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Por Redação Guia da Semana

Tradição taurina

As touradas são vistas por muitos como crueldade aos touros. Porém, a tradição espanhola continua e a temporada está fervendo.

Foto: www.sxc.hu

Esporte ou crueldade com os animais? A verdade é que os apreciadores das touradas não pensam dessa forma, mesmo que cada vez mais apareçam protetores dos animais todos os anos para acabar com as "corridas de toros", como são chamadas na Espanha. A tradição remete à arte de, no final do evento, enganar o touro com a capa (muleta) e dar a estocada final para matá-lo. Em Portugal, há uma lei de 2002 que proíbe a morte do touro, mas os defensores reclamam que eles continuam a ser torturados e a morte ainda é comum em cidades menores.

A temporada das touradas espanholas dura de março até outubro, porém as principais festividades estão em agosto e setembro. Normalmente as férias, como são chamados os espetáculos, duram quatro ou cinco dias em cada arena. A principal é a Plaza de Toros de Las Ventas, em Alcalá, Madrid. Peculiar, ela tem capacidade para mais de 23 mil pessoas e eventos todos os fins de semana durante a temporada, além de uma banda para animar a arena que só existe lá.

São dezenas de arenas nos arredores da capital, mas as principais são as praças de toros de Maestranza (em Sevilha), Illumbe (em San Sebastián), Monumental (de Barcelona) e Bilbao. Caso for para a Espanha nessa época e queira assistir a uma tourada, o preço é bem acessível. Ele varia de 3,5 até 100 euro.

A principal festa em Madrid é a de San Idrido, que ocorreu em maio. Em Sevilha, as principais são a La Virgen de Los Reyes, em 15 de agosto, e a Feria de San Miguel, em 27 e 28 de setembro. Em Bilbao há um festival com touradas todos os dias de 16 a 24 de agosto.

Como funciona

A tourada espanhola é dividida em três fases. Na primeira, o touro é solto do curral e entra na arena. Ele é enfrentado pelo matador de capa vermelha (picador) e seus assistentes (peones). O picador está a cavalo e dá estocadas de lança no touro. Na segunda fase, os banderilleros enfiam bandarilhas (banderillas, ou dardos afiados) no touro, enfraquecendo-o ainda mais. Na terceira fase o toureiro a pé faz o espetáculo com a muleta, cansando o touro aos gritos de olé da platéia, e depois o mata com sua espada.

O lastro de sangue é deixado na arena e, antes que levem o touro, há muitos aplausos e lenços brancos para enaltecer o toureiro. Depois disso, o juiz dará a nota ao toureiro, decidindo se poderá tirar uma ou duas orelhas do touro morto.

Nas touradas portuguesas, em que não se pode matar o touro, as duas primeiras fases são parecidas. Na terceira, aparece a figura dos forcados, que se atiram no touro debilitado para imobilizá-lo e encerram o evento. O problema é que, apesar de não matar, as bandarilhas encravadas no tórax fazem enormes feridas nos touros e deixam os animais com várias seqüelas.

Escolas de toureio

A carreira de toureiro começa muito cedo. Normalmente tem crianças de 6 anos treinando para um dia se destacar nas arenas. No começo, o treino é feito em salão com simuladores (touros com rodas) e mais tarde com bezerros e novilhos. Na Espanha, só podem tourear nas arenas maiores de 16 anos. Para conseguirem tourear sem problemas com a lei, alguns jovens menores de 16 praticam a tourada no México, pois lá não existe restrição.

Movimento Anti-touradas

O Movimento Internacional Anti-touradas (IMAB, na sigla em inglês) é o principal do mundo contra as corridas de touros. Ele é mais forte nos três países onde as touradas são mais tradicionais: Espanha, Portugal e França. Além de acabar com esse tipo de evento, pela crueldade imposta dos animais, quer por fim a todas as festas tradicionais de cidades menores que torturem e matem animais.

E os exemplos são muitos. Na maioria, o touro é solto pelas ruas da cidade e atiram-se dardos, lanças, pedras e outras armas. Muitas vezes a tradição manda cortar os testículos do touro ao final da festa. Os acidentes nesses eventos são muito comuns e o touro, mesmo com proteção nos chifres, pode ferir ou matar alguém. Quando isso ocorre, não é raro as imagens rodarem o mundo.

Para aqueles que não se sensibilizam muito com os touros, os responsáveis pelo movimento apelam para o lado financeiro, dizendo que, na Espanha, o dinheiro público também ajuda a financiar as escolas de toureio, por cultivo a tradição. O IMAB colocou em seu site dados sobre a região de Andaluzia. Em 2007, o governo andaluz teria destinado 300 mil euros às 22 escolas tauromáquicas da região.

Serviço:

Plaza de Toros Las Ventas de Madrid

Plaza de Toros de Bilbao

Plaza de Toros Monumental de Barcelona

Plaza de Toros Maestranza de Sevilla

IMAB


Atualizado em 6 Set 2011.

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