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Por Redação Guia da Semana

Profissão selvagem

Aventureiro e apresentador conversou com o Guia da Semana durante sua participação na Adventure Sports Fair.

Foto: Divulgação / Richard Rasmussen

Biólogo Richard Rasmussen esteve presente na Adventure Sports Fair

O Guia da Semana esteve presente na 11ª edição da Adventure Sports Fair, mais importante feira no ramo de esportes e turismo da América Latina, que aconteceu de 11 a 13 de setembro, no Centro de Exposição Imigrantes, em São Paulo. O apresentador e biólogo Richard Rasmussen participou do evento com um stand exclusivo e também com palestras especiais sobre meio-ambiente, viagens e relação com a fauna.

Ele concedeu uma entrevista exclusiva ao site onde falou de diversos assuntos, principalmente sobre destinos imperdíveis e o seu projeto com a Nascimento Turismo, que pretende inovar esse ramo. O papo foi além e se estendeu a respeito de política ambiental, relação com o público, destinos nacionais, relação do homem com a natureza, entre outros assuntos. Confira!

Guia da Semana: Diante de toda a sua experiência com viagens, contato com a fauna e cultura de vários países, quais os cinco lugares que você visitou e que as pessoas devem conhecer antes de morrer?
Richard Rasmussen: Um destino imperdível é o Peru, desde Arequipa, passando pelo lago Titicaca, subindo para Cuzco para fazer um pouco da floresta Amazônica. Em um roteiro desses, você encontra de tudo: cultura, fauna e flora e muita beleza natural. Em segundo lugar, aconselho Namíbia, na África, iniciando pelo deserto da Namíbia. No caminho, você encontra tribos étnicas da região, paisagens e animais silvestres chegando até o lindíssimo Etosha Park. Em terceiro lugar, aponto a Patagônia, na Argentina. Desde a península Valdez até Ushuaia, a terra do fogo. Você se depara com baleias, elefantes marinhos, leões marinhos, pinguins. Em seguida, o nosso Pantanal, impossível não citá-lo entre os cinco destinos. Um lugar espetacular, fora de série. E, por último, vou escolher um destino pouco usual: A caatinga paraibana. Um lugar riquíssimo em cultura, arqueologia e paleontologia, pois lá se encontra o maior sítio de pegadas do mundo.

Guia da Semana: Dos cinco destinos citados, você não citou um europeu. Você acredita que a diversidade tanto cultural como de locais da América do Sul e África, por exemplo, é superior do que as opções do Velho Continente?
Richard Rasmussen: Não. Você está perguntando para um cara que vai atrás de fauna, então eu dei cinco destinos onde a pessoa vai ser brindada com um estilo de vida diferente. A Europa é maravilhosa, conheço muito bem o continente, mas você só me deu cinco destinos, né? (risos).

Nota do jornalista: Em meio à entrevista, surgem fãs pedindo autógrafos, assinaturas no livro lançado pelo apresentador e pessoas que aparecem apenas para cumprimentar Richard pelo seu trabalho.

Guia da Semana: Aproveitando o gancho, como é essa relação com o público? Onde você vai as pessoas te admiram pelo seu trabalho. Como você lida com isso?
Richard Rasmussen: Tudo isso foi uma grande novidade que eu estou aprendendo a administrar.

Guia da Semana: Você se considera uma celebridade?
Richard Rasmussen: Não. Eu sou uma pessoa muito simples e sempre tento atender todo mundo da mesma forma, só que às vezes é muito complicado. Tem horas que você vai ao mercado e tem 300 pessoas que te abordam e você não consegue nem terminar uma compra, então há momentos que é difícil ser uma pessoa 'normal' com essa abordagem. No entanto, quem sofre mais com isso são meus filhos. Eles não podem ir a um shopping center comigo, por exemplo.

Guia da Semana: Voltando ao nosso ponto principal, queria falar um pouco sobre o Brasil. Existe um país como o nosso, com tanta diversidade e cultura?
Richard Rasmussen: Não existe um país no mundo que tem a diversidade do Brasil. Resumindo, poderia dizer que em função da nossa complexidade cultural nós temos vários países dentro de um país. São culturas marcantes e diferentes que encontramos aqui.

