Guia da Semana

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Foto: Divulgação

Neste feriado de 7 de setembro, visitei em São Paulo o famoso Museu da Língua Portuguesa e digo que, sendo ou não dia de folga, vale a pena conhecê-lo. Nossa língua, talvez, tenha sido a melhor demonstração da independência de Portugal, pois demos o famoso jeitinho brasileiro para que o idioma ficasse com a cara do país.

Passear pelo Museu da Língua Portuguesa é descobrir os vários formatos que compõem o português do Brasil, pois, de certa forma, conseguimos adicionar detalhes que tornam o idioma tão pessoal, mesmo sob influência do português de Portugal e também o latim, a língua-mãe.

Desde 2006, o museu - que é dividido em três andares - tenta, de maneira lúdica, aproximar a língua portuguesa dos brasileiros. É um projeto bastante interessante, se pensarmos que brigamos para que nossos cidadãos tenham mais contato com a leitura. E parece que tem dado certo. Os fins de semana e feriados costumam ser os mais movimentados. Aos sábados, dia em que a entrada é grátis, é fila na certa.

O local atrai curiosos para compreender como chegamos a falar o que falamos e também para entender a constante mutação de nosso vocabulário. A dica para começar a visita é ir direto ao terceiro andar , que tem um belo auditório onde se reproduz um filme sobre a origem e a praça da língua; é onde as palavras começam a criar vida.

Siga para o segundo piso e gaste tempo no paredão de 106 metros de extensão. Lá, as imagens e os sons produzidos conversarão com você, para mostrar que nossa língua, no dia a dia, é de uma riqueza contínua. Os banquinhos, à frente do telão, lhe darão o conforto necessário.

Mas não pare por aí: você ainda encontrará uma explicação cronológica sobre a língua, bem como conhecerá os vários modos de falar português dentro de um mesmo Brasil. Ainda poderá brincar de construir termos e ver seus significados no beco das palavras.

As exposições temporárias ficam no primeiro andar. Atualmente, até 30 de janeiro de 2011, Fernando Pessoa, Plural Como o Universo está em cartaz no pequeno espaço. São vários poemas, textos e personas em um mesmo lugar. Então, se conseguir ir em horários menos movimentados, melhor. Caso contrário, respire fundo, pois é tudo um pouco espremido.

A exposição utiliza muitos recursos tecnológicos para construir, letra por letra, poemas em suas paredes. Também possibilita que você veja os antigos manuscritos de Fernando Pessoa em grande formato - e digital.

Para os que já são apaixonados pelas variantes de um mesmo poeta, talvez não haja tanta novidade. Apesar disso, ver os manuscritos originais mexe um pouco com os admiradores. Para aqueles que só ouviram falar da fama do personagem lusitano, é um excelente momento para explorar seus homônimos e/ou heterônomos, e escolher o seu preferido.

O espaço consegue tornar a língua mais gostosa para ser aprendida e compreendida. Eu não fui para uma aula chata de gramática, mas para um emaranhado de descobertas daquilo que sai, diariamente, da minha boca.

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Quem é a colunista: Carolina Teixeira, 24 anos, turismóloga e estudante de jornalismo.

O que faz: É consultora educacional de intercâmbio cultural, se entregou ao mundo do turismo, pois, desde que se conhece por gente, fica mudando de um lugar para outro.. Também come, fala (muito), dorme, se diverte e viaja igual a tantos, além de escrever vez ou outra.

Pecado gastronômico: Café (não importa como), uma boa massa, sorvete no frio, bolinho de chuva e sonhos aos domingos.

Melhor lugar do Brasil: São Paulo.

Fale com ela: carolinatex @gmail.com ou acesse seu blog

Atualizado em 6 Set 2011.