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Por Redação Guia da Semana

Preservando a história

Polêmico e controverso, o processo de tombamento costuma levar vida para locais de importância histórica e cultural.

Foto: Wikipedia

Fachada da Torre do Tombo, em Portugal

A Torre do Tombo, em Portugal, era o local onde se guardava e conservava os documentos fundamentais da nação lusa. Apesar de sua relevância como arquivo, ela é especialmente importante por inspirar o nome de uma ação que conserva a memória histórica e coletiva brasileira, o tombamento.

Instituído em 1937 no Brasil, esse processo até hoje á alvo de polêmicas e embates que costumam colocar de um lado empreendedores e especuladores imobiliários e de outro historiadores, arquitetos e demais interessados na conservação do que é tido como importante para a manutenção da memória coletiva.

Foto: Wikipedia

Vista noturna do Teatro Municipal de São Paulo

Palco da Semana de Arte Moderna de 1922, o Teatro Municipal de São Paulo, tombado em 1981, é uma das construções paulistanas que têm garantidas a preservação de sua arquitetura, que traz consigo aspectos históricos e culturais da época em que foi erigida - início do século XX. O Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que data da mesma época, também desfruta dessa mesma situação por conta de seu tombamento, que se deu em 1973.

Ao contrário do que se pensa, o processo de tombamento não cabe apenas a imóveis. Ele também pode ser aplicado a fotografias, mobiliários, obras de arte, ruas, praças, cidades, regiões, florestas, cascatas, enfim, tudo o que for considerado de importância histórica e coletiva. Mas é no que diz respeito às construções que os ânimos costumam ficar mais quentes.

Foto: Wikipedia

Interior do Teatro Municipa do Rio de Janeiro

Apesar de ter mais de 70 anos de história, o processo de tombamento ainda é cercado por mitos e dúvidas. Por estas bandas, o órgão máximo no assunto é o IPHAN (Instituto do Patrimônio Historio e Artístico Nacional).  Ainda é comum que o ato de tombar seja interpretado como o responsável pelo "congelamento" das cidades e regiões tombadas. O termo congelar, inclusive, é comumente utilizado como argumento contrário às ações do poder público. Os opositores costumam dizer que o tombamento de uma região ou até mesmo de um imóvel afasta os investidores e dificulta a captação de recursos para o local e, consequentemente, o seu desenvolvimento.

No entanto, o que geralmente acontece em relação a grande parte dos patrimônios tombados é uma revitalização de seus arredores, que, em muitos casos, eram abandonados e desvalorizados. Há uma reestruturação do comércio local e um público novo e variado passa a visitar a área, trazendo novos ares para o ambiente.

Nesse sentido, porém, há uma outra polêmica. Diversos prédios que passam a ser considerados de importância histórica e cultural foram abandonados por alguma razão e, ao léu, muitas vezes são ocupados por sem-tetos. Quando o processo de tombamento é concluído, essas pessoas são obrigadas a deixar o local e sempre há controversias quanto à realocação dessa população, que muitas vezes também faz parte da história e da cultura da região.

Seja como for, o tombamento é uma ferramenta fundamental para a preservação de bens que têm importância pública e cultural. Preservar e revitalizar, termos inerentes a tombar, são ações que se complementam e, juntas, podem valorizar e trazer novas significações a itens que se encontram deteriorados.



Atualizado em 6 Set 2011.

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