Guia da Semana: Você acha que hoje o homem está desrespeitando a natureza?
Richard Rasmussen: Nós vivemos em uma corrida capitalista em que não existe culpado muito menos inocente. Na verdade, o homem tenta sobreviver e busca meios para isso. Enquanto a gente não criar alternativas entre uma árvore e a comida do 'bacuri' - o filho do homem -, você pode ter certeza que vai a árvore. Então, é difícil julgar, pois é um assunto muito complexo. Não é uma questão certa em que existe certo ou errado, preto ou branco. O que eu acho apenas é que tem pouca gente que lucra demais com tudo isso. É o momento de pensar em manter o lucro, pois eu sou capitalista e não comunista, mas dentro de um padrão aceitável, onde em certos momentos a gente abra mão de um pouco desse lucro para fazer o bem. Eu não gosto de nada dado, eu gosto de ensinar. Vamos gastar dinheiro com integração, onde podemos ensinar o cara a subir na vida através do seu suor e do seu trabalho.

Guia da Semana: Você citou cinco destinos mundiais. Gostaria que você elencasse cinco destinos brasileiros.
Richard Rasmussen: O Pantanal sem dúvida é o primeiro. A Amazônia brasileira, incluindo aí o estado do Amazonas, pois hoje ele está com uma excelente infra-estrutura para acolher o turista; o estado do Acre em função da sua diversidade étnica sem igual. Lá se pode dizer que o índio é índio, o povo lhe recebe muito bem, mas a estrutura para turismo não é das melhoras; o estado do Amapá que, além de ser a terra da pororoca, tem uma quantidade sem igual de bichos. É o estado brasileiro mais conservado. Noventa e oito por cento da mata está efetivamente em pé, porém ele peca na questão da infraestrutura do turismo. E para fechar vou ficar com a Paraíba, mais o lado do sertão que eu acho um destino imperdível.

Guia da Semana: Você falou em infraestrutura. Em uma entrevista sua, você disse que não gosta muito de política. No entanto, na sua opinião o que  deveria ser feito pelo Ministério do Turismo ou pelo Ministério do Meio Ambiente em relação a políticas mais práticas para chamar mais a atenção do público e incitá-los a conhecer o nosso país?
Richard Rasmussen: Bom, a primeira política que deve ser feita é parar de roubar. É isso que acaba com a política. Eu acho que a política é necessária, e quando falo hoje que ela é um mal necessário, é justamente pelo fato de ser administrada do jeito que é. Isso acontece com a maioria e quem não entra no esquema está fora, e é exatamente por isso que não gosto nem de falar desse assunto.

Foto: Divulgação / Richard Rasmussen.

Richard estreia seu novo programa no SBT em dezembro

Guia da Semana: O que você achou do trabalho da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que acabou se desligando do Partido dos Trabalhadores, justamente por não concordar com o andamento das políticas do partido?
Richard Rasmussen: Eu não gosto de radicalismo em nenhum aspecto. Então, a gente tem que tomar cuidado, por que ela pode ser uma excelente ministra do Meio Ambiente, mas pode ser uma péssima presidente. Eu não sei! Eu não estou aqui para dizer se ela é ou não é. Eu conheço muito pouco a Marina, assim como a gente não conhece quem a gente elegeu para presidente. Nós temos uma ideia e é exatamente essa impressão que eu tenho dela, por isso é bom tomar cuidado para não misturar as coisas. Até porque uma política ambiental radical no Brasil também não é boa, então é preciso ser cauteloso com o que é feito, nem para um lado, nem para outro.

Guia da Semana: Até porque não tem muito segredo em relação a políticas para chamar a atenção do turista, já que o Amapá é um exemplo citado e possui 98% de mata preservado, não é mesmo?
Richard Rasmussen: A gente tem que procurar manter o Amapá em pé, mas ao mesmo tempo precisamos saber que lá tem gente, que precisa alimentar o filho e se o país não conseguir fazer políticas ambientais sustentáveis, quaisquer que sejam, como turismo, pesca, gado, ou sei lá o quê, o Amapá vai para o mesmo caminho que outros estados foram.

Guia da Semana: Conta um pouco desse seu projeto com a Nascimento Turismo. Como é que funciona?
Richard Rasmussen: É um produto de turismo ecológico assinado por mim, que busca fugir um pouco do usual. Você vê um destino conhecido, como a Patagônia, por exemplo. Só que o roteiro desenhado por mim foi idealizado na forma que eu possa dar ao nosso cliente um sabor real. Seguindo com o exemplo da Patagônia, muita gente vende esse destino com os roteiros básicos, que é a visita à península Valdez para ver os elefantes-marinhos, a briga do acasalamento, porém há uma grande distância desses bichos já que estamos dentro de um parque nacional. A minha proposta é mostrar isso, mas com um toque especial. Vou dar a chance do cliente descer até aquela praia e sentar ao lado desse animal para observar o pôr-do-sol. Esse é o tempero que o Richard oferece.

Atualizado em 6 Set 2011.

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