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Turismo
Por Redação Guia da Semana

Museu da magrela

Uma visita ao espaço que resgata e faz brilhar o objeto que foi - e é - o sonho de milhares de crianças: a bicicleta.

Foto: Divulgação

Quando decidi fazer uma visita ao Museu da Bicicleta, não sabia bem o que esperar.

Como toda ida a um museu, a gente vai pensando em ver um apanhado histórico do tema para, no fim, compreender mais sobre o assunto.

O único museu latino-americano totalmente voltado para a bicicleta fica em Joinville, no estado de Santa Catarina. É fruto de uma paixão de um paulistano por este objeto que habita a cabeça de praticamente todas as pessoas que tiveram infância ao ar livre. Pois, sem bicicleta, a infância não é a mesma coisa. Valter Bustus construiu seu acervo ao longo da vida.  Foi parar em Joinville, pois esta foi a cidade que primeiro decidiu lhe dar abrigo e sediar o museu. A sede é numa antiga estação de trem e agrega todo o charme de uma era romântica do transporte público: trem e bicicleta.

Mas o que aconteceu não foi uma simples visita ao local, mas sim um passeio pela minha memória. De início, Valter foi me apresentando relíquias como bikes dos exércitos suíços e alemães, algumas Peugeots importadas nos anos 60 que deram impulso à modernização das estradeiras fabricadas aqui, etc. Mas vira daqui, olha dali, logo me deparei com um modelo infantil com um protetor de corrente que muito prendeu minhas barras de calça. Logo me veio muitas aventuras em ruas de terras com a minha primeira bicicleta de verdade, aquela onde comecei com rodinhas que depois foram parar no porão da casa. Lembrei de quanto desamassei aquela lata que protegia a corrente e que era mole demais -  pelo menos para as minhas traquinagens.

Com isso percebi que estava fazendo um passeio de bicicleta pela minha memória com a ajuda das peças expostas. Ou melhor, o museu estava me levando a vários passeios. Depois de relembrar e contar sobre minha primeira bike, a visita prosseguiu. Valter continuou a mostrar que o foco do acervo não recai somente às magrelas, mas à cultura da bicicleta. No museu eu encontrei capas de discos com tema de bicicleta, óculos de esqui adaptados para mountain bike pela primeira empresa a fornecer o equipamento, pinturas e até uma réplica do ET em uma cargueira lembrando a mais célebre cena do filme.


Para completar o ar de informalidade, a oficina usada para restaurar as bicicletas fica no meio da exposição. Ela é instrumento e ao mesmo tempo objeto de exposição. Valter gosta de afirmar que todas as bicicletas ali expostas estão prontas para uso. Bastaria apenas dar uma calibrada nos pneus. Ele completa dizendo que todas foram recuperadas, mas nada de reforma com pinturas novas ou coisas do gênero. Para ele, elas devem mostrar o quanto já deram de prazer aos seus donos rodando por aí.

Há espaço também para a arte em forma de bicicleta. Há vários modelos do artista plástico Israel Nicolau.

Mais uma virada e recomeço meu passeio. Dou de cara com uma Caloi 10, igualzinha a uma da minha adolescência, cor e tudo mais. Lembrei desde o dia que fui com meu pai ao antigo Mappin da Praça Ramos escolher o modelo, revivendo os passeios no quarteirão de casa, dando uma parada no único capote que tomei com essa bike e chegando ao dia que a doei para um guri no portão da USP. Já estávamos na era da montain bike e ela só acumulava poeira na garagem. Decidi que bike parada é bike triste. Calibrei os pneus e levei ao garoto.

Visitar o MuBi é isso, passear por memórias de liberdade e vento na cara. Por tempos que ficaram. Tempos divertidos que foram passados em companhia de uma velha amiga: a magrela.

O Museu da Bicicleta funciona de terça a domingo (inclusive feriados), das 9h às 12h e das 14h às 17h30. Ele fica na Estação de Cargas do complexo ferroviário de Joinville: Praça Monte Castelo s/n°, bairro Anita Garibaldi. Contato: (47) 3455-0372


Quem é o colunista: Fotógrafo e editor do site OndePedalar - bike e cicloturismo

O que faz: Fotógrafo editorial.

Pecado gastronômico: Um só? Na Bahia, Biju; em São Paulo, pizza; em Curitiba, Strogonoff de nozes e, em Belo Horizonte, feijão.

Melhor lugar do mundo: Aquele que te faz se sentir bem, equilibrado.

Fale com ele: [email protected]

Atualizado em 6 Set 2011.

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