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Turismo
Por Redação Guia da Semana

Praia de bike

Em algumas praias do litoral de São Paulo só é permitido o acesso por meio das magrelas. É preciso muito fôlego.

Foto: Arquivo Pessoal

Muito já tinha ouvido falar de pedais ao longo do litoral norte de São Paulo. Mas sempre fiquei com pé atrás em pedalar por acostamentos de rodovias, especialmente em retões onde alguns motoristas abusam da velocidade. Este é o caso da BR101 na região de Bertioga. Mas após descobrir que dá para evitar esta parte usando justamente as praias, resolvi testar o trecho até Ilhabela no feriado de Corpus Cristi.

Geralmente, conseguimos pedalar com alforjes cerca de 60 quilômetros ao dia sem maiores problemas mesmo em estrada de terra. Essa é uma quilometragem para fazer cicloturismo. Sem pressa. Mesmo sabendo disso, mas com apenas três dias de feriado, resolvi que seria viável fazer os 90 quilômetros de Bertioga até São Sebastião em apenas um dia. Isto porque, mesmo sabendo das serras a partir de Maresias, pedalar no asfalto sempre rende mais. E com o horário de verão, teria luz do dia o suficiente para ir tranquilo. Só não poderia parar muito em cada praia. Mas como meu objetivo era Ilhabela, esse dia de viagem era apenas para pedalar.

Saí de Bertioga por volta das 8h. Usei as ruas internas da cidade para chegar até a Riveira de São Lourenço. Poderia ter ido pela praia, mas resolvi ganhar um pouco de tempo já que havia saído uma hora mais tarde do que o previsto.

A partir da Riviera, fui pela praia até o rio Itaguaré, dali peguei a BR101. Logo de cara, nesse ponto, há uma subida, perto dos tanques da Petrobrás, que serve de tira gosto para o que vem pela frente. Mas até pouco depois de Boiçucanga, a estrada é praticamente plana. O pedalar é fácil e as praias vão se sucedendo à direita. Guaratuba, Boracéia, Sahy e assim por diante. Como não queria parar muito, entrei somente nas praias que eram próximas a estrada para uma água e lanchinho a beira-mar.

Este trecho até Boiçucanga é um passeio de bike suave se for planejado para um dia de passeio. No entanto, passando por Boiçucanga, uma coisa me chamou a atenção. O bloqueio da praia por casas entre a estrada e a areia. É um grande corredor com um muro alto à direita cortado de tempos em tempos por uma viela que permite aos outros mortais chegar à praia. Para quem esta de passagem, só resta passar o mais rápido possível para alcançar outras vistas.

Eu deveria ter programado uma parada nessa praia e ter aproveitado mais cada entrada nas praias pelo caminho. Mas como resolvi ser esportista por um dia, investi direto para Maresias e enfrentei uma das subidas mais chatas até hoje.

Havia 20 anos que não fazia este trajeto, nem mesmo de carro. Eu sabia que os últimos 40 quilômetros eram um sobe e desce só, mas havia me esquecido que a serra entre Boiçucanga e Maresias era uma subida de mais de 3,5 quilômetros. Já peguei subidas maiores de bike carregada, mas neste caso o problema foi a falta de acostamento. O espaço que me serviria para subir na manhã e tranquilo foi engolido pela pista para que carros possam subir a toda. Sem ter tranqüilidade, o desgaste foi grande, ainda mais sob um sol de mais de 30º.

Ao chegar a Maresias já queria deixar para outro dia o restante da viagem. Mas não teve jeito. Com o lugar lotado resolvi que era melhor me manter no plano anterior sem perder mais tempo procurando um lugar.

Para compensar o estresse da primeira serra, a estrada a partir desse ponto é o que mais valeu nessa viagem. O sobe e desce até fica em segundo plano, pois a cada subida uma vista deslumbrante e diferente. E de bike, dá para apreciar todas as vistas, até porque a cada investida morro acima é preciso um pouco de água e até repositor pra manter o pique.

Com o cair da tarde, o desgaste do dia começou a pegar. Por várias vezes, achei que ia ter que arrumar alguma opção, mesmo que clandestina, em alguma praia. O que segurou a onda foi um novo tipo de isotônico que levei nessa viagem. Ele é em pastilha efervescente e tem na formula uma carga de potássio extra. Acho que foi o que salvou minha pele, ou melhor, as pernas de uma cãibra permitindo que eu chegasse a São Sebastião com o pôr do sol.

A viagem foi dura, pois resolvi ser esportista por um dia, mas, mais uma vez, saí com a impressão de que esta estrada é uma das mais bonitas do Brasil. Poder fazê-la com calma e sem tantos carros azucrinando na traseira seria uma delícia. Claro que se manter nos 60 quilômetros diários também é uma boa para aproveitar mais dos lugares. À noite fiquei imaginando se houvesse uma cliclo-estrada neste trecho (Para quem não sabe, na Europa, várias estradas cênicas tem um opção para bicicleta). Teríamos gente de monte fazendo um turismo mais limpo. Especialmente estrangeiros. Fica aqui a sugestão já que o governo esta pensando em duplicar esta rodovia. Quem sabe eles não se lembrem dos ciclistas também.

Quem é o colunista: Fotógrafo e editor do site OndePedalar - bike e cicloturismo

O que faz: Fotógrafo editorial.

Pecado gastronômico: Um só? Na Bahia, biju; em São Paulo, pizza; em Curitiba, estrogonofe de nozes e, em Belo Horizonte, feijão.

Melhor lugar do mundo: Aquele que te faz se sentir bem, equilibrado.

Fale com ele: [email protected]

Atualizado em 6 Set 2011.

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