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Viagens
Por Redação Guia da Semana

Um destino surpreendente

Colunista esteve em Potosí, na Bolívia e conta detalhes de sua viagem por este destino.

Potosí é uma das mais antigas e interessantes cidades coloniais da Bolívia. Em meio a uma paisagem desolada e com um clima rude, frio e seco o ano todo, a 4.080 metros do nível do mar, é evidente que lá só prosperou em razão da prata.

Encostada no Cerro Rico, literalmente uma montanha de prata, a cidade foi fundada pelos espanhóis em 1545. Durante duzentos anos, extraiu-se prata do Cerro Rico, em tal quantidade que se diz que, com ela, se poderia fazer uma ponte ligando Potosí a Madri. Também se diz que essa ponte poderia ser construída com os ossos dos seis milhões de índios e negros que ali morreram, obrigados a cumprir a mita, trabalho forçado de 12 horas diárias dentro da mina. (essa lei era uma instituição inca, que importava em apenas algumas horas de trabalho. Os espanhóis modificaram-na, criando uma verdadeira escravidão: os mineiros sequer viam a luz do dia).

Da Plaza de Armas é possível ver o Cerro Rico. Olhando para esse monte pelado, feio e pedregoso no meio de uma paisagem árida, é emocionante lembrar que foi dali que saiu a prata que movimentou a Revolução Comercial na Europa nos séculos XVI e XVII, financiou guerras na Europa e alimentou o poder real espanhol, que ficava com 20% do que era ali produzido.

A mais rica e populosa cidade das Américas

Na era colonial, Potosí foi a mais rica e populosa cidade das Américas. Possuía uma população de 170 mil habitantes - maio do que a de Londres ou Madri na época -. Menina dos olhos dos reis espanhóis, foi a única das colônias espanholas e receber o título de "cidade imperial", outorgado pelo rei Carlos V, em 1553. O brasão da cidade ostentava os seguintes dizeres: "Eu sou a rica Potosí, o tesouro do mundo, a rainha das montanhas, a cobiçada dos reis". A expressão "Vale um Potosí" para indicar algo muito valioso, criada por Cervantes no clássico Don Quijote, é ainda hoje utilizada.

Quando a prata acabou, o que ocorreu, por coincidência, justamente na época da independência da Bolívia (Que mala suerte!), a cidade entrou em decadência e sua população minguou para aproximadamente dez mil habitantes. Sua economia só se recuperou com a exploração do estanho, até que, com os veios cada vez mais explorados e pouco rentáveis, o governo boliviano, proprietário das minas (desapropriadas em 1952 em condições bem vantajosas para a família Patiño), entregou-as às cooperativas mineiras.

Uma cidade barroca

A riqueza gerada pela prata deixou em Potosí um importante legado arquitetônico barroco com lindas praças, palacetes e dezenas de igrejas com um rico acervo de arte sacra. Por isso mesmo, em 1987, a cidade foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. A principal atividade econômica ainda é a mineração (um pouco de prata, mas principalmente estanho, zinco, chumbo e cobre), mas como a produção é muito baixa e as condições de trabalho são severas, os índios que trabalham nas minas continuam a viver pobremente, com uma expectativa de vida das mais baixas

Se resolver visitar Potosí, não deixe de conhecer a gigantesca Casa de La Moneda. Esse casarão, que teve sua construção iniciada em 1553, é provavelmente o maior prédio da administração colonial espanhola nas Américas ainda existente. A parte mais interessante da visita é a que mostra como as moedas eram cunhadas. Inicialmente, as prensas funcionavam no braço, acionadas por escravos, depois pela força de burros, até estes serem substituídos por máquinas a vapor que, instaladas em 1869, foram utilizadas durante cerca de 40 anos.

Fotos álbum: Arquivo Pessoal

Leia a coluna anterior de Lúcio Martins Rodrigues

Vista do Céu

Quem é o colunista: Lúcio Martins Rodrigues.

O que faz: Editor dos guiias de viagem GTB, autor de A Vaca na Estrada.

Pecado Gastronômico: Centollas à Provençal.

Melhor lugar do mundo: Paris.

Fale com ele: acesse o site Manual do Turista.


Atualizado em 6 Set 2011.

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