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Turismo
Por Redação Guia da Semana

Tour in Rocinha

A maior favela do Brasil atrai estrangeiros que buscam conhecer o Rio através das desigualdades.

Fotos: Jeep tour/divulgação

Rio de Janeiro. Cristo Redentor, Bondinho, Pão de Açúcar, Maracanã, 250 quilômetros de praias, construções históricas, museus e uma diversidade de atrações turísticas. Com esse leque de opções é curioso imaginar que um estrangeiro pague até R$ 100,00 para se aventurar subindo o morro, onde a disparidade econômica no país é ainda mais latente.

Bom, essa é a opção de milhares de turistas anualmente, escolhendo por uma das agências que promovem turismo na Favela da Rocinha. Localizada entre os bairros da Gávea e São Conrado, com residências de alta classe e prédios luxuosos, a Rocinha provoca um profundo contraste urbano na região, com o registro de 56 mil habitantes - de acordo com o órgão oficial do governo, o Instituto Pereira Passos - apesar de fontes não oficiais afirmarem residir cerca de 200 mil moradores distribuídos nos 820 mil metros quadrados.

A favela já ganhou a condição de bairro, abrigando redes de fast-food, bancos, empresas e hospitais, porém sua arquitetura improvisada e seu crescimento desorganizado parece ser o motor que incentiva o estrangeiro a conhecer a cidade maravilhosa por uma das 700 favelas que o Rio de Janeiro possui. Longe de ser um local livre do tráfico e do crime organizado, a imponência da Rocinha dá-se também através de números negativos, como o fato de ser a maior fornecedora de drogas do Rio de Janeiro.

"Eu busco dar um entendimento melhor ao estrangeiro que tem uma visão estereotipada dessas construções populares, sem omitir informações, mas mostrando as outras faces que as pessoas de fora não têm acesso", afirma Marcelo Armstrong, que trabalha há 16 anos com esse tipo de turismo. Pioneiro na área, é dono na Favela Tour, uma agência que atende uma média de oito mil clientes por ano dispostos a conhecer a favela.

Roteiro

"O público em sua maioria é estrangeiro e não é turista comum. Ele tem a mente mais aberta, é viajado, ou vem como professor, sociólogo, arquiteto, estudar e aprender de perto aquilo que leu nos livros", define Marcelo quando aos clientes que recebe. O passeio contempla as favelas da Rocinha e Canoas, passando por dentro da comunidade, escolas, feira do artesanato, mercado popular e uma laje, com visão privilegiada para a Baía de Guanabara.

Assim como a agência acima, a Jeep Tour oferece, dentre outros passeios, essa mesma opção para Rocinha, com um itinerário próprio de visita. O guia passa pela feira de artesanato, com quadros e objetos produzidos pela própria comunidade; a laje da Dona Maria, ponto mais alto da favela; o Largo do Boiadeiro, com produtos nordestinos e a escola de Samba Acadêmicos da Rocinha.

Fique atento!

Embora prometa o mesmo tipo de pacote, algumas empresas podem oferecer um pacote ´especial´, com direito a conversas com traficantes do morro. Disfarçado de turista, um repórter da Folha de São Paulo participou de um passeio na Rocinha com a empresa Private Tour. Como afirma na matéria, o guia e dono da empresa, Pedro Novaes, dialogou com criminosos que falavam para os turistas como era o seu ´trabalho´, além dos soldados do tráfico posarem para fotos com arma na mão.

Procurado pelo Guia da Semana, Pedro Novaes não quis se pronunciar até o fechamento da reportagem. O Secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, chamou de "apologia e banalização do crime" a exploração do tráfico como atrativo turístico. A Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat) vai abrir inquérito para investigar possíveis irregularidades em passeios oferecidos pela agência de turismo na Rocinha.

"Como em qualquer trabalho, existem maus e bons profissionais, o que ele faz é espetacularizar o crime, além de por em risco a vida dos seus clientes", justifica Marcelo Armstrong, com receio de que o incidente afete o seu trabalho. O dono enfatiza não ter ligação com traficantes e nem precisa pedir autorização para transitar com os estrangeiros, reservando-se a transitar por onde a segurança dos turistas não seja ameaçada.

É preciso sempre tomar cuidado ao contratar esse tipo de serviço, conversar com o guia e conhecer o roteiro antes de passear. Recomendamos ver a confiabilidade da agência ou ter indicação de alguém que já participou da atividade.

Abaixo, selecionamos duas empresas indicadas pela empresa de turismo da prefeitura do Rio de Janeiro (Riotur) que oferecem a atração:

Favela Tour
Preço: R$ 65,00
Horário: diariamente em dois períodos, às 9h e às 14h.
Duração: 3h
Observação: o passeio inclui a visita por duas favelas, a da Rocinha e Canoas

Jeep Tour
Preço: R$ 87,00
Horário: ver disponibilidade do cliente
Duração: 3h

Atualizado em 6 Set 2011.

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