogadores disputam partidas de 10 minutos em cima de suas bicicletas. Quem fizer primeiro cinco gols ou o maior placar dentro do tempo regulamentar ganha o jogo.

Tacos, bola e balizas fazem parte da brincadeira. Entre 80 centímetros e 1,20 metros, o taco traz na ponta inferior o martelo, um tubo perpendicular e vazado feito de polipropileno. Com ele, arremessa-se a bola a gol. A disputada esfera deve ser de alta densidade, para não levantar grandes quiques, porém leve. As balizas definem o espaço do gol, cerca de 1,5 metro. As telas nas rodas protegem os raios das boladas e servem para defender as investidas do adversário. Os jogadores só podem se equilibrar sobre as rodas ou apoiar-se com auxílio do taco. Usar os pés é infração, assim como ir de encontro aos demais jogadores. Para o gol valer, o taco deve estar na vertical no momento do arremesso da bola.

Pablo Gallardo, chileno de nascimento e designer de formação, é um dos pioneiros da prática no Brasil. Ele descobriu o Bike Polo numa viagem sabática rumo à Austrália, em 2006. Ao voltar, dois anos depois, abriu na Vila Madalena a Tag and Juice, loja voltada apenas para bikes urbanas e divulgação dos esportes sobre duas rodas. "O Bike Polo é antigo, fez parte dos Jogos Olímpicos de Londres, em 1908, e possui até campeonato mundial, realizado em Berlim", detalha.

A primeira partida tem menos de um ano e meio. Gallardo juntou tacos improvisados, magrelas adaptadas e alguns amigos para brincar numa quadra no bairro do Jabaquara. Hoje, já são 50 participantes que marcam presença constante nos treinos das terças (voltado para iniciantes) e quintas-feira (para os mais experientes) realizados a partir das 20h na quadra de futsal próxima ao Portão 7 do Parque do Ibirapuera.

A jornalista Aline Cavalcante, de 25 anos, é uma das participantes e defende o aspecto físico e democrático do Bike Polo. "O jogo ajuda a desenvolver a coordenação motora, pois exige do praticante atacar sobre a bicicleta, mirar na bola, fazer o gol e não cair. Além disso, são jogos mistos, com homens, mulheres, jovens e adultos na mesma quadra".

O arquiteto Lex Blagus, de 32 anos, é outro que bate o ponto nas partidas. Conheceu o jogo com amigos de pedal há seis meses e não parou mais. "Algumas pessoas acham violento, mas não é. Não dá pra sair correndo com a bike e arremessar a bola com o taco simplesmente" declara. Junto com as regras, o quadro baixo das fixas ajuda a reduzir o impacto das inevitáveis quedas e trombadas. "É um jogo estratégico, com movimentos calculados seja para frente ou para trás", explica Blagus, que enquanto não adquire a sua fixa, joga com uma antiga Caloi 10 adaptada. "Para jogar Bike Polo, bastam os tacos, a bola, a bike e muita disposição", resume o praticante.

Estradas, ruas e web

Foto: Acervo pessoal

A jornalista paulistana Aline Cavalcante no velódromo de Curitiba

Falta de conhecimento do público e de estrutura para os praticantes são as principais dificuldades para a modalidade pegar de vez por aqui. "Existem poucos locais em Porto Alegre para prática do esporte. As quadras são fracas em segurança e muitas não permitem bicicletas", reclama o gaúcho Diego Alves ao explicar o motivo do jogo ser pouco praticado fora da cidade de São Paulo.

No entanto, as fixas não estão paradas nas demais capitais. "Aqui em Curitiba, reunimos cerca de 80 e 100 usuários de fixas para passeios noturnos que sempre acabam nas festas do bar Barba Negra, no bairro Batel", conta Victor Gollnick, consultor de softwares de 27 anos.

Os pontos de encontros e percursos são combinados e divulgados pela internet, tanto no blog do grupo como em outros fóruns. Aliás, a internet é outra pista quente para os amantes da fixed gear. Cada cidade tem seu próprio blog e pela rede os praticantes trocam informações, vídeos, fotos e combinam corridas e passeios, como o Rolê Fixo, evento realizado na capital paranaense no último dezembro que contou com a presença da paulistana Aline. "A gente viaja e ainda conhece várias pessoas legais, fazendo boas amizades", dispara a jornalista.

Além dos passeios urbanos, Victor Gollnick encara grandes percursos nas estradas, como os 90 km que separam a capital paranaense da pequena e histórica ciade de Morretes, ou as 8 horas de pedalada até Joinville, na vizinha Santa Catarina. "Foram 150 Km e 49 subidas de muito esforço e diversão", comenta ele, pronto para as próximas aventuras sobre sua magrela turbinada.

Atualizado em 6 Set 2011.

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