Fotos: Arthur Santa Cruz |
Terno escuro, camisa branca e sapato social. Dentro do seu Vectra 2006 chumbo, ele conversa em inglês com um investidor da Bolsa de Nova York, que passa alguns dias aqui no Brasil. Pode não parecer, mas este é Augustinho, 53 anos, motorista de um táxi de luxo de São Paulo.
Com 35 anos dedicados à profissão, é autodidata em inglês (arrisca um pouco o espanhol) e afirma não ter dificuldade para comunicação com turistas. "Eu tenho boa fluência na língua americana, mas passo dificuldades com japoneses ou chineses, que não conseguem falar o inglês". A clientela é composta por 70% de estrangeiros, a maioria empresários de negócios. Cantores, personalidades da TV e política estão na lista de passageiros guiados por ele.
E para melhor receber os estrangeiros, Augustinho participou do programa de captação de atendimento a turistas. Idealizado pela prefeitura de São Paulo, por intermédio da São Paulo turismo. O programa faz parte do projeto Bem Receber, sendo realizado pela São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB), em parceria com a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) do Shopping Iguatemi. Ele é ministrado na faculdade Unifai (Vila Mariana) e recebe novas turmas todo mês.
CDs apresentam São Paulo para os estrangeiros |
Em mãos erradas
Enquanto Augustinho conversa, teme pela falta de reconhecimento da categoria. "Muitos hotéis contratam motoristas despreparados para passear com seus clientes, estes acabam cobrando um valor até 50% maior do que o táxi de luxo, com um atendimento inferior e veículos inadequados", denuncia.
Esse é o caso do motorista Carlos F, 36 anos, que pediu para não ser identificado. Possui um Santana branco, ano 2002 e trabalha com taxista há sete anos. Carlos não participou de nenhum curso de capacitação, não domina outras línguas e seu automóvel possui somente o ar condicionado, que ele mesmo assume que dá problemas de vez em quando. "Às vezes sou chamado para fazer algumas corridas com clientes de negócio, dou algumas informações em português, mas os estrangeiros não conseguem entender direito", comenta o motorista.
"São Paulo é uma cidade na qual a necessidade de receber os visitantes é alta, devido à potência econômica da metrópole paulistana e as diversas opções de cultura, gastronomia e lazer. Com o programa, mostramos a importância do turismo para a economia da cidade", argumenta Tony Sandro.
Tony Sandro vai além "A nossa meta é estender o curso para outras profissionais que recepcionam esses estrangeiros, como já fizemos com atendentes de hotel e policiais militares, dessa forma, esses profissionais melhoram o atendimento aos próprios moradores da capital".
Curso para atender o público GLS |
O SPCVB em parceria com a Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas, Simpatizantes e o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, oferecem aos segmentos que lidam com o público diretamente, como hotéis, bares, restaurantes, museus, parques, lojas, agências de viagens, locadoras, receptivos, entre outros. "Em auditórios e convenções, é necessário ensinar grupos de atendentes a recepcionarem um público mais diversificado e singular, com respeito e atenção. Quem lida diariamente com esse grupo precisa estar adaptado ao panorama", afirma Tony Sandro. O curso possui temas que ensinam a conhecer melhor o perfil do consumidor; como entender as exigências desse público, sem preconceito, todas as opções sexuais; como um ambiente de inclusão na empresa se reflete na captação de novos consumidores. No final do curso, todos ganham certificado e o Guia da Diversidade, que inclui dicas culturais, de compras, lazer e gastronomia. O programa teve início na última semana de fevereiro de 2008. Já foram agendados outras cinco datas, em 25 de março, 29 de abril, 20 de maio, 24 de junho e 29 de julho, sempre nas últimas terças-feiras do mês. |
Fonte:
Augustinho, taxista executivo;
Carlos F., taxista;
Tony Sandro, diretor-superintendente do SPCVB;
Gilson Rufino, Policial Militar
Atualizado em 6 Set 2011.