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Turismo
Por Redação Guia da Semana

Um dia diferente

Veja como foi o passeio do turista irlandês pela capital pauslita.

Foto: Monica Campi


Dias atrás, um amigo meu chegou de viagem da Irlanda para uma rápida passagem por São Paulo. E na bagagem trouxe um amigo irlandês que nunca havia vindo para o Brasil. Ficaram apenas dois dias na cidade e ele me pediu que o acompanhasse, por um dia, para um passeio com o irlandês em São Paulo.

Na hora topei e começamos a pensar onde seria interessante levá-lo, em um tempo tão curto para conhecer uma cidade tão grande. De fato, seria impossível conhecer São Paulo em um único dia. Então pensamos num roteiro, que para alguns paulistas pareceria "zoado". Inclusive alguns amigos nossos não gostaram, mas o importante foi que o irlandês gostou. E muito.

Foi numa quinta. Saímos da estação Santa Cruz do metrô e seguimos até o centro da cidade, mais precisamente com desembarque na estação São Bento. Destino? A abarrotada, suja e, porque não, querida Rua 25 de Março. Inclusive, acho que foi a parte que o irlandês mais gostou. (E digo acho, porque ele disse ter gostado de tudo!).

Como era um dia de semana útil o movimento não estava tão grande, apesar da muvuca de sempre. Aliás, nosso amigo irlandês pode presenciar a verdadeira movimentação desse comércio popular. Durante nossa caminhada por cerca de uma hora, vimos dezenas de batidas policiais, com direito àquela correria típica dos ambulantes quando veem a guarda metropolitana.

Expliquei como funcionavam os esquemas ali, desde o Shopping 25 que vende os "oliginais" iPhones, até propinas e licenças para trabalhar na rua. Nada muito gracioso, mas a simples e pura realidade. Ele inclusive disse que a 25 de Março lembrava muito um comércio popular similar em Nova Iorque, mas que ele não lembrava o nome. A única diferença, porém, era que na cidade estadunidense a rua e calçada eram mais limpas.

Uma coisa que o irlandês achou interessante foi o esquema de preços para atacado e varejo. Ele ficou abismado com a diferença de preço que pode chegar se você comprar grandes quantidades e disse que na Irlanda não existe nada parecido. Achei curioso.

Mas depois de passar pela aventura que é a 25 de Março, resolvemos almoçar ali perto, no Mercado Municipal, ou, para os mais íntimos, Mercadão. Claro que como um bom passeio por lugares tradicionais em São Paulo (essa foi nossa ideia, mostrar extremos da cidade, no que diz respeito às diferenças culturais e sociais), oferecemos a ele o famigerado sanduíche de mortadela, que se não me engano vem com 300 gramas de mortadela em um pão francês, um bolinho de bacalhau (ele conhecia o peixe, mas nunca havia comido preparado daquela forma) e um pastel, mas sem "chopps".

Ele já havia ido a uma feira de bairro no dia anterior, mas achou incrível a variedade e a arquitetura do lugar. Ainda acho que o Mercadão poderia ser bem melhor utilizado, inclusive a área ao seu entorno, mas, mesmo assim, passear por ali é realmente agradável. E de dar água na boca também.

Na volta ao metrô, demos mais uma rápida passada pela 25 de Março e seguimos até outro ícone de São Paulo, a Avenida Paulista. Descemos em frente ao MASP e apesar de já ter visto muitos museus na vida, inclusive o Louvre, o irlandês adorou as formas do prédio, que foi projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi. Especialmente a área conhecida como vão do MASP e a vista que se tem de lá. Caminhamos até a Rua Haddock Lobo e descemos até a Rua Oscar Freire. Lá apenas demos uma volta e ele conheceu a galeria do artista Romero Britto (e disse que adorou, mas não levou nada. Depois de passar pela 25 de Março, achou tudo mais caro).

Para ajudar o clima nesse dia foi bem agradável, beirando os 28ºC, em pleno inverno. Praticamente um treino para ele que dois dias depois iria para Maceió. Ele me disse que a temperatura que estava fazendo naquela hora era bem mais quente do que o calor do verão na Irlanda. Fiquei com frio só de ouvi-lo falar isso. E com um pouco de dó dele pelo calor que iria sentir em Maceió.

Em seguida, voltamos para casa, porque o caminho havia sido cansativo. No final, pegamos o metrô na hora do rush (peço desculpas a ele, mas até que o movimento estava razoável, ninguém o empurrou para entrar ou sair) e fomos para um bar perto de casa. Ele agradeceu muito o passeio e disse que a cidade era realmente muito diferente do que imaginava, repleta de pessoas receptivas e com uma atmosfera muito mais agradável do que Nova Iorque. Depois dessa, meu amigo e eu concluímos de que qualquer roteiro em São Paulo haveria extremos, mas que no final estamos sempre um pouquinho ali e aqui.

Quem é a colunista: Monica Campi

O que faz: jornalista


Pecado gastronômico: doces e junkie food

Melhor lugar do Brasil: Todo o Nordeste

Fale com ela: [email protected]


Atualizado em 6 Set 2011.

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