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Por Redação Guia da Semana

Não vemos as coisas como elas são, mas sim como nós somos

Fotos: www.sxc.hu

Nós, seres humanos, somos diferentes uns dos outros. Parece impossível que as mais de seis bilhões de pessoas que habitam este planeta sejam desiguais. Todo mundo sabe que irmãos ou gêmeos podem ser tão opostos como se fossem de outras famílias ou de culturas divergentes!

Para pessoas que viajam muito ou tem intenso contato com outras culturas, desenvolvi as Dez Dicas para Lidar com as Diferenças Culturais. Porém, hoje quero falar das primeiras cinco. Na próxima coluna, iremos tratar sobre as demais. Estas se baseiam na minha experiência de 14 anos fora do meu país de origem, tendo vivido e trabalhado em seis países diferentes. Ilustrei com exemplos das minhas próprias experiências, o qual não quer dizer que estes sejam a verdade absoluta. Quando falamos em convivência entre diferentes culturas, precisamos primeiro, lembrar da dica número 1:

Dica 1: Cuidado com estereótipos! Nós humanos tendemos a rotular as coisas, a formar estereótipos fixos nas nossas mentes. Por exemplo, dizemos que "...o povo nordestino é de vagar...", "...todos os alemães são loiros..." ou "...os americanos são arrogantes...". É natural fazermos isto, e os estudiosos dizem que é uma maneira de simplificarmos a nossa vida. O segredo é ser flexível quando aparecem as exceções. Ou seja: se conhecermos um nordestino, um alemão ou um americano, precisamos tomar cuidado de não o rotular, mas (pelo menos) considerar o fato de existirem nordestinos ágeis, alemães morenos e americanos humildes. Quando você perceber que está usando palavras como "sempre" ou "todos", tome cuidado!

Dica 2: É "diferente", não é "normal" ou "anormal"! A primeira reação que temos quando enfrentamos culturas diferentes é de rejeição: "Iiiiie, aqui fazem tudo diferente"! É lógico que vamos achar as coisas diferentes "erradas" ou "estranhas", pois fomos criados no nosso ambiente e com os valores da nossa família, da nossa sociedade. Achamos "normal" dirigir na direita da estrada e dar beijinhos e abraços na hora de encontrar pessoas conhecidas. Na Argentina, é considerado normal homens amigos se beijarem e os esquimós acham normal, quando recebem um visitante masculino, de oferecê-lo a própria mulher durante as noites da estadia. O que será que estes povos dizem de nós, brasileiros? Será que não acham também que somos "fora do normal"?

Dica 3: Receba as coisas diferentes como algo interessante! Não é interessante observar as coisas diferentes que existem em outros lugares? Eu me apaixono a cada vez que tenho a oportunidade de observar os cheiros, sabores, sons e costumes de um lugar! Já imaginou se tudo e todos fossem iguais? Se você encontrasse chimarrão, coco e acarajé em todos os lugares do Brasil? Se os produtos, os costumes e os shows de TV fossem iguais em qualquer lugar do mundo? (na verdade - e no meu ver infelizmente - principalmente estes últimos são cada vez mais iguais!). Na minha opinião, devemos aproveitar enquanto ainda existem coisas diferentes; isto torna a nossa vida interessante e as nossas viagens e nossos contatos mais ricos - se todo lugar fosse igual ao nosso, qual seria a graça?

Dica 4: Atente-se que as diferenças culturais não se restringem aos estrangeiros! Normalmente, achamos que diferenças e problemas culturais se restringem ao contato com estrangeiros. Porém, não podemos esquecer que existem grandes diferenças entre as pessoas de diferentes regiões, de diferentes faixas etárias e de diferentes níveis sociais de um mesmo país. Será que, por exemplo, o conceito de organização ou a noção do tempo é igual para um gaúcho e para um baiano? Será que diferentes grupos sociais e gerações têm os mesmos valores e conceito de tempo, de status e de relacionamento?

Dica 5: Todas as pessoas no mundo querem o básico: amor, paz e felicidade! Ouvi uma vez um astronauta dizer que, ao olhar para a terra do espaço, de ver o nosso "planeta azul" de longe, fica difícil distinguir um país de outro - não se consegue porque as fronteiras que desenhamos nos nossos mapas não existem na realidade; são apenas imaginárias (todos que moram perto de uma fronteira nacional vão concordar com isto). As diferenças entre os homens não são imaginárias, porém são pequenas quando olharmos as similaridades: há muito mais entre nós que nos une do que nos separa! Ouso dizer que todas as pessoas no mundo querem a mesma coisa: ser feliz, amar, viver em paz e ter liberdade.

Hoje, fico por aqui. Não se esqueça de levar estas dicas em sua próxima viagem! E não perca a próxima coluna que tratará das dicas seis a dez. Se você, caro leitor, tiver experiências neste sentido ou queira fazer algum outro comentário, escreva-me. Compartilhar vivências e experiências é fundamental para o sucesso do aprendizado. Até lá!

Quem é o colunista: Sven Dinklage

O que faz: aproximar culturas

Pecado gastronômico: costela de boi

Melhor lugar do Brasil: uma ótima adega na Serra Gaúcha

Fale com ele: [email protected]







Atualizado em 6 Set 2011.

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