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Turismo
Por Redação Guia da Semana

Será que vai dar certo?

Projeto que pretende transformar a Frei Caneca em rua oficialmente gay de São Paulo cria polêmica entre os moradores do local.

Fotos: Gabriel Oliveira/ Guia da Semana
Rua Frei Caneca: pacata na primeira metade e badalada na altura do shopping


Rua das grifes internacionais, das noivas, dos lustres, dos produtos orientais, das motos... São 59 vias temáticas na capital paulista que fazem o comércio local ferver. Prestes a se transformar na de número 60, a Frei Caneca ganhou um projeto no mínimo inusitado. Com apoio dos vereadores Soninha Francine e José Police Neto, o empresário e presidente da Associação GLS Casarão Brasil, Douglas Drumont, pretende transformar a rua, na região central de São Paulo, em oficialmente gay.

O local, que já é popular entre os homossexuais, ficou conhecido pela polêmica gerada por um segurança do Shopping Frei Caneca, que expulsou um casal que se beijava na praça de alimentação. Seguindo o exemplo de Nova Iorque, onde a Oitava avenida, no Chelsea, é o epicentro gay da cidade, Drumond e mais 40 empresários estão investindo na sede da ong, ao lado da paróquia, para atrair ainda mais a população à rua. "Pretendemos fazer com que a sociedade nos veja de outra forma. Não desejamos segregar e nem criar guetos, só queremos nosso espaço", diz.

Muitas cores, calçadas largas, área de convivência e policiamento. É assim que Drumond imagina a Frei Caneca, apresar de ainda não ter um projeto arquitetônico. "Será feito um concurso entre vários arquitetos para eleger o melhor plano. Queremos envolver o Casarão Brasil com a Associação de Moradores, comerciantes e governo para que seja viável a repaginação da rua".

Douglas Drumond: "Em um domingo contamos 63 gays passando pela porta do Casarão em uma hora"


Insatisfeitos

Para a Samorcc, Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César, o plano é só para agitar a região e tem interesse puramente pessoal. "Nós já temos um projeto de revitalização da rua, com plantio de árvores, elevando a Frei Caneca a alameda, como é do outro lado da Paulista, e deixando os imóveis mais valorizados", afirma a advogada da associação, Célia Marcondes Smith, que ainda completa: "o comércio é muito menor do que os prédios residenciais. Essa é uma rua tradicional e para todos, como qualquer outra, inclusive para homossexuais. Não se pode segregar. Se fosse uma temática religiosa também não deixaríamos".

Em resposta à Samorcc, Drumond é categórico ao afirmar: "mudamos o nome do projeto por conta da polêmica criada com a associação de moradores. Passamos de Rua Gay para Rua do Respeito à Diversidade. Se é segregação, como as ´donas Célias´ dizem, então que seja em benefício, uma segregação que transforma".

Opiniões divididas

Quando Eliza Fernandes, proprietária do salão de beleza Eliza´s Hair que fica na Frei Caneca, ficou sabendo da novidade logo soltou: "Mais gay do que já é! Eu não me incomodo, desde que não atrapalhe o meu comércio". Já para a professora Dionê Muniz, o projeto de deixar a via mais bonita é ótimo, mas não de torná-la gay. "Eles têm o espaço deles no shopping. Lá podem se beijar e fazer o que quiserem. Agora, transformar uma rua coletiva não é certo. Poderiam ter um bairro longe daqui, como é em São Francisco e existe muito respeito. Mas aqui tudo é à base de droga e prostituição", comenta.

"Acho uma iniciativa muito interessante, agora o que isso irá acrescentar ao país ou até mesmo o que acrescentará em nós? Acho que pode tornar-se mais um pólo a ser explorado turisticamente. Nós gostamos de coisas boas e requintadas. A Rua Frei Caneca está Longe de ter esse aspecto, freqüento o shopping, a Lôca e o Frey Café & Coisinhas mais pela facilidade de acesso do que pelo local em si", afirma o analista de seguros e gay, Gabriel Freitas.

A esquerda: paróquia Frei Caneca; a direita: sede da Associação GLS Casarão Brasil


O Casarão

O principal objetivo da recém inaugurada Associação GLS Casarão Brasil é cadastrar os gays de todo o Brasil, além de outros projetos, entre eles, a sede da ong, que será entregue em junho na Parada Gay, abrigará uma floricultura, um café, diversos consultórios médicos direcionados a atendimento de gays e prevenção de DSTs, exames de HIV gratuitos e uma barbearia que, entre outros serviços, oferecerá corte de pelos pubianos.

Atualizado em 6 Set 2011.

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