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Por Redação Guia da Semana

O templo do futebol

Com fotos, flâmulas, vídeos e recursos multimídias, o Museu do Futebol tem a expectativa de atrair 50 mil pessoas todo mês.

Fotos: Gabriel Oliveira

"São Paulo ganha um novo cartão Postal", é assim que define o curador do Museu do Futebol, Leonel Kaz, sobre o projeto que ajudou a realizar debaixo das arquibancadas do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho. O empreendimento, que inaugurou em setembro de 2008, surgiu em março de 2006, entre uma conversa do então prefeito José Serra com jornalistas e pessoas interessadas em conservar a memória do esporte considerado paixão nacional.

A Fundação Roberto Marinho e o governo de São Paulo uniram-se para refazer a mesma parceria que ocasionou no Museu da Língua Portuguesa, situado na região da Luz. Cogitou-se em fazer o museu na Casa das Retortas, local onde ocorreu o primeiro jogo de futebol no Brasil (em 14 de abril de 1895) ou na garagem da CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), porém a opção escolhida foi o Pacaembu, para revitalizar os seus 68 anos de história e dar um fim à situação de abandono em que o estádio se encontrava nos últimos tempos.

Foram necessários 18 meses para fundar um espaço de 6,9 mil metros quadrados, onde o público encontra mais de 1400 fotos expostas, seis horas de vídeo e muitos recursos multimídias em quatro pavimentos. A obra teve um orçamento de 32,5 milhões de reais, arrecadados pela Prefeitura do município, Governo de São Paulo e a iniciativa privada.

Aproveitando a modernização local, o secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, sinaliza para uma possível candidatura do estádio para a Copa do Mundo em 2014. "São Paulo está bem preparada e o estádio oficial é o Morumbi, mas nada impede que o Pacaembu possa entrar como segunda opção". Neste caso, uma parceria com algum clube da capital (no caso Corinthians) poderia concluir obras necessárias para receber o evento.

Em um passeio ao Museu do Futebol, o visitante entra em contato com a história do Brasil no século XX, os costumes da sociedade, o esporte e a política, responsáveis pela formação de uma nova identidade brasileira, esta que tentava se desvencilhar dos grilhões da escravidão e da disparidade econômica cultivada no período colonial. Os craques do futebol são os principais símbolos dessa miscigenação que atraía diversos segmentos culturais, como artes plásticas, literatura, teatro e música, todos fascinados pelo esporte bretão.

Fotos: Gabriel Oliveira

O museu está dividido em três partes: Emoção, História e Diversão. Logo na entrada, a imagem de Pelé dá as boas vindas em inglês, espanhol e português para o visitante. No hall é possível ver pelas paredes, fotos e objetos pessoais de torcedores ou clubes de todo Brasil. Subindo as escadas, a Sala dos Anjos Barrocos apresenta nove telas de vidro com projeções sucessivas de craques brasileiros, entre eles Zico, Garrincha, Didi, Tostão, Romário e Tafarell, em tamanho natural. As telas transparentes suspensas no ar oferecem a ilusão de estar flutuando diante dos olhos dos visitantes.

É na Sala dos Gols que o público ouve os relatos dos tentos mais importantes da vida, gravado em vídeo por personalidades como Galvão Bueno, Lima Duarte, Nelson Motta, Luís Fernando Veríssimo e Marcelo Tas. Rememorando o futebol narrado, a Sala dos Rádios oferece locuções nas vozes de Ary Barroso, Fiori Gigliotti, José Silvério, Osmar Santos, entre outros. Os visitantes revivem a agonia e frustração da derrota da Copa de 50, no espaço Rito de Passagem. Através de imagens do jogo final contra o Uruguai, um texto é contado por Arnaldo Antunes, embalado pelo silêncio da multidão e som das batidas do coração, que acompanham o avanço de Ghiggia contra a meta brasileira.

Conheça a origem de alguns termos futebolísticos
Craque: No turfe, os ingleses chamavam o melhor cavalo do páreo de crack-horse. O futebol plagiou o termo e passou a designar de crack os melhores jogadores de um time. Com o tempo, a palavra foi aportuguesada para "craque".

