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Turismo
Por Redação Guia da Semana

Não entre na água!

No litoral, constantemente são vistas placas de praia imprópria para banho, mas veja exatamente como são esses estudos e quais são os riscos.

Foto: www.sxc.hu

Basta chegar a alta temporada para turistas avistarem as tradicionais placas de "Praia Imprópria para Banho" nas principais praias do Brasil, principalmente no litoral paulista. Por falta de conhecimento ou por não conseguirem segurar a vontade de se banhar, os avisos são quase sempre ignorados e as pessoas continuam mergulhando.

"Isso não acontece só nesse caso da balneabilidade. As pessoas, principalmente turistas, ignoram porque acham que não vai acontecer com elas. Fazendo uma analogia, é a mesma coisa de dizer que a bebida faz perder a concentração no trânsito, que a camisinha é fundamental para prevenção da AIDS. O risco é provado, mas muitos ignoram. É uma questão cultural, de comportamento social. A sociedade muitas vezes não leva em conta o risco que possa estar exposta", diz José Eduardo Bevilacqua, assessor da presidência da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb).

Os riscos do banho em água imprópria são muitos. São bactérias, vírus e protozoários que estão no esgoto doméstico e podem deixar as pessoas, especialmente crianças e idosos, com gastroenterite. Os sintomas são enjôos, vômitos, dores de estômago, diarréia, dor de cabeça e febre. Locais mais contaminados podem causar disenteria, hepatite A, cólera e febre tifóide.

Importante lembrar que não é necessária a ingestão da água para pegar as doenças. O simples contato já pode causar problemas, como dermatoses, principalmente nos córregos que afluem no mar. Porém, as doenças variam com o sistema imunológico de cada um. A praia considerada imprópria significa apenas que existe o risco real de contraí-las.

Os estudos

Uma água é considerada ou não própria para banho dependendo da densidade de coliformes fecais que nela contiver, além das bactérias Escherichia coli e Enterococos, encontradas tanto nas fezes humanas quanto nas de animais (lembre de que não se deve levar animais à praia!). Influenciam na balneabilidade principalmente os esgotos domésticos, nos despejos diretos ou por meio de córregos. Derrames acidentais de petróleo e floração de algas tóxicas (maré vermelha, pouco comum em São Paulo) também podem tornar as praias impróprias.

A Cetesb, por exemplo, tem índices de balneabilidade de 15 municípios litorâneos de São Paulo (apenas Cananéia não é coberto, pela pouca demanda e por não haver grandes riscos). O órgão divulga semanalmente os testes realizados nos seus 155 pontos de coleta e coloca as bandeiras verde (própria) ou vermelha (imprópria) em cada uma das praias.

Os esgotos aumentam no período de alta temporada e poluem mais as águas, mas também influenciam nisso a geografia da praia, marés e, principalmente, as chuvas. Em julho, apenas 3% das praias paulistas estavam impróprias para banho. Em outubro, o número saltou para 73%. Os córregos e galerias, principais poluidores da água, ganham força com as chuvas, pois o transporte é mais rápido e a água da chuva não causa diluição dos dejetos. Mesmo que a sua praia esteja própria para banho, é totalmente desaconselhável entrar no mar até 24 horas após uma chuva intensa.

"São Paulo tem o fluxo de turistas concentrado nos três meses de verão e um pouco da primavera. Mesmo assim, monitoramos todas as semanas do ano. Ninguém tem essa estatística no país. A Paraíba, por exemplo, tem programa interessante, mas todos os estados deveriam ter uma coleta freqüente, principalmente no Nordeste, que tem turistas o ano todo. Os números ajudam no gerenciamento de gestão", afirma Bevilacqua.

As praias campeãs

No fim do ano, a Cetesb soma todas as análises semanais e chega a conclusão da melhor praia de São Paulo para se banhar. Os municípios de São Sebastião e Ubatuba são os melhores nesse aspecto. Em 2007, ficaram excelentes 100% do tempo as águas das seguintes praias: Praia de Capricórnio, em Caraguatatuba; Toque Toque Grande, Camburi, Baleia, Preta, Juqueí (Rua Cristiana) e Juréia do Norte, em São Sebastião; Vermelha, Lagoinha e Félix, em Ubatuba.

As piores

Estão no nível "péssimo" da Cetesb as praias que ficam impróprias para banho por mais de 50% do tempo. São elas: Perequê, no Guarujá; Milionários e Gonzaguinha, em São Vicente; Itaguá (final da Av. Leovegildo), em Ubatuba. Porém, é importante tomar cuidado com todas as praias e checar as placas da Cetesb. No fim de semana de 19 de outubro, por exemplo, chegando perto da alta temporada, estavam impróprias todas as praias de Guarujá, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá e Itanhaém.

Soluções

Não poluir o mar, principalmente com lixo orgânico, é praticamente impossível, mas há como diminuir o contato do esgoto com o oceano melhorando seu tratamento. No litoral paulista, assim como em outras partes do Brasil e do mundo, há sete emissários submarinos. Emissários são dutos por baixo da terra que lançam o esgoto sanitário direto em alto-mar.

Antes de ser jogado no mar, o esgoto sofre um pré-tratamento para remover os sólidos grosseiros e finos, como lixo e areia. Lançado em alto-mar, a circulação oceânica facilita a depuração da matéria orgânica pela água do oceano, que ocorre através da diluição, da dispersão e das ondas. Contribuem para isso a ação da salinidade e da radiação solar.

"Os emissários são adotados no mundo todo e têm grande importância no sistema de saneamento. Hoje, a Sabesp apresenta todo o funcionamento deles em São Paulo. Dentro do Programa Onda Limpa, os emissários paulistas, alguns muito antigos, estão sendo melhorados, ampliados e redimensionados. O de Santos, por exemplo, é da década de 1980. Ele terá em breve um pré-tratamento da água melhor do que era feito", explica Bevilacqua.

Entretanto, as soluções a curto prazo para a não poluição das águas são realizadas pelas próprias prefeituras, que "caçam" esgotos clandestinos, fossas e ligações indevidas. Para não correr riscos, o melhor mesmo é se assegurar da qualidade das águas da sua praia ligando para o órgão regulador do local (no caso de São Paulo, a Cetesb). A fiscalização pelos órgãos regionais competentes é obrigatória desde 29 de novembro de 2000, pela na Resolução 274 do Conselho Nacional do Meio Ambiente.

Serviço:

Cetesb
Telefone: 0800 011 3560 (Disque Meio Ambiente, das 8h às 17h)
www.cetesb.sp.gov.br


Atualizado em 6 Set 2011.

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