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Por Redação Guia da Semana

Sonho azul

Mais do que roubar clientes de Gol e TAM, a Azul chega ao mercado brasileiro com a missão de aumentar a procura por passagens aéreas.

Foto: Divulgação

Gol e TAM dominam 90% do mercado aéreo brasileiro. Há espaço para uma terceira grande empresa área? David Neeleman, brasileiro com nome de estrangeiro e fundador da norte-americana Jetblue, acha que sim. Entrará em operação a partir de janeiro de 2009 (ou antes disso, se depender da vontade de Neeleman) a Azul Linhas Aéreas Brasileiras.

Mais do que a estratégia de abaixar o preço - que a empresa não diz quanto para não dar armas aos concorrentes, o carro-chefe da Azul será levar vôos diretos e com freqüências diárias entre aeroportos de cidades que ainda não são totalmente servidos. A promessa da empresa é que, caso você não more em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, não precisará mais fazer escalas nestas cidades se desejar ir a outros lugares do Brasil. Justamente por querer fugir da concentração dos principais aeroportos, a crise aérea não complica tanto os planos da Azul.

"Nos Estados Unidos, viajantes a trabalho podem completar uma viagem de ida e volta no mesmo dia. No Brasil, em função dos serviços com conexões e horários convenientes somente às empresas aéreas, isso muitas vezes não é possível entre muitos pares de cidades brasileiras", diz Neeleman, que ainda é o Chairman da JetBlue e tem uma boa parcela das ações da companhia, mas não faz mais parte do comando executivo da empresa. Com isso, ele irá se dedicar 100% à Azul, vindo ao Brasil a cada 15 dias.

O capital inicial investido na empresa foi de US$ 150 milhões, entre investidores privados no Brasil e nos Estados Unidos. A Azul encomendou uma frota de 76 jatos Embraer para os próximos cinco anos. O plano é iniciar operações com três aeronaves e, nos três anos seguintes, receber uma aeronave por mês. A empresa iniciará com 400 funcionários e poderá ter até 6 mil em cinco anos.

As aeronaves Embraer 195 da Azul têm 118 lugares e serão equipadas com bancos de couro ecológico, sem as poltronas do meio, apenas fileiras de duas poltronas. Não há divisão de classes. Como a JetBlue, a Azul também terá TV ao vivo, em monitores individuais, através da instalação de um sistema via satélite da Live TV. Será a primeira na América do Sul a oferecer tal serviço. O passageiro poderá ver filmes ou jogos de futebol ao vivo a mais de 36 mil pés de altitude.

Mas com tanto conforto e modernidade, como as passagens serão mais baratas? As razões que fazem levar isso são muitas, basta olhar o que Neeleman já fez em suas outras companhias. A primeira razão é a manutenção da aeronave. Com todos os aviões novos, os custos de manutenção diminuem. Outra coisa que Neeleman diminuiu em suas empresas é a ociosidade do avião. A aeronave deve ficar no ar a maior parte do tempo e gerar mais receitas.

Na JetBlue, não há pratos quentes, pois os alimentos perecíveis fazem com que o avião fique mais tempo no solo para repor comida e perca dinheiro. É provável que isso também aconteça com a Azul, porque os aparelhos para conservação dos alimentos são pesados e fazem com que ao avião gaste mais combustível.

Outro fator que pode ajudar a queda de preços são os jatos da Embraer, menores do que os dos concorrentes. "Com custos por assento comparáveis aos custos dos Boeing da Gol e aos Airbus da TAM, os jatos da Embraer apresentam trip costs (custos de viagem) substancialmente mais baixos do que os da concorrência. Isso nos leva a acreditar que os jatos da Embraer são aeronaves perfeitas para o mercado brasileiro", afirma Neeleman, que ainda aponta que as passagens aéreas brasileiras são 50% mais altas do que a dos EUA e não oferecem a flexibilidade que poderiam.

