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Viagens
Por Redação Guia da Semana

"Não existem países estrangeiros - só o viajante é estrangeiro!"

Foto: www.sxc.hu
É isto mesmo! A expressão acima foi usada pelo escritor inglês Robert Louis Stevenson na sua obra "The Silverado Squatters", datada de 1883, e não poderia ser mais profunda e mais atual. Ela reflete o mais importante na hora de viajarmos por terras distantes: a tolerância com as diferenças e a consciência de que somos NÓS que estamos no país dos outros. Ou seja: quando vamos para outro país, não podemos reclamar que lá está cheio de estrangeiros, correto? Seria tão paradoxo quanto à frase do velhinho em Asterix & Obelix: "Não tenho nada contra estrangeiros, os meus melhores amigos são estrangeiros. Mas ESTES estrangeiros não são daqui!"

Eu sempre admiro como existem pessoas que reclamam que "os outros" são diferentes e que ainda não entenderam que todos nós somos vistos como "diferentes" quando estamos em outro contexto cultural. Por isto, nos meus treinamentos, o principal ensinamento é o seguinte: não existe "melhor" ou "pior", é simplesmente DIFERENTE! Nos, como brasileiros, achamos "normal" (e "melhor") tocar no ombro e interromper o nosso interlocutor, porém outras culturas encaram isto como totalmente "diferente" - deu para entender? Insisto que não são os ingleses que dirigem "do lado errado" da rua ou os americanos que "têm sotaque" quando falam Inglês. O que será que estes povos dizem de nós?

Foto: www.sxc.hu
Para quem vai para outro país, esta tolerância para com as diferenças culturais é muito importante. Qual brasileiro viajando pelos EUA já não sentiu falta de um bom e forte café brasileiro em vez do "chafé" que se costuma tomar por lá? Quem já foi uma vez para o Oriente Médio deve ter estranhado que os quartos nos hotéis indicam a direção para onde fica Mekka, pois os Árabes rezam cinco vezes ao dia nesta direção. E qual viajante já não ficou confuso na hora de dar a gorjeta em outro país - será que ela já vem incluída na conta, tem que arredondar para cima ou dar 10%, 15%? Daria para continuar esta lista por muitas páginas. Afinal, todo turista sabe do que estou falando: as experiências vão desde hábitos alimentares até regras e comportamentos no trânsito.

Os visitantes estrangeiros que vem para o Brasil se sentem exatamente assim: confusos com as nossas regras locais. Conseqüentemente, e na concorrência por estes visitantes estrangeiros, os agentes e hotéis (que muitas vezes são os que têm o primeiro contato com o visitante) têm se interessado cada vez mais pelas particularidades de outras culturas. Para oferecer um atendimento de excelência, principalmente os estabelecimentos de cinco estrelas estão se preocupando em saber por que os chineses solicitam chinelos na recepção; por que nunca se deve entregar as chaves do quarto ou a fatura com a mão esquerda para hóspedes árabes; por que os casais japoneses solicitam camas separadas e não abrem mão de uma banheira; por que as famílias árabes fazem a reserva para um determinado número de crianças, mas aparecem com um número maior; e também, para citar um exemplo de um grupo religioso (que pode ser brasileiro), por que os judeus não podem acender a luz ou andar de elevador no dia de descanso, o Shabbat.

Foto: www.sxc.hu
O domínio de idiomas estrangeiros é importante na hora de receber estrangeiros nos hotéis brasileiros, porém não é só isto. Além do idioma, temos de tomar cuidado com O QUE falamos, e também estar cientes que um OLHAR, um GESTO ou um determinado MOVIMENTO pode gerar insatisfação no nosso visitante. Um exemplo que eu sempre cito para reforçar isto é a simples entrega de um saleiro na mão do cliente no restaurante: deve ser feito sempre colocando o objeto na mesa e não na mão do hospede, pois na Finlândia, esta simples gentileza dá azar!

Por isto cuidado: não importa se somos hoteleiros, viajantes ou anfitriões - precisamos ficar atentos e nos adaptar para as diferenças culturais. Lá fora, lembremos que o único estrangeiro somos nós! Na nossa terra, façamos a nossa parte para tornar a estadia dos visitantes o mais agradável possível!

Quem é o colunista: Sven Dinklage

O que faz: aproximar culturas

Pecado gastronômico: costela de boi

Melhor lugar de São Paulo: uma ótima adega na Serra Gaúcha

Fale com ele: [email protected]







Atualizado em 6 Set 2011.

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