Perna-de-pau: A expressão entrou no futebol devido a uma crônica do jornalista Mário Filho, publicada em O Globo de 21 de julho de 1944. Ele escreveu: "A perna que não chutava dava uma impressão desagradável de coisa postiça. Para o homem da arquibancada, era de pau".

Chaleira: É o toque dado com o lado de fora do pé, com a perna levantada e dobrada para trás. A jogada também é conhecida como "Charles" por ter sido criada por Charles Miller, que trouxe o futebol para o país.

Zebra: O inventor da folclórica expressão foi o técnico do Vasco, Gentil Cardoso. Momentos antes do jogo de seu time com a Portuguesa carioca, pelo Campeonato Carioca de 1964, ele teria dito: "Acho que vai dar zebra". Gentil se referia ao fato de que uma vitória do adversário naquele dia seria como dar zebra no jogo do bicho, já que ela não faz parte do elenco de 25 animais. A Portuguesa ganhou por 2X1 e a expressão "dar zebra" se popularizou.

Gol Olímpico: O primeiro gol feito em uma cobrança de escanteio foi marcado por Cesáreo Onzari, da Seleção Argentina, durante um amistoso contra o Uruguai, em 2 de outubro de 1924. Nesse ano, os uruguaios haviam sido campeões olímpicos de futebol. É por isso que o gol do ponta-esquerda acabou sendo batizado de "olímpico".



Para finalizar a visita, o Museu conta com a Sala dos Números e Curiosidades, que apresentam em linguagem de almanaque, datas, histórias, regras, frases e estatísticas montadas pelos jornalistas Celso Unzelte e Marcelo Duarte. Na Sala Jogo de Corpo, o público ainda pode simular uma partida com a Bola Virtual, testar a potência do chute ao gol (e receber a foto do momento grátis, pelo site) ou acompanhar os movimentos do corpo humano de um jogador durante uma partida de futebol, através de um filme 3D. O espaço conta com outras áreas, como uma sala de auditório, teatro, loja de suvenir e café.

Além disso, o Museu do Futebol terá um espaço para mostras itinerantes. A primeira escolhida é a Marcas do Rei, de Pelé, que já passou por Brasília. Mais de 100 peças do acervo do ex-jogador estarão presentes, assim como itens de colecionadores, como a camisa utilizada na final da Copa do Mundo de 1970, que pertence ao cineasta João Moreira Salles.

"Todos os acontecimentos que tocam a vida brasileira que diz respeito à inventividade, criatividade, diz respeito também ao futebol. Não ganhamos Nobel, mas temos culturas singulares, a cultura da afetividade, mestiçagem, aceitação das diferenças e músicas são assim; e a do futebol, sem sombra de dúvida, faz parte dela", explica Leonel Kas, sobre a importância do Museu do Futebol para o resgate à memória do país.

Frases do Mundo da Bola

"Futebol se joga no estádio? Futebol se joga na praia, futebol se joga na rua, futebol se joga na alma." (Carlos Drummond de Andrade, poeta e escritor).

"Eu não quero jogar bem. Quero fazer gols." (Romário).

"Os jornais ingleses dizem do nosso futebol textualmente o seguinte: devia ser proibido jogar tão bonito." (Nelson Rodrigues, dramaturgo e escritor).

"Ele escala o ministério e eu escalo a Seleção." (João Saldanha, treinador da Seleção Brasileira, quando o presidente Emílio Garrastazu Médici sugeriu a convocação do centroavante Dario, do Atlético Mineiro. Saldanha foi demitido pouco antes da Copa de 70).

"O craque deve ser admirado até pelos adversários." (Telê Santana, técnico)

"Difícil pra chuchu, muito difícil. Fazer com os pés o que muita gente não faz com as mãos. Não é brincadeira não." (Zezé Moreira, técnico da seleção brasileira de 1952 a 1955).


Museu do Futebol
Endereço: Praça Charles Miller, s/n - Pacaembu
Horário: terça a domingo, das 10h às 18h.
Preço: R$ 6,00.

Fonte:
Museu do Futebol: pesquisa de Marcelo Duarte e Celso Unzelte

Atualizado em 6 Set 2011.

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