No Brasil, somente 20% dos vôos são turísticos e 80% a negócios. Neeleman quer aproveitar para criar um novo perfil passageiro: "Aqui no Brasil, viajam todos os anos 150 milhões de passageiros em ônibus interestaduais. Nós acreditamos que estes números se traduzem como um grande potencial de mercado a ser explorado. Oferecendo descontos de forma inteligente, sobretudo para consumidores que utilizam outros meios de transporte - ou que deixaram de viajar em aviões - sabemos que podemos estimular a demanda. Não estamos aqui para roubar fatias de um bolo; estamos aqui para fazer o bolo crescer. Todos poderão voar e todas as companhias aéreas vão poder ganhar com isso", diz Neeleman, que também não teme pela concorrência.

"Sabemos também que nossos preços serão imediatamente igualados pela concorrência. Nesse caso, esperamos que o usuário escolha a empresa que, no seu entender, ofereça mais serviço por cada real cobrado. É aí que entra nosso modelo e operar com alta tecnologia, reduzindo custos e ao mesmo tempo, prestando um serviço de qualidade superior".

O sucesso de Neeleman

Foto: Divulgação

Paulistano nascido em 1959, David é filho de Gary Neeleman, jornalista que na época era correspondente estrangeiro da agência norte-americana de notícias United Press International. O pai, que adora o Brasil, logo apressou-se em registrar David como cidadão brasileiro antes mesmo de entrar em contato com o consulado norte-americano. Ironia do destino, isso foi fundamental para que David pudesse hoje fundar a Azul, já que a legislação brasileira não permite que estrangeiros controlem empresas aéreas.

O menino mudou-se para os Estados Unidos com a família com 7 anos de idade. O déficit de atenção e a dislexia impediram David de ser um bom estudante. Porém, ele compensou essa dificuldade de concentração com uma enorme criatividade. Adepto da religião Mórmon (da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) como toda família, voltou ao Brasil para ser missionário mórmon dos 18 aos 20 anos nas favelas de Campina Grande e Recife.

Quando voltou aos Estados Unidos, Neeleman começou a cursar a faculdade de contabilidade na Universidade de Utah. As novas idéias que borbulhavam em sua cabeça logo se transformaram em seu primeiro negócio. Ele vendia pacotes turísticos para o Havaí aos seus colegas de faculdade, que não chegou a concluir. Após isso trabalhou em agências de viagem e depois fundou sua primeira companhia de aviação, a Morris Air, que acabou comprada pela Southeast. Desde o primeiro negócio ele já procurava aliar o baixo preço com a comodidade de TVs e tíquetes eletrônicos (mais econômicos).

Por motivo de contrato, ficou impossibilitado de trabalhar em outra companhia aérea norte-americana por cinco anos. Por isso foi ao Canadá para fundar a WestJet, que hoje é a segunda maior empresa aérea do país. Em 1999, fundou a companhia JetBlue em Nova Iorque, que seria o seu principal sucesso. Hoje a empresa serve 53 cidades com 550 vôos diários e fatura 3 bilhões de dólares por ano.

O nome que sambou
Em 27 de março de 2008, assim que David Neeleman anunciou a nova companhia aérea brasileira, lançou o site www.voceescolhe.com.br para que os internautas (e futuros clientes) enviassem sugestões para o nome da companhia. A campanha contou com mais de 108 mil cadastros e 157.528 votos.

Numa segunda fase, foram escolhidos os 10 nomes finalistas. O nome mais votado foi "Samba" e em segundo lugar ficou "Azul". Porém, logo depois uma comissão liderada por Neeleman decidiu por Azul.

A empresa premiou com o passe vitalício tanto o internauta que enviou pela primeira vez o nome "Azul", quanto o que primeiro sugeriu "Samba". Os dois vão poder viajar de graça, com um acompanhante, pelo resto de suas vidas, nos jatos da Azul. Além deles, outros 2 mil internautas terão direito a levar um acompanhante gratuitamente por uma viagem, quando a Azul começar a voar em 2009.


Serviço:

Azul Linhas Aéreas

Atualizado em 6 Set 2011